5G encontra espaço no setor público e pode avançar no B2B, diz McKinsey

O 5G encontrou um caminho para monetização no setor público, apontou o head Latam de Tecnologia, Mídia e Telecomunicações (TMT) da consultoria McKinsey, Gabriel Codo, em painel no evento Futurecom 2026, nesta quarta-feira, 7, em São Paulo.
A tecnologia tem gerado novas receitas a partir de redes governamentais para missões críticas, incluindo casos nos Estados Unidos. A Europa também tem avançado no uso desse tipo de tecnologia, informou Codo, sobretudo para fortalecer a soberania no ambiente digital.
Segundo o executivo da McKinsey, ainda no âmbito do setor público, a quinta geração móvel tem atraído o interesse dos segmentos de defesa, especialmente exércitos, e segurança pública de forma mais ampla. O movimento ocorre acompanhado de um reposicionamento de fornecedores para atender a esse mercado.
"Na área governamental, as operadoras têm encontrado um novo caminho para monetização", afirmou.
B2B
De todo modo, Codo citou que o ramo de serviços corporativos (B2B) ainda pode ser mais explorado no Brasil, citando setores como agronegócio, mobilidade e indústria.
O Open Gateway, que permite a oferta de sérvios diferenciados por meio de APIs de rede, também pode avançar em casos de uso e criação de valor para clientes empresariais.
Robson Santos, gerente de Desenvolvimento de Negócios IT/OT & Canais de Vendas da Siemens, destacou que o 5G precisa ser entendido como "uma peça" de produtividade em parques industriais.
Em sua opinião, a quinta geração pode ser adotada pelos segmentos de mineração, manufatura, logística e e-commerce, com a finalidade de conectar as máquinas usadas em suas operações.
"Sem um caso de uso, a gente não cresce, não escala, não monetiza. O cliente da indústria precisa ser convencido ou ver um retorno sobre o investimento muito forte para adotar o 5G", disse Santos.
B2C
Na avaliação de Rudinei Gerhart, estrategista em Mobilidade e Streaming da TIP Brasil, a curto prazo, o caminho mais rápido para monetizar o 5G é pelo B2B; mas o B2C não deve ser negligenciado.
O grande problema, segundo ele, é que o 5G não veio acompanhado de inovações tecnológicas que o tornassem mais atrativo para o consumidor.
"A gente precisa investir urgentemente em políticas públicas para inovação. Eu falo da tripla hélice setor privado, setor público e academia. Isso no Brasil é ainda muito pobre, a gente não vê uma cadeia de aplicações para uso da tecnologia", afirmou Gerhart.
"Daqui a pouco, podemos cometer o mesmo erro no 6G: ter a tecnologia e não ter a aplicação", acrescentou.

