Oi registrou prejuízo de R$ 36,4 bilhões em 2025

Após diversos adiamentos, a Oi divulgou na noite da última quarta-feira, 7, os resultados financeiros de 2025, ano em que ainda estava em recuperação judicial. Em grave situação financeira, a operadora registrou prejuízo de R$ 36,4 bilhões no ano passado.
O rombo representa uma variação negativa de 478%, uma vez que a tele obteve lucro contábil de R$ 9,6 bilhões em 2024, indica o relatório financeiro.
Segundo o balanço, a receita operacional líquida, incluindo as operações descontinuadas, totalizou R$ 3,4 bilhões, queda anual de 59,2%.
Desse total, a Oi Soluções, braço de serviços corporativos (B2B), contribuiu com R$ 1,6 bilhão em receitas, mas não evitou uma baixa de 9,8% nas vendas.
As receitas do segmento não core (cobre, atacado e subsidiárias) caíram 33,7% na comparação anual, para R$ 871 milhões. O desempenho refletiu a redução gradual das operações vinculadas a serviços legados e descontinuados, além da antecipação dos efeitos da falência da Serede, subsidiária de atividades de campo.
Levando em conta apenas as operações descontinuadas, a receita gerada foi de R$ 802 milhões, baixa de 84,4%. Contudo, Oi reporta que tais unidades obtiveram lucro de R$ 1,4 bilhão em 2025, em função das alienações da ClienteCo (atual Nio, sob comando da V.tal) e da TV por assinatura (adquirida pela Mileto).
A operadora ainda registrou resultado financeiro negativo de R$ 33,1 bilhões, sobretudo em função da reversão dos ajustes da novação dos passivos, incluindo efeitos de ajustes a valor presente de empréstimos e financiamentos, fornecedores e passivo associado à Anatel.
Parecer da auditoria
A PwC (PricewaterhouseCoopers), auditoria independente que revisou os números, apresentou opinião adversa ao balanço, afirmando que as demonstrações financeiras "não apresentam adequadamente a posição patrimonial e financeira" da Oi e de suas controladas até 31 de dezembro de 2025, bem como o desempenho de suas operações, o fluxo de caixa e o patrimônio líquido.
O relatório da auditoria ainda diz que o informe financeiro da Oi não está em cordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil aplicáveis a entidade em liquidação e as normas contábeis internacionais.
Comentários da Oi
Em mensagem aos acionistas, a administração da Oi afirma que, no ano passado, a empresa buscou preservar a liquidez, manter as operações e os serviços aos clientes e cumprir as medidas previstas no plano de recuperação judicial, além de vender, de forma ordenada, os ativos do grupo.
Inclusive, a operadora lembra que, no primeiro trimestre de 2025, concluiu as alienações das unidades de TV por assinatura, carteira de banda larga, imóveis e torres selecionadas.
"Apesar dos esforços empreendidos, a Oi enfrentou, ao longo de 2025, um agravamento significativo de sua situação econômico-financeira e de liquidez. As dificuldades para geração de caixa, o elevado volume de obrigações e a necessidade de assegurar a continuidade de serviços essenciais limitaram a capacidade da Companhia de implementar integralmente as medidas previstas em seu Plano de Recuperação Judicial", afirma.
A falência da Oi, vale lembrar, foi teve decretação confirmada pela Justiça do Rio de Janeiro em 25 de agosto deste ano.


