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TeleSíntese08/10/2026por Adriano Camargo

Wi-Fi 7 reacende disputa pelos 6 GHz

Wi-Fi 7 reacende disputa pelos 6 GHz
Wi-Fi 7 reacende disputa pelos 6 GHz

Painel expõe divergências sobre a divisão do espectro entre redes não licenciadas e IMT e seus efeitos sobre a próxima geração do Wi-Fi.

Painel-WiFi-7

A chegada do Wi-Fi 7 ao mercado brasileiro recolocou no centro do debate a divisão dos 6 GHz entre redes não licenciadas e sistemas móveis. Em painel realizado nesta quinta-feira, dia 8, durante a Futurecom 2026, representantes de provedores, operadoras e entidades do setor apresentaram posições diferentes sobre o arranjo definido pela Anatel.

Participaram Cristiane Sanches, da Abrint; Agostinho Linhares, do IPE Digital; Jeferson Fued Nacif, da Conexis; Martha Suarez, presidente da DSA; e Luciano Stutz, presidente da Abrintel, que mediou o debate.

A Anatel destinou 500 MHz dos 6 GHz ao uso não licenciado e 700 MHz ao IMT. Para Linhares, a decisão reduz a capacidade disponível para o Wi-Fi, mas preserva espaço para a evolução das redes móveis.

“Vai impactar o Wi-Fi? Claro, você vai ter menos espectro, vai impactar o Wi-Fi.”

Segundo ele, parte dessa perda pode ser compensada pelos ganhos de eficiência trazidos pela nova geração, como operação multilink, uso combinado das faixas de 2,4 GHz, 5 GHz e 6 GHz e maior eficiência espectral.

DSA critica limitação de canais

Martha Suarez apresentou a posição mais crítica em relação ao particionamento. Segundo ela, os 6 GHz são a única faixa capaz de oferecer canais de 160 MHz e 320 MHz, importantes para extrair o desempenho máximo da tecnologia.

“A única a única faixa que tem a capacidade de canais de largura de banda de 160 e 320 MHz, é a faixa 6 GHz.”

Com os 1.200 MHz anteriormente disponíveis para Wi-Fi, seria possível operar três canais de 320 MHz. Com a configuração atual, o número cai para um.

“Agora, com a modificação que foi feita recentemente, você somente pode ter 1 canal de largura de banda de 320.”

A DSA sustenta que a disponibilidade de canais mais largos será relevante para o crescimento do tráfego e para aplicações que demandem maior capacidade e menor latência.

Conexis apoia divisão

A Conexis defendeu o arranjo adotado pela agência. Nacif ressaltou que as associadas da entidade utilizam tanto redes móveis quanto Wi-Fi e, por isso, têm interesse na evolução dos dois ecossistemas.

“Com regras claras nesses dois ecossistemas, quem ganha é o usuário, não é?”

Na avaliação da entidade, os ganhos do Wi-Fi 7 não dependem apenas da quantidade de espectro, mas também das melhorias tecnológicas incorporadas à nova geração.

Nacif também defendeu rigor na homologação dos equipamentos, para evitar que dispositivos operem fora das condições definidas pela Anatel e causem interferências nas redes móveis.

Abrint defende uso mais equilibrado

Cristiane Sanches, da Abrint, levou ao debate a diferença entre a quantidade de espectro destinada aos sistemas licenciados e às redes não licenciadas.

“O uso eficiente do espectro ele passa pela democratização do uso desse espectro.”

Segundo ela, tecnologias de coordenação automática de frequência, como o AFC, podem ampliar as possibilidades de convivência entre diferentes aplicações e reduzir riscos de interferência.

“Eu diria que o sistema AFC é sensacional.”

Cristiane afirmou que o uso de mecanismos desse tipo já vem sendo discutido em processos regulatórios e pode ganhar espaço no tratamento de aplicações outdoor.

Wi-Fi 7 aproxima velocidade contratada da experiência real

Além da disputa regulatória, o painel tratou do impacto da tecnologia na experiência do usuário.

Linhares afirmou que o Wi-Fi 7 tende a reduzir a diferença entre a velocidade contratada na banda larga fixa e aquela efetivamente percebida dentro das residências.

Ele citou um teste realizado na Itália, em 2024, com 44 pontos de acesso e 86 estações distribuídas em 42 quartos de hotel. Segundo o executivo, mesmo em um cenário de alta carga, a taxa agregada chegou a 1 Gbps por quarto.

Para Linhares, o resultado mostra que 500 MHz podem ser suficientes para grande parte das aplicações previstas, ainda que a disponibilidade de 1.200 MHz permita picos maiores.

“Vai ter perda? Sim, vai ter perda. Mas em termos da experiência, o que que você vai deixar de fazer?”

Tags# Cobertura Especial Futurecom 2026# equipamentos# Futurecom# homologação# Wi-Fi
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