Provedores alertam para 'blackout' nas redes e pedem linhas de crédito

O CEO da Brisanet, José Roberto Nogueira, afirmou que o Brasil pode sofrer um blackout de Internet até 2030 se as prestadoras de serviços de telecomunicações não investirem em infraestrutura de rede. As localidades que devem ser mais atingidas, segundo o executivo, são as áreas remotas, zonas rurais e rodovias.
Em painel no evento Futurecom, em São Paulo, nesta terça-feira, 6, Nogueira ressaltou que, em função do aumento do tráfego de dados e do crescente uso de serviços de Inteligência Artificial (IA), as redes atuais precisam ser modernizadas para suportar a demanda por conectividade.
Contudo, indicou que só é possível investir em rede ao cobrar um preço razoável pelo serviço de banda larga, o que diverge da estratégia de parte dos pequenos provedores. Tais empresas ainda se mantêm competitivas via preço baixo.
"Vai ter um filtro muito grande nos próximos anos. A situação vai estar pior do que hoje em termos de infraestrutura. Esperamos um buraco negro, um blackout, de atendimento em áreas remotas, estradas e distritos rurais", afirmou o CEO da Brisanet, indicando que as infraestruturas podem colapsar.
"Em 2030, poderemos ter um buraco negro de conectividade de alta performance. Com o avanço da IA, o 4G vai ser o 2G de hoje", acrescentou.
Nesse sentido, o CEO da Brisanet defendeu taxas subsidiadas de longo prazo para investimentos em áreas remotas. Ele também disse que a Brisanet constantemente investe em modernização de rede, a fim de estar preparada para o aumento do tráfego de dados.
Crédito para provedores
No mesmo painel, o CEO da Vero, Fabiano Ferreira, disse que as altas taxas de juros prejudicam o investimento constante no setor.
Diante desse contexto, defendeu o lançamento de linhas de crédito específicas para redes de telecom, data centers e novos serviços. Ferreira também apontou o Refibra, projeto em elaboração com incentivos para redes de fibra, como um caminho para estimular a modernização das redes.
Já o CEO da Brasil TecPar, Gustavo Stock, comentou que o avanço do letramento digital pode fazer com que a população faça melhor uso da infraestrutura existente.
Ele também saiu em defesa do compartilhamento de infraestrutura entre os players de telecom para "racionalizar os custos e crescer".


