Telcomp cobra agilidade nas licenças para data centers

Rafael Bucco
- 6 de outubro de 2026 | 14:01
Entidade relata demora superior à construção de empreendimentos e aponta impasses na regulamentação do Redata como entrave.

A demora na emissão de licenças e as pendências na regulamentação do Redata estão entre os obstáculos à implantação de data centers no Brasil, segundo o presidente da Telcomp, Luiz Henrique Barbosa. Durante a abertura do Data Center World, nesta terça-feira, 6 de outubro, o dirigente defendeu maior previsibilidade para atrair investimentos e integrar o país às cadeias internacionais de infraestrutura digital.
Barbosa relatou o caso de uma associada que aguardou dois anos por uma licença para atravessar uma rodovia no interior de São Paulo. Segundo ele, o prazo foi superior ao necessário para construir o próprio data center.
Para o dirigente, situações desse tipo comprometem a segurança jurídica dos projetos. Ele afirmou que investidores estrangeiros comparam as condições brasileiras com as de outros mercados e que o país precisa considerar essa concorrência ao definir regras, tributos e procedimentos de licenciamento.
A Telcomp reúne aproximadamente 60 empresas de diferentes segmentos, incluindo operadores de cabos submarinos, satélites, data centers e redes de transmissão de longa distância e metropolitanas.
Impasse sobre equipamentos
Barbosa também cobrou a conclusão da regulamentação do Redata. Segundo o presidente da Telcomp, há divergências com fabricantes nacionais de equipamentos, preocupados com o alcance dos benefícios para importações.
Na avaliação do dirigente, a indefinição mantém investimentos parados. Ele defendeu que o regime seja entendido como uma forma de aproximar a tributação brasileira das condições oferecidas em outros países.
No mesmo painel, Walter Wolff, diretor de projetos da Brasscom, afirmou que a regulamentação envolve discussões sobre os equipamentos contemplados e sobre o fornecimento de energia aos empreendimentos.
Já o presidente da Equinix, Victor Arnaud, alertou que o detalhamento das regras pode comprometer os resultados do incentivo caso imponha burocracia excessiva aos projetos.
Cabos submarinos e segurança jurídica
Para exemplificar os efeitos internacionais de decisões sobre infraestrutura, Barbosa citou a proposta de instalação de uma usina de dessalinização na Praia do Futuro, em Fortaleza, nas proximidades de cabos submarinos.
Segundo ele, a discussão gerou preocupação entre agentes de outros países porque as conexões que passam por Fortaleza também atendem ao tráfego internacional. O dirigente citou as ligações com a África, a Europa, os Estados Unidos e a Argentina para defender que decisões locais considerem o papel dessas redes.
A relação entre data centers e telecomunicações também foi destacada pelo diretor jurídico da Conexis, Bruno Cavalcanti. Ele afirmou que a atração de investimentos em processamento depende de redes de fibra, backbones e conectividade de alta capacidade.
Cavalcanti defendeu uma regulação responsiva, com espaço para atuação do mercado, e segurança jurídica para os investidores. Na avaliação do representante da Conexis, regras antecipadas que burocratizem a implantação dos empreendimentos podem prejudicar o crescimento do setor e a competitividade brasileira.
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