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TELETIME News07/10/2026por Henrique Julião

D2D fica próximo da realidade no Brasil com parcerias

D2D fica próximo da realidade no Brasil com parcerias
Satélites D2D fica próximo da realidade no Brasil com parcerias 07/10/26, 15:37   Atualizado em 07/10/26, 15:37
Imagem: Reprodução/Amazon

O Brasil está se aproximando do lançamento comercial de serviços de conexão direta entre satélites e celulares (direct-to-device, ou D2D) no País, a partir de parcerias entre operadoras móveis e de satélite.

Durante a Futurecom 2026, realizada nesta semana em São Paulo, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicou estar na expectativa do anúncio de parcerias entre os dois segmentos, após ampliar até 2029 o ambiente de testes (sandbox regulatório) para D2D no Brasil.

A prorrogação atendeu pedido da Vivo, que, segundo confirmou a TELETIME, tem testes com a Starlink para uso do D2D como método complementar de cobertura. Outra empresa de satélites que tem buscado ativamente parcerias no País é a AST SpaceMobile.

"2027 vai ser o ano do D2D do ponto de vista de comercialização", afirmou Luiz Abud, vice-presidente da AST, durante a Futurecom. A empresa está se preparando para o momento com o investimento em quatro novos gateways no País e indicação de nova liderança no Brasil.

"Estamos abertos para parcerias e esse vai ser o modelo que vamos suportar. Se você quiser fazer parceria com a SpaceX [dona da Starlink], no futuro fica muito claro qual caminho eles devem seguir", argumentou Abud, em referência à possibilidade futura de a líder global do mercado de satélites de baixa órbita lançar serviços D2D diretamente ao consumidor, sem passar pelas teles.

Modelos

O superintendente da Anatel também apontou que a discussão de modelos para o D2D ainda está em aberto na indústria, bem como futuras estratégias de precificação do serviço. Luiz Abud, da AST SpaceMobile, notou que alguns caminhos já estão sendo delineados.

Entre eles, a incorporação do D2D em planos premium de telefonia móvel, a oferta do serviço mediante cobrança avulsa ou mesmo casos em que o governo pode estabelecer algum tipo de incentivo para uso da cobertura via satélites em políticas públicas.

A gama de serviços também tem sido ampliada, alcançando texto, voz e dados. Mas Caram, da Anatel, já alerta que o serviço D2D não deve alcançar velocidades como as oferecidas por redes 5G terrestres. A conexão via satélite direto no celular também deve ter limitação em ambientes fechados (indoor).

A receptividade de celulares à tecnologia também é um ponto de atenção. A promessa é que a conexão direta com satélites seja possível na maior parte dos smartphones LTE atuais.

Uma das preocupações da Anatel é que a experiência seja transparente para o consumidor, inclusive com adoção de um logo específico que indique os satélites como status de rede, até "para o consumidor não ficar vendido em termos de tarifação", afirma Caram. A medida envolveria atualização de firmware dos aparelhos.

Geopolítica do D2D

Questão onipresente no debate global sobre satélites, a geopolítica também é determinante na estratégia de empresas. A AST SpaceMobile, por exemplo, foi selecionada como uma das fornecedoras de uma rede D2D soberana do Japão, ao lado da operadora Rakuten.

"Muitos países têm olhado o D2D de forma muito séria, e esse é o caminho que deve ser seguido", afirmou Luiz Abud, ao defender arquitetura que mantenha 100% do tráfego no País, como uma rede terrestre. A AST, vale lembrar, protocolou em junho o primeiro pedido de "filing" de uma constelação D2D formalmente vinculada ao Brasil.

Já Vinicius Caram defendeu que soberania no D2D será garantir ao Estado a elaboração de regras de uso de espectro, de operação e de transparência para o consumidor, independentemente do país de origem da empresa de satélites.

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