Data center como obrigação reflete novo ecossistema de telecom, avalia Anatel

Paula Coutinho- 6 de outubro de 2026 | 20:11
Nilo Pasquali diz que consulta sobre 6 GHz abre discussão sobre novos compromissos de infraestrutura; agência pretende manter modelo que prioriza investimentos em vez de arrecadação
A Anatel pretende discutir se investimentos em data center e outras infraestruturas digitais podem integrar os compromissos associados a futuras licitações de radiofrequência, que já aparece na consulta de futuros leilões relacionados à faixa de 6 GHz. Segundo o superintendente de Planejamento e Regulamentação da agência, Nilo Pasquali, esse é um movimento natural, diante das mudanças do ecossistema de infraestrutura digital. Ele participou de painel na Futurecom 2026, nesta terça-feira, 6.

Pasquali afirmou que a inclusão de data centers na discussão não representa uma mudança abrupta de atribuições da agência, mas uma consequência da integração crescente entre telecomunicações e outras infraestruturas digitais.
“Eu acho que não é uma mudança, eu acho que é uma maturidade da agência, por conta das discussões dos últimos anos”, afirmou.
Segundo ele, as antigas divisões entre os segmentos deixaram de refletir o funcionamento do mercado.
“A gente está agora em um ambiente digital. A gente não está mais naquele momento de divisão das cadeias, as estruturas bem divididinhas, todo mundo no seu quadrado. Quando a gente está falando de ecossistema digital, a gente está falando de telecom e mais uma série de outras coisas também.”
Pasquali confirmou que a proposta submetida à consulta pública leva os data centers para a discussão sobre os compromissos associados ao espectro. O superintendente ressaltou, porém, que a proposta está em consulta e pode ser modificada.
Segundo ele, essa é justamente a finalidade do processo: avaliar se a formulação faz sentido, se deve permanecer como apresentada ou se precisa de outro desenho. A discussão acontece no contexto da Consulta Pública nº 37, que trata da faixa de 6 GHz.
Conectividade continua pendente
Pasquali ressalvou que a incorporação de novas infraestruturas aos compromissos não significa que o problema tradicional de cobertura esteja resolvido. “O Brasil não acabou de conectar o país”, afirmou.
Segundo ele, ainda existem áreas identificadas nos levantamentos da agência que demandam expansão das redes. A diferença é que a Anatel considera necessário começar a observar simultaneamente outras estruturas que compõem o ecossistema digital.
“Tem que se começar a olhar para as outras infraestruturas que também fazem sentido, que compõem esse ecossistema e começam a contribuir para colocar o Brasil no futuro”, afirmou.
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