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TeleSíntese07/10/2026por Paula Coutinho

TelComp defende manutenção de assimetrias regulatórias para operadoras menores

TelComp defende manutenção de assimetrias regulatórias para operadoras menores
TelComp defende manutenção de assimetrias regulatórias para operadoras menores

Luiz Henrique Barbosa afirma que consolidação dos provedores não eliminou diferenças de escala e alerta para peso dos custos regulatórios sobre empresas regionais

A consolidação do mercado brasileiro de banda larga não eliminou as diferenças de escala que justificam tratamento regulatório distinto entre grandes operadoras e empresas de menor porte. A avaliação foi apresentada pelo presidente executivo da TelComp, Luiz Henrique Barbosa, durante o painel Panorama Regulatório Telecom, na Futurecom 2026, nesta terça-feira, 6.

Questionado sobre quais assimetrias ainda fazem sentido diante do crescimento e da consolidação dos provedores regionais, Barbosa sustentou que as diferenças estruturais permanecem.

“Não dá para se dizer que as empresas sejam do mesmo tamanho. Existe uma diferença gigantesca entre grandes empresas e aquelas empresas [menores]”, afirmou.

Na avaliação do executivo, essa diferença precisa continuar sendo considerada pela regulação.

O debate ocorre depois de anos de crescimento dos provedores regionais, que ampliaram sua participação na banda larga fixa e passaram por processos de aquisição, consolidação e profissionalização.

Para a TelComp, entretanto, o aumento de escala de parte dessas companhias não permite tratar todo o mercado como homogêneo.

Custo de conformidade pesa mais nos menores

Um dos principais argumentos apresentados por Barbosa é o custo associado às obrigações regulatórias, fiscais e administrativas.

Segundo ele, uma companhia de grande porte consegue manter equipes dedicadas ao atendimento dessas exigências. O mesmo não ocorre necessariamente em uma operação regional.

“Não dá para imaginar que uma empresa ISP, na região X, vai ter um grupo encarregado para responder” a todas as exigências, afirmou.

Barbosa chamou atenção para o custo crescente de mensuração e produção de informações demandadas das empresas.

Quando essas obrigações são aplicadas de maneira uniforme, disse, o impacto relativo é maior sobre os operadores de menor escala.

“Obviamente, uma grande empresa tem muito mais condição”, afirmou, ao comparar a capacidade das empresas de manter estruturas dedicadas ao cumprimento das obrigações.

Além do custo financeiro, o presidente da TelComp mencionou a disponibilidade de profissionais como restrição para os provedores menores.

Consolidação muda mercado, mas não elimina diferenças

Barbosa reconheceu que o mercado entrou em uma nova etapa.

“Agora nós estamos entrando em uma outra fase”, afirmou, ao citar a consolidação do setor.

O movimento envolve integração de empresas, expansão para novas regiões e reorganização dos ecossistemas de provedores.

Isso exige, na avaliação da TelComp, acompanhamento das mudanças antes de uma revisão que simplesmente elimine as assimetrias construídas para operadores de portes distintos.

O executivo também chamou atenção para as diferenças regionais do país. O tamanho do mercado e as características de cada área de atuação impedem, na avaliação apresentada no painel, que uma mesma situação seja atribuída a todos os provedores.

A discussão sobre assimetrias fez parte de um debate mais amplo sobre competição e investimento. Na abertura do painel, o mediador destacou que o próximo ciclo regulatório envolverá espectro, futuros leilões, compartilhamento de infraestrutura e incentivos capazes de converter investimentos em cobertura e capacidade.

Postes e licenciamento continuam como barreiras

A discussão avançou ainda para gargalos de implantação das redes.

Entre os problemas citados no painel estiveram compartilhamento de infraestrutura, ocupação de postes e diferentes processos de licenciamento necessários à construção das redes.

Essas barreiras afetam empresas de diferentes portes, mas ganham peso adicional para operações menores quando combinadas às exigências administrativas e regulatórias.

A posição da TelComp é, portanto, de cautela diante de uma eventual retirada generalizada das assimetrias regulatórias.

A consolidação dos provedores modificou a estrutura competitiva do mercado brasileiro, mas, para Barbosa, ainda não produziu uma equivalência entre empresas regionais e grandes grupos nacionais que permita aplicar indiscriminadamente o mesmo conjunto de obrigações a todos os prestadores.

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