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TeleSíntese16/10/2026por Paula Coutinho

Anatel não vê entraves regulatórios às MVNOs, mas mantém revisão do PGMC em aberto

Anatel não vê entraves regulatórios às MVNOs, mas mantém revisão do PGMC em aberto
Anatel não vê entraves regulatórios às MVNOs, mas mantém revisão do PGMC em aberto

Agência considera adequados os modelos de credenciada e autorizada, enquanto analisa recurso que pede medidas concorrenciais para o mercado de operadoras virtuais.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) considera que a regulamentação brasileira das operadoras móveis virtuais (MVNOs) continua adequada às transformações tecnológicas e aos novos modelos de negócios do setor. A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira, 15, durante o Wireless Mundi 2026, em São Paulo, pelo assessor da Superintendência da agência Leonardo Custodio de Araújo, que também confirmou a existência de um pedido de reconsideração sobre a criação de um mercado relevante de MVNOs no Plano Geral de Metas de Competição (PGMC).

Foto: Adriano Camargo

O encontro reuniu representantes da Anatel, iuh!, Mambo WiFi, TechEnabler e WDC Networks para discutir infraestrutura, plataformas, segurança e novos modelos de negócios das operadoras virtuais.

Segundo Araújo, a distinção regulatória entre MVNOs credenciadas e autorizadas oferece flexibilidade suficiente para empresas com diferentes estratégias comerciais, níveis de investimento e necessidades de infraestrutura.

“A modelagem atual não atrapalha ou impede, ou está faltando uma nova categoria de MVNO na regulamentação brasileira”, afirmou o representante da Anatel.

Ele explicou que o modelo de autorizada permite maior autonomia operacional, mas exige investimentos em infraestrutura, incluindo a implantação de um núcleo de rede próprio e a obtenção de autorização para prestação do serviço. Já o modelo de credenciada oferece uma alternativa simplificada, com menores investimentos e responsabilidades regulatórias.

Na avaliação do assessor, a escolha depende principalmente do grau de customização e especialização que cada empresa pretende oferecer.

“A priori, eu não enxergo que a regulamentação atual traz algum tipo de trava”, declarou.

Discussão concorrencial permanece aberta

Apesar dessa avaliação, a agência ainda examina questionamentos sobre as condições de competição entre as MVNOs e as operadoras móveis tradicionais.

Araújo confirmou que existe um pedido de reconsideração relacionado à criação de um mercado relevante específico para MVNOs no PGMC. O processo está sob relatoria do conselheiro Alexandre Freire.

“A área técnica tem estudado o assunto para subsidiar o conselheiro relator, para avaliar esse pedido de reconsideração”, afirmou.

A discussão envolve a possibilidade de estabelecer medidas regulatórias específicas para o relacionamento entre operadoras virtuais e prestadoras detentoras de infraestrutura de rede.

Atualmente, segundo o representante da agência, prevalece o princípio da liberdade contratual. As MVNOs negociam diretamente com as operadoras tradicionais as condições de utilização das redes móveis.

Isso não impede, entretanto, a atuação da Anatel diante de eventuais conflitos.

“Caso aconteçam situações de abuso de dominância de poder de mercado, ou qualquer coisa dessa natureza, a agência tem a figura da reclamação administrativa para avaliar pontualmente o caso concreto”, explicou.

O assessor não antecipou o resultado da análise do pedido de reconsideração nem indicou se a agência pretende estabelecer novas obrigações concorrenciais para o segmento.

Transparência e qualidade

Outro ponto discutido foi a disponibilidade de informações públicas sobre o desempenho das operadoras virtuais.

Araújo defendeu a ampliação da transparência dos dados setoriais e mencionou decisão do Conselho Diretor favorável à divulgação de informações das MVNOs credenciadas, após questionamento apresentado por uma grande operadora.

“A Anatel enxerga que a transparência informacional é muito benéfica para o mercado, porque permite que o mercado tome melhores decisões, diminui a assimetria de informação”, afirmou.

O representante da agência também destacou que as pequenas prestadoras podem aderir voluntariamente ao sistema de monitoramento de qualidade dos serviços, permitindo a publicação de seus indicadores pela Anatel.

A adesão ocorre por ciclos de um ano e exige que a empresa encaminhe dados de desempenho e atendimento para aferição.

Segundo Araújo, a iniciativa pode representar uma vantagem competitiva para MVNOs que oferecem atendimento diferenciado, mesmo utilizando a infraestrutura de grandes operadoras.

“Você vai ter um dado objetivo para mostrar para o teu consumidor em relação à grande operadora”, disse.

Questionado se alguma MVNO já havia aderido a esse acompanhamento, respondeu que ainda não havia participantes desse segmento.

 

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