← Blog
TELETIME News16/10/2026por Redação

Os desafios da educação em tempos de Inteligência Artificial

Os desafios da educação em tempos de Inteligência Artificial
Conteúdo de marca Os desafios da educação em tempos de Inteligência Artificial 16/10/26, 01:25   Atualizado em 16/10/26, 01:25

O avanço da Inteligência Artificial tem impactos em praticamente toda as atividades econômicas e afeta a forma como as pessoas produzem, se informam e organizam suas vidas. Mas poucas áreas são tão afetadas quanto a educação. A IA traz não só mudanças profundas nos processos pedagógicos como também constitui um problema concreto de formação e capacitação de profissionais para todas as áreas.

Nesta conversa do TELETIME em Destaque, programa da TELETIME no Youtube, produzido em parceria com a Vivo, Lia Glaz, presidente da Fundação Telefônica, e Israel Batista, cientista político e conselheiro do Conselho Nacional de Educação, discutem os impactos das novas diretrizes do CNE sobre o uso de IA nas escolas .

O programa explorou como a tecnologia está transformando os processos pedagógicos e os desafios que o país enfrenta para adaptar suas políticas públicas a essa nova realidade. Com a recente regulamentação da IA editada pelo CNE, o desafio atual passa a ser conferir "intencionalidade pedagógica" a essas ferramentas, sem proibir, mas sim transformando a tecnologia em método: "A gente precisa que a IA entre na escola pela via pedagógica. A gente precisa que essa ferramenta venha com o que a gente costuma chamar no conselho de intencionalidade pedagógica", diz Batista.

Para a presidente da Fundação Telefônica Vivo, a regulação deve apoiar as redes de ensino na escolha de ferramentas adequadas, evitando que professores e alunos fiquem reféns de soluções não concebidas para a educação. "A regulação precisa vir para um lugar de apoiar realmente a definição de escolhas por parte da Secretaria de Educação, ou dos sistemas privados de ensino, para que os professores possam realmente ter o uso de ferramentas que sejam apropriadas".

Para os especialistas, a responsabilidade pela implementação da IA não pode recair exclusivamente sobre o professor, que já enfrenta desafios históricos de infraestrutura e burocracia. Israel Batista defendeu a ideia de uma "responsabilidade compartilhada", onde o professor mantém a centralidade pedagógica, mas não deve ser o único responsável por questões técnicas ou de segurança de dados.

O programa também abordou a questão da soberania digital e o risco de o Brasil depender de modelos de linguagem estrangeiros que não refletem a realidade cultural do país. Israel Batista que soberania, neste contexto, significa ter capacidade de auditar e adaptar os modelos, garantindo que eles dialoguem com as particularidades brasileiras. "Soberania digital é não entregar para terceiros essa capacidade de tomar decisões, não permitir que a formulação das respostas venha a partir de sistemas estrangeiros de forma crítica para nós".

Apesar dos avanços na conectividade das escolas, ponderam os entrevistados, o objetivo central da educação permanece inalterado: o desenvolvimento integral do estudante. A tecnologia deve ser vista como um meio para aliviar tensões burocráticas e tornar o aprendizado mais eficiente, e não como um fim em si mesma. "A gente tem que ter os professores altamente preparados para esse mundo cada vez mais digital, inclusive para fazer o bom uso da tecnologia quando necessário e para não fazer em muitos momentos, para que a gente possa garantir a aprendizagem".

Confirma a íntegra do debate no canal da TELETIME no Youtube:

Receba TELETIME News no seu e-mail

TeletimeAnálises | ArtigosNewsletterConselho Nacional de Educaçãoeducaçãofundação telefônica vivoIAisrael batista

Outras matérias