Os desafios da educação em tempos de Inteligência Artificial

O avanço da Inteligência Artificial tem impactos em praticamente toda as atividades econômicas e afeta a forma como as pessoas produzem, se informam e organizam suas vidas. Mas poucas áreas são tão afetadas quanto a educação. A IA traz não só mudanças profundas nos processos pedagógicos como também constitui um problema concreto de formação e capacitação de profissionais para todas as áreas.
Nesta conversa do TELETIME em Destaque, programa da TELETIME no Youtube, produzido em parceria com a Vivo, Lia Glaz, presidente da Fundação Telefônica, e Israel Batista, cientista político e conselheiro do Conselho Nacional de Educação, discutem os impactos das novas diretrizes do CNE sobre o uso de IA nas escolas .
O programa explorou como a tecnologia está transformando os processos pedagógicos e os desafios que o país enfrenta para adaptar suas políticas públicas a essa nova realidade. Com a recente regulamentação da IA editada pelo CNE, o desafio atual passa a ser conferir "intencionalidade pedagógica" a essas ferramentas, sem proibir, mas sim transformando a tecnologia em método: "A gente precisa que a IA entre na escola pela via pedagógica. A gente precisa que essa ferramenta venha com o que a gente costuma chamar no conselho de intencionalidade pedagógica", diz Batista.
Para a presidente da Fundação Telefônica Vivo, a regulação deve apoiar as redes de ensino na escolha de ferramentas adequadas, evitando que professores e alunos fiquem reféns de soluções não concebidas para a educação. "A regulação precisa vir para um lugar de apoiar realmente a definição de escolhas por parte da Secretaria de Educação, ou dos sistemas privados de ensino, para que os professores possam realmente ter o uso de ferramentas que sejam apropriadas".
Para os especialistas, a responsabilidade pela implementação da IA não pode recair exclusivamente sobre o professor, que já enfrenta desafios históricos de infraestrutura e burocracia. Israel Batista defendeu a ideia de uma "responsabilidade compartilhada", onde o professor mantém a centralidade pedagógica, mas não deve ser o único responsável por questões técnicas ou de segurança de dados.
O programa também abordou a questão da soberania digital e o risco de o Brasil depender de modelos de linguagem estrangeiros que não refletem a realidade cultural do país. Israel Batista que soberania, neste contexto, significa ter capacidade de auditar e adaptar os modelos, garantindo que eles dialoguem com as particularidades brasileiras. "Soberania digital é não entregar para terceiros essa capacidade de tomar decisões, não permitir que a formulação das respostas venha a partir de sistemas estrangeiros de forma crítica para nós".
Apesar dos avanços na conectividade das escolas, ponderam os entrevistados, o objetivo central da educação permanece inalterado: o desenvolvimento integral do estudante. A tecnologia deve ser vista como um meio para aliviar tensões burocráticas e tornar o aprendizado mais eficiente, e não como um fim em si mesma. "A gente tem que ter os professores altamente preparados para esse mundo cada vez mais digital, inclusive para fazer o bom uso da tecnologia quando necessário e para não fazer em muitos momentos, para que a gente possa garantir a aprendizagem".
Confirma a íntegra do debate no canal da TELETIME no Youtube:


