Baigorri aponta acertos e frustrações de sua gestão, e pede mais visão estratégica

Após quase 17 anos de carreira na Anatel, Carlos Baigorri deixará o comando da agência no próximo dia 4, quando será realizada a última reunião do conselho diretor com a sua presença. Ele voltará à condição de servidor da agência e viaja para o Catar em sequência, onde no dia 12 acontece a escolha do novo secretário geral adjunto da União Internacional de Telecomunicações, cargo a que Baigorri concorre. Se for eleito, muda-se para Genebra em seguida. Se não for eleito, sai em quarentena e possivelmente buscará alternativas no setor privado.
O atual presidente da Anatel é praticamente uma unanimidade entre regulados e colegas da agência. É difícil achar quem tenha divergências sérias com Baigorri, e existe, nas conversas reservadas, um sentimento de perda com sua saída. Baigorri passou os últimos sete anos no conselho da Anatel. Não é recordista porque antes dele outros conselheiros chegaram a acumular dois mandatos, quando a reeleição era permitida, mas foi um dos integrantes mais longevos do conselho diretor.
Baigorri concedeu uma entrevista de balanço de sua atuação na agência em que aponta o que considera como saldos positivos, algumas frustrações e deixa alguns recados, tanto para quem vai sucedê-lo na cadeira quanto para os futuros formuladores de políticas setoriais. A íntegra da entrevista está no canal da TELETIME no Youtube, com link abaixo.
Legados
Entre os aspectos destacados por Carlos Baigorri como legados e conquistas da Anatel no período em que esteve no comando da agência ele aponta a modelagem para a chegada do 5G no Brasil, do edital de venda das faixas à forma como a Anatel imaginou a entrega dos compromissos assumidos pelas operadoras. Ele também exaltou o modelo competitivo das telecomunicações brasileiras, sobretudo na banda larga fixa, o que, na visão do presidente da Anatel, foi a razão pela qual a crise da Oi não se tornou uma crise sistêmica para o setor.
Na entrevista, Baigorri comemora a conclusão das migrações das concessões de telefonia fixa e a forma como os acordos foram construídos, evitando problemas aos usuários e ônus para o Estado.
Mas ele aponta frustrações, sobretudo pelo fato de não ter conseguido transformar a agência em uma referência regulatória também para o ecossistema digital. Baigorri diz que essa frustração se deve, em parte, a uma dificuldade de convencer o governo de que é preciso ter um agente regulador que olhe de maneira mais ampla e estratégica para os desafios impostos pelos serviços digitais. Segundo ele, o Brasil ainda está atrasado nessa visão em relação a outros países, que têm se movido de maneira mais célere.
Baigorri deixa ainda alguns conselhos aos conselheiros que permanecerão na agência e ao seu eventual sucessor. Para ele, é preciso buscar a conciliação de entendimentos, e não o protagonismo, e a valorização do corpo técnico da agência, mesmo quando divergindo do conselho, é fundamental para assegurar a independência e a legitimidade das decisões da Anatel.
Confirma abaixo a íntegra da entrevista:


