D2D fica próximo da realidade no Brasil com parcerias

O Brasil está se aproximando do lançamento comercial de serviços de conexão direta entre satélites e celulares (direct-to-device, ou D2D) no País, a partir de parcerias entre operadoras móveis e de satélite.
Durante a Futurecom 2026, realizada nesta semana em São Paulo, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicou estar na expectativa do anúncio de parcerias entre os dois segmentos, após ampliar até 2029 o ambiente de testes (sandbox regulatório) para D2D no Brasil.
A prorrogação atendeu pedido da Vivo, que, segundo confirmou a TELETIME, tem testes com a Starlink para uso do D2D como método complementar de cobertura. Outra empresa de satélites que tem buscado ativamente parcerias no País é a AST SpaceMobile.
"2027 vai ser o ano do D2D do ponto de vista de comercialização", afirmou Luiz Abud, vice-presidente da AST, durante a Futurecom. A empresa está se preparando para o momento com o investimento em quatro novos gateways no País e indicação de nova liderança no Brasil.
"Estamos abertos para parcerias e esse vai ser o modelo que vamos suportar. Se você quiser fazer parceria com a SpaceX [dona da Starlink], no futuro fica muito claro qual caminho eles devem seguir", argumentou Abud, em referência à possibilidade futura de a líder global do mercado de satélites de baixa órbita lançar serviços D2D diretamente ao consumidor, sem passar pelas teles.
Modelos
O superintendente da Anatel também apontou que a discussão de modelos para o D2D ainda está em aberto na indústria, bem como futuras estratégias de precificação do serviço. Luiz Abud, da AST SpaceMobile, notou que alguns caminhos já estão sendo delineados.
Entre eles, a incorporação do D2D em planos premium de telefonia móvel, a oferta do serviço mediante cobrança avulsa ou mesmo casos em que o governo pode estabelecer algum tipo de incentivo para uso da cobertura via satélites em políticas públicas.
A gama de serviços também tem sido ampliada, alcançando texto, voz e dados. Mas Caram, da Anatel, já alerta que o serviço D2D não deve alcançar velocidades como as oferecidas por redes 5G terrestres. A conexão via satélite direto no celular também deve ter limitação em ambientes fechados (indoor).
A receptividade de celulares à tecnologia também é um ponto de atenção. A promessa é que a conexão direta com satélites seja possível na maior parte dos smartphones LTE atuais.
Uma das preocupações da Anatel é que a experiência seja transparente para o consumidor, inclusive com adoção de um logo específico que indique os satélites como status de rede, até "para o consumidor não ficar vendido em termos de tarifação", afirma Caram. A medida envolveria atualização de firmware dos aparelhos.
Geopolítica do D2D
Questão onipresente no debate global sobre satélites, a geopolítica também é determinante na estratégia de empresas. A AST SpaceMobile, por exemplo, foi selecionada como uma das fornecedoras de uma rede D2D soberana do Japão, ao lado da operadora Rakuten.
"Muitos países têm olhado o D2D de forma muito séria, e esse é o caminho que deve ser seguido", afirmou Luiz Abud, ao defender arquitetura que mantenha 100% do tráfego no País, como uma rede terrestre. A AST, vale lembrar, protocolou em junho o primeiro pedido de "filing" de uma constelação D2D formalmente vinculada ao Brasil.
Já Vinicius Caram defendeu que soberania no D2D será garantir ao Estado a elaboração de regras de uso de espectro, de operação e de transparência para o consumidor, independentemente do país de origem da empresa de satélites.
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