Telecom concentra 175 mil ataques DDoS no Brasil no primeiro semestre

Da Redação- 15 de outubro de 2026 | 16:27
Levantamento da NETSCOUT registra 487,4 mil ataques no país; operadoras móveis lideram ocorrências e ataques de alta capacidade avançam no mundo
O setor de telecomunicações concentrou 175.023 ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS) no Brasil no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento da NETSCOUT. Desse total, 141.400 ocorrências atingiram empresas de telecomunicações sem fio, excluídas as operações por satélite; 27.967 foram direcionadas a operadoras de redes fixas; e 5.656 envolveram outras empresas de telecomunicações. As três categorias somaram 35,9% dos 487.415 ataques identificados no país entre janeiro e junho.

No período, o Brasil registrou 487.415 ataques DDoS, aumento de 3,56% em relação aos 470.677 identificados no segundo semestre de 2025. A duração média dos incidentes foi de 59,31 minutos.
Os dados constam do Relatório Global de Inteligência de Ameaças DDoS do Primeiro Semestre de 2026, divulgado em outubro pela empresa de segurança e monitoramento de redes.
Além das operadoras de telecomunicações, os provedores de infraestrutura de computação e serviços de hospedagem na web aparecem entre os principais alvos no país, com 50.499 ataques.
Operadoras móveis concentram ocorrências
As empresas de telecomunicações sem fio lideraram o ranking brasileiro de setores atingidos, com 141.400 registros. Os serviços de infraestrutura de computação e hospedagem ficaram na segunda posição, seguidos pelas operadoras de telecomunicações com fio, com 27.967 incidentes.
Outras empresas de telecomunicações contabilizaram 5.656 ataques. Consideradas as três categorias de telecomunicações apresentadas no levantamento, o total chega a 175.023 ocorrências.
O relatório também identificou ataques contra bancos comerciais, com 4.235 registros, restaurantes de serviço completo, com 3.206, e empresas de consultoria em distribuição física e logística, com 2.581.
Os números refletem os ataques identificados pela infraestrutura de monitoramento da NETSCOUT e não devem ser interpretados como um levantamento censitário de todos os incidentes ocorridos no país.
Ataques de alta capacidade crescem 1.286% no mundo
Globalmente, a NETSCOUT registrou mais de 9,1 milhões de ataques DDoS em 209 países e territórios entre janeiro e junho de 2026.
Os incidentes que ultrapassaram 1 terabit por segundo (Tbps) ou 1 bilhão de pacotes por segundo (Gpps) cresceram 1.286% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O levantamento também identificou o primeiro ataque IPv6 acima de 1 Tbps registrado pela empresa. Embora a participação do IPv6 no conjunto dos ataques tenha permanecido estável, a mitigação ativa dessas ameaças aumentou mais de 300% na comparação anual.
Segundo Hardik Modi, vice-presidente de Engenharia, Soluções DDoS e da equipe de inteligência de ameaças ASERT da NETSCOUT, o crescimento dos ataques de alta capacidade exige mudanças nos mecanismos de proteção das redes.
“Com a proliferação de proxies residenciais e ataques de curta duração baseados em taxa de tráfego provenientes de plataformas DDoS de aluguel (DDoS-for-hire) sob demanda, os controles de rede genéricos e tradicionais tornaram-se insuficientes”, afirmou o executivo.
Ataques curtos e proxies residenciais dificultam mitigação
Entre os métodos identificados globalmente, os ataques de caminho direto (direct-path) responderam por 64% das ocorrências observadas, mantendo a predominância pelo terceiro semestre consecutivo.
Já a participação dos ataques do tipo carpet-bombing, que distribuem tráfego malicioso por múltiplos endereços de uma rede, passou de 3,97% para 4,54%.
O relatório também aponta mudanças na duração dos incidentes. Desde o segundo semestre de 2023, a participação dos ataques que duram um minuto ou menos quase dobrou.
Essas ofensivas podem atingir tabelas de conexões, servidores de aplicações e resolvedores DNS sem necessariamente saturar os enlaces de comunicação.
Outro comportamento identificado foi o uso de redes de proxies residenciais para originar tráfego malicioso a partir de endereços IP associados a consumidores finais.
Esse mecanismo dificulta a diferenciação entre tráfego legítimo e tráfego de ataque, segundo a análise.
TCP ACK foi o vetor mais frequente no Brasil
No recorte brasileiro, o vetor TCP ACK apareceu em 138.626 registros, seguido por amplificação DNS, com 61.575, e TCP SYN, com 37.481.
Também foram identificadas 20.736 ocorrências envolvendo DNS e 18.044 relacionadas à amplificação TCP SYN/ACK.
O levantamento aponta a utilização combinada de diferentes vetores em ataques complexos, incluindo TCP RST e UDP.
A NETSCOUT afirma que sua metodologia utiliza pontos de observação passivos, ativos e reativos para identificar o tráfego malicioso. As métricas de pico consideram as maiores taxas de transmissão e de pacotes observadas em um intervalo de um segundo, em pontos definidos de monitoramento e mitigação.
Para as operadoras, a análise destaca a necessidade de identificar ataques que não dependem apenas de grandes volumes de tráfego, mas também exploram limitações de processamento e mecanismos de controle das redes.
O relatório não apresenta uma estimativa financeira dos prejuízos provocados pelos ataques no Brasil nem informa quantos dos incidentes registrados resultaram em interrupções efetivas dos serviços.
*Com assessoria de imprensa
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