SGDC-2 entra no PAC e terá recursos em 2027

Adriano Camargo- 15 de outubro de 2026 | 16:55
Frederico Siqueira Filho anuncia no Wireless Mundi que novo satélite terá foco em defesa, comunicações críticas e soberania de dados.

O governo federal incluiu o segundo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, o SGDC-2, no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e reservou recursos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 para iniciar os estudos do projeto.
O anúncio foi feito nesta quinta-feira, 15, pelo ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, durante participação no Wireless Mundi 2026, evento promovido pelo Tele.Síntese em São Paulo.
“O SGDC-2 está na nossa pauta, já tem orçamento no PLOA, no plano da Lei Orçamentária Anual de 2027, para início do projeto”, afirmou.
Segundo o ministro, o projeto também passou a integrar a carteira de investimentos estratégicos do governo.
“A gente conseguiu incluir que o novo satélite do governo do Brasil seja incluído dentro do Plano de Aceleração do Crescimento do país”, disse.
Defesa e comunicações estratégicas
O atual SGDC tem vida útil limitada, segundo Frederico, o que exige a preparação de uma nova solução para garantir continuidade às comunicações governamentais e de defesa.
“A gente tem que pensar em uma nova solução de satélite para dar continuidade. É muito importante por conta da nossa soberania”, afirmou.
O ministro disse que o SGDC-2 deverá ser direcionado a aplicações de defesa, monitoramento e sensoriamento de áreas estratégicas.
“É focar na defesa, também o monitoramento e sensoriamento de localidades, de minerais críticos, pontos de fronteira. E sistemas mais sensíveis.”
Frederico também relacionou o projeto à capacidade de o País manter controle sobre informações e comunicações sensíveis.
“O objetivo desse novo projeto é justamente contribuir com a defesa e a nossa soberania, para que a gente cuide dos nossos dados, do armazenamento desses dados e também das nossas transmissões para que a gente tenha a gestão de tudo isso.”
Satélites entram na expansão da infraestrutura digital
Na apresentação, o ministro inseriu o SGDC-2 em uma estratégia que combina redes móveis, fibra óptica e diferentes arquiteturas satelitais.
Segundo ele, o satélite ganha importância especialmente nas regiões onde a implantação de redes terrestres exige investimentos sem retorno econômico suficiente.
“No Brasil, pela dimensão territorial, a forma mais rápida de se conectar é com uma solução de satélite”, afirmou.
Frederico disse que o planejamento do governo envolve soluções em órbita baixa, média e geoestacionária, além dos próximos leilões de espectro, com o objetivo de ampliar a resiliência das redes e alcançar áreas remotas.
Rodovias fazem parte da mesma estratégia
Horas antes de participar do Wireless Mundi, Frederico lançou, ao lado do ministro dos Transportes, George Santoro, a Política Nacional de Conectividade em Rodovias, que pretende mais que dobrar a extensão das estradas federais com cobertura móvel.
No Wireless Mundi, o ministro disse que a construção do programa levou cerca de um ano e envolveu os dois ministérios, a Anatel, concessionárias rodoviárias e empresas de telecomunicações.
“A gente saiu de 27 mil quilômetros de rodovias conectadas, e vamos entregar 57 mil quilômetros de rodovias conectadas”, afirmou.
5G deve chegar a 2.220 municípios
Frederico também atualizou as projeções de expansão do 5G. Segundo ele, cerca de 1.600 municípios já contam com a tecnologia e a expectativa é chegar a 2.220 até o fim de 2026.
“Hoje o Brasil tem em torno de 1.600 municípios cobertos com 5G. […] A ideia é no final do ano chegar a 2.220 municípios, 80% dos municípios cobertos”, afirmou.
O próximo desafio, segundo o ministro, está nas regiões remotas e de menor densidade populacional. Nesse contexto, ele citou o Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) como instrumento para financiar modernização de redes, fibra, 5G e data centers.
De 2023 a 2026, segundo Frederico, R$ 3,5 bilhões em crédito do fundo foram disponibilizados e aprovados pelo BNDES.
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