Vivo diz que 5G não repetiu salto comercial observado com o 4G

A Vivo avalia que a chegada do 5G não proporcionou aos consumidores a mesma diferenciação de serviços observada na transição do 3G para o 4G. Segundo a empresa, isso tem dificultado a geração de novas receitas. A avaliação foi apresentada nesta quarta-feira, 21, pelo gerente sênior de estratégia regulatória, espectro e competição da Telefônica Brasil, Rafael Andrade de Oliveira, durante audiência pública da Anatel em São Paulo sobre o futuro leilão da faixa de 6 GHz.
Segundo Oliveira, embora o 5G tenha introduzido avanços tecnológicos, como a redução da latência e a arquitetura de rede independente (standalone), esses benefícios não se traduziram necessariamente em novos produtos para o consumidor final. "Então nós observamos uma dificuldade um pouco maior agora em capturar essas novas receitas", afirmou o representante da operadora, ao comparar a evolução comercial das diferentes gerações de telefonia móvel.
A declaração foi feita no contexto da resistência da Vivo à realização do leilão de 6 GHz até 2028, conforme prevê o planejamento da Anatel. A operadora, assim como suas concorrentes, defende que a licitação ocorra somente após 2030, quando deverão estar concluídos os compromissos de investimento assumidos no leilão do 5G, realizado em 2021. Para a empresa, antecipar o certame poderia gerar uma sobreposição de obrigações e pressionar os recursos destinados à expansão das redes.
Outro argumento apresentado pela Vivo é que o ecossistema de equipamentos e dispositivos compatíveis com o 6G ainda não estará suficientemente desenvolvido em 2028. Segundo Oliveira, a padronização da nova tecnologia deverá ser concluída apenas em 2029. Até lá, a operadora considera possível atender ao crescimento da demanda por dados com o 5G Advanced e o reaproveitamento de frequências atualmente utilizadas por tecnologias anteriores. "Aliás, esse é um movimento que já está no roadmap da Telefônica", afirmou.
Na avaliação da empresa, incorporar a faixa de 6 GHz às redes antes da consolidação do 6G poderia exigir investimentos adicionais sem retorno econômico proporcional. "Forçar um 5G Advanced exclusivamente na faixa de 6 GHz representaria uma fadiga de capex desnecessária e irracional", declarou Oliveira. Caso o leilão ocorra antes de 2030, a Vivo sugere adiar o pagamento das outorgas e reprogramar para 2031 as metas anuais dos compromissos previstos no edital.
Anatel
Em resposta, o superintendente de planejamento e regulamentação da Anatel, Nilo Pasquali, observou que a sobreposição de obrigações de diferentes leilões já ocorreu durante a transição do 3G para o 4G. Ele reconheceu, contudo, que o impacto comercial das novas gerações precisa ser considerado no planejamento regulatório. "Pode não ser desejável a situação e é isso que a gente tem que ponderar nas discussões", afirmou.
A Anatel também decidiu prorrogar, até 7 de dezembro, o prazo para o envio de contribuições à Consulta Pública nº 37/2026, que discute a proposta de edital do leilão da faixa de 6 GHz. Inicialmente, o período de participação terminaria na próxima sexta-feira, 23 de outubro. A ampliação foi anunciada nesta quarta-feira, 21, durante audiência pública realizada em São Paulo.
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