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TeleSíntese06/10/2026por Paula Coutinho

Anatel reivindica participação na regulação do ecossistema digital

Anatel reivindica participação na regulação do ecossistema digital
Anatel reivindica participação na regulação do ecossistema digital

Edson Holanda defende que experiência da agência seja considerada nas discussões sobre plataformas, nuvem, data centers e novos serviços digitais

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) reivindica participação nas discussões sobre a regulação do ecossistema digital que se forma em torno das redes de telecomunicações, dos data centers, da computação em nuvem e das plataformas. A posição foi apresentada pelo conselheiro Edson Holanda durante a abertura da Futurecom 2026, nesta terça-feira, 6, em São Paulo.

Holanda afirmou que as transformações do setor ampliaram a discussão regulatória para além das redes tradicionais de telecomunicações. Na avaliação apresentada pelo conselheiro, a experiência acumulada pela Anatel deve ser considerada na construção das regras aplicáveis aos novos serviços.

O posicionamento ocorre em um momento no qual diferentes atividades digitais passam a depender de uma infraestrutura integrada formada por redes terrestres e móveis, satélites, capacidade computacional, nuvem e data centers.

Holanda associou essa transformação à necessidade de preservar segurança jurídica, previsibilidade regulatória e independência técnica na atuação do regulador.

Regulação acompanha transformação das redes

O conselheiro afirmou que o desafio da conectividade brasileira mudou ao longo das últimas três décadas, embora a questão do acesso continue presente.

Segundo ele, a discussão atualmente não está restrita à existência de cobertura. Velocidade, capacidade e qualidade passaram a integrar a avaliação sobre a conectividade disponível aos usuários.

A universalização do acesso, entretanto, continua sendo uma condição anterior a essas novas exigências. Holanda relacionou a cobertura à inclusão de pessoas e territórios que ainda permanecem fora das redes de maior capacidade.

Ao tratar do 5G, o conselheiro destacou o modelo adotado no leilão de espectro, que vinculou a utilização das frequências a compromissos de investimento e cobertura.

O modelo brasileiro destinou parte dos recursos associados à licitação para obrigações como expansão das redes, atendimento de localidades, cobertura de rodovias e conectividade de escolas.

Novos mercados ampliam desafio da agência

A transformação da infraestrutura digital também altera a fronteira de atuação do regulador.

Serviços digitais passam a utilizar simultaneamente infraestrutura de telecomunicações, capacidade de processamento, armazenamento e plataformas distribuídas. Esse ambiente aproxima mercados que anteriormente eram tratados de forma mais separada.

Na avaliação apresentada por Holanda, a discussão sobre a governança desse novo ecossistema não deve desconsiderar a experiência regulatória acumulada pela Anatel.

O posicionamento converge com a defesa feita durante a Futurecom por outras autoridades de regras que ofereçam previsibilidade aos investimentos. Há, entretanto, diferenças sobre a extensão dessa regulação.

O governo de São Paulo, por exemplo, defendeu durante a abertura que a presença do Estado ocorra “na medida certa” e alertou contra a reprodução automática no Brasil de modelos regulatórios desenvolvidos em outros países.

A Anatel, por sua vez, colocou a capacidade técnica e a independência do regulador como componentes da segurança necessária para a expansão das redes e dos novos serviços digitais.

Infraestrutura ganha novas camadas

A discussão aparece no momento em que o governo federal busca ampliar a capacidade brasileira de processamento e armazenamento de dados.

Durante a mesma abertura da Futurecom, o ministro das Comunicações, Frederico de Siqueira Filho, relacionou a expansão dos data centers à disponibilidade de energia, conectividade, fibra óptica e cabos submarinos.

Esse encadeamento amplia o número de agentes envolvidos nas políticas de infraestrutura digital. Além do Ministério das Comunicações e da Anatel, passam a ter participação direta órgãos ligados à energia, política industrial, tributação e proteção de dados.

Para Holanda, o desafio permanece associado à conectividade dos brasileiros, mas a resposta regulatória necessária para enfrentar essa questão passa a incorporar novas tecnologias, serviços e agentes econômicos.

Tags# Anatel# ecossistema digital
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