Anatel exalta investimentos privados e aponta para desafios futuros

Durante suas respectivas participações na abertura na Futurecom 2026, que aconteceu esta semana em São Paulo, tanto o presidente da Anatel, Carlos Baigorri, quanto o conselheiro da agência Edson Holanda (que representando oficialmente a agência na abertura do evento), destacaram o papel do setor privado no desenvolvimento das soluções de conectividade.
Baigorri lembrou que ao longo de seu tempo como técnico e depois como conselheiro e presidente da Anatel, ele viu um amadurecimento da agência em reconhecer a capacidade da iniciativa privada em fazer investimentos, correr riscos e ampliar a infraestrutura. "Isso permitiu o avanço que tivemos na banda larga e nos serviços móveis. Foram investimentos feitos pelo setor privado", destacou Baigorri.
Holanda também falou do papel das empresas no cumprimento de políticas públicas. "O 5G foi um dos maiores passos que o Brasil já deu nessa direção. O leilão movimentou quase cinquenta bilhões de reais, com a maior parte revertida em compromissos que foram muito além das grandes cidades: cobertura em milhares de localidades, rodovias e escolas, fibra na Amazônia, segurança nas comunicações de governo. E em 2026 demos mais um passo: o 700 MHz garantiu dois bilhões em investimentos para levar 4G a 864 localidades desassistidas".
Desafios futuros
Para Holanda, os três principais desafios do regulador nos tempos atuais são atuar na frente de cibersegurança para assegurar que a infraestrutura que serve a setores tão diversos como bancos, hospitais, serviços públicos e ao próprio cidadão não configure um território de risco cibernético. Para isso, destacou o conselheiro, a agência precisa manter a sua regulamentação atenta aos novos desafios e contribuir para o debate técnico.
Ele também vê a Anatel como protagonista na regulação do ecossistema digital, especialmente no que diz respeito a temas como plataformas, nuvem, data centers e inteligência artificial. Mas ele disse que são temas que ainda exigem "reflexão, dados e diálogo" e sobre os quais ainda não existe uma resposta de como a agência atuará.
Ele destacou ainda o papel da conectividade como ferramenta de competitividade para outros setores econômicos como um dos temas de atenção da agência. Segundo ele, "a conectividade deixou de ser apenas um serviço: tornou-se infraestrutura para o desenvolvimento do país".
Holanda também defendeu investimentos privados e negociações de consenso que permitam a busca de soluções. "Quando política pública, regulação e investimento caminham na mesma direção, quem ganha é o cidadão. E essa lógica vale também para as soluções construídas no próprio setor Há impasses que se prolongam por anos enquanto investimentos ficam pelo caminho". Ainda segundo ele, "um acordo, um compartilhamento de rede, uma solução consensual pode substituir anos de disputa por infraestrutura concreta".
Transparência
Holanda defendeu uma Anatel independente e com opiniões plurais. Para ele, a agência precisa dar segurança jurídica ao mercado, proteger o consumidor e também preservar a atuação dos servidores que tomam as decisões.
"Para isso temos ativos que precisam ser preservados: uma agência de Estado, técnica, com corpo qualificado, independência para decidir e um Conselho Diretor plural. Independência se fortalece quando caminha junto com transparência. Decisões amplamente debatidas produzem caminhos melhores e dão legitimidade às nossas escolhas. Como agentes públicos, devemos mostrar não apenas quais são as regras, mas como elas são construídas", pontuou.


