Surf diz que rede própria servirá para ampliar serviços de MVNOs parceiras

Paula Coutinho- 15 de outubro de 2026 | 18:55
Hilton Mendes afirma que infraestrutura e frequências próprias serão utilizadas para complementar a cobertura, sem mudar o foco B2B2C
A Surf pretende utilizar infraestrutura e frequências próprias para complementar os serviços oferecidos às operadoras móveis virtuais que utilizam sua plataforma. A estratégia foi apresentada por Hilton Mendes, diretor executivo da companhia, durante o painel “MVNOs: a vez dos provedores”, no Wireless Mundi 2026, realizado pelo Tele.Síntese nesta quinta-feira, 15, em São Paulo.

Segundo Mendes, a empresa não pretende abandonar seu modelo de negócios baseado no atendimento a parceiros para disputar diretamente o mercado consumidor.
“A Surf é uma empresa genuinamente B2B2C”, afirmou o executivo.
Ele explicou que a possibilidade de operar com recursos próprios de rede sempre foi considerada pela companhia como uma forma de apoiar as operações de seus clientes, e não como objetivo independente de expansão comercial.
Frequências serão avaliadas conforme a demanda
De acordo com Mendes, a Surf analisa oportunidades de utilização de frequências que possam reforçar a cobertura ou atender necessidades de segmentos específicos.
A decisão de investir, segundo ele, depende da identificação de uma aplicação comercial e de usuários para o serviço.
A empresa considera tanto situações de maior concentração de tráfego quanto demandas específicas de determinados setores.
Mendes não informou quais frequências poderão ser utilizadas, as localidades contempladas ou o volume de investimentos previsto. Também não apresentou um cronograma para a expansão da infraestrutura própria.
O executivo ressaltou que os investimentos em plataformas, data centers e serviços são direcionados ao atendimento das empresas que utilizam a estrutura da Surf para comercializar telefonia móvel.
Plataforma atende diferentes modelos de MVNO
Durante o painel, Mendes explicou que a Surf desenvolveu uma plataforma para atender parceiros com necessidades comerciais e técnicas distintas.
Entre os exemplos mencionados estão provedores de internet, empresas especializadas em conectividade IoT, redes varejistas, clubes de futebol e marcas que pretendem oferecer telefonia móvel aos seus públicos.
A estrutura inclui ferramentas de acompanhamento de ativações e da base de clientes, além de módulos para integração técnica com os sistemas dos parceiros.
O executivo afirmou que a companhia consegue configurar uma nova operação de MVNO, com plano e regras comerciais previamente definidos, em aproximadamente 15 minutos.
A velocidade de configuração, porém, não elimina a necessidade de estruturar distribuição, suporte e atendimento aos consumidores.
Segundo Mendes, a Surf também oferece serviços de atendimento aos usuários finais das operadoras virtuais que contratam essa atividade.
Modelo depende da estratégia de cada parceiro
O diretor afirmou que a telefonia móvel pode cumprir funções diferentes nos negócios dos clientes da Surf.
Para algumas empresas, representa uma fonte adicional de receita. Para provedores de banda larga fixa, também pode funcionar como instrumento de retenção de assinantes diante da concorrência.
Mendes destacou que a Surf procura avaliar o público potencial e os canais comerciais de cada interessado antes de estruturar uma operação.
A orientação, segundo ele, é evitar lançamentos sem uma estratégia definida de distribuição e relacionamento com os consumidores.
Com a utilização de infraestrutura própria, a companhia pretende manter essa lógica de atendimento a parceiros, utilizando os recursos de rede para complementar as ofertas disponíveis em sua plataforma.
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