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TeleSíntese06/10/2026por Rafael Bucco

Equinix prevê crescer 28 anos em 5 no Brasil

Equinix prevê crescer 28 anos em 5 no Brasil
Equinix prevê crescer 28 anos em 5 no Brasil

Companhia elevou investimento no Brasil em 50%, para R$ 1,5 bilhão; Arnaud vê no incentivo uma oportunidade de repatriar dados.

O mercado brasileiro de data centers continuará crescendo independentemente do Redata, avalia o presidente da Equinix, Victor Arnaud. Durante a abertura do Data Center World, nesta terça-feira, 6 de outubro, o executivo afirmou que a demanda por processamento já sustenta a expansão do setor e que os incentivos tributários podem ampliar esse movimento, principalmente ao estimular a transferência para o país de operações hoje hospedadas no exterior.

Antes mesmo do Redata, segundo Arnaud, a Equinix aumentou em 50% seu investimento no Brasil, para R$ 1,5 bilhão. A companhia também passou a conduzir quatro expansões simultâneas no país. O executivo associou esse avanço à demanda por computação em nuvem e pelas chamadas neoclouds, empresas voltadas à oferta de infraestrutura computacional para inteligência artificial.

Ao comentar suas perspectivas para o setor, Arnaud afirmou: “Eu vejo muito mais crescimento do que eu tinha no retrovisor”.

O executivo contestou a ideia de que a expansão do mercado depende exclusivamente do incentivo. Em sua avaliação, diferentes fontes de demanda se acumulam, incluindo digitalização, serviços de nuvem, requisitos de soberania de dados e novas aplicações de inteligência artificial.

Capacidade global deve dobrar

A Equinix pretende dobrar sua capacidade instalada global nos próximos cinco anos, a partir de uma base de pouco mais de 3 gigawatts, informou Arnaud.

“Nos próximos 5 anos, a gente vai investir o que a gente investiu nos últimos 28”, afirmou o executivo, ao dimensionar o plano de expansão da companhia.

Ele também destacou o aumento da potência exigida pelas novas gerações de equipamentos. Segundo Arnaud, essa mudança amplia a demanda por capacidade dos data centers, mesmo sem considerar os efeitos de novos incentivos tributários.

O presidente da Equinix distinguiu as oportunidades de inferência — execução dos modelos de inteligência artificial — daquelas relacionadas ao treinamento. Para ele, aplicações que precisam estar próximas dos usuários chegarão ao Brasil em razão da dimensão do mercado consumidor. Já projetos de treinamento e outras cargas menos sensíveis à distância dependem de condições competitivas para escolher o país.

Repatriação é oportunidade do Redata

“A oportunidade imediata é repatriação”, resumiu Arnaud sobre o potencial do regime para trazer ao Brasil cargas de processamento que atendem ao mercado nacional, mas são executadas no exterior.

Segundo o executivo, parte dessas operações está fora do país por razões econômicas. A redução da diferença de custos daria às empresas um estímulo para hospedar os dados perto de seus usuários e sob a jurisdição brasileira.

Arnaud alertou, porém, que a regulamentação será determinante para o funcionamento do Redata. Na avaliação dele, exigências burocráticas podem comprometer os resultados esperados com o incentivo.

O tratamento do ICMS e a integração dos benefícios à reforma tributária também foram apontados como pendências. Para atrair projetos destinados ao mercado internacional, o executivo defendeu ainda regras sobre privacidade, propriedade intelectual e inteligência artificial compatíveis com as de outros países.

Tags# data centers# Equinix
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