TIM considera prematuro leilão dos 6 GHz em 2028 e critica aportes em data centers

A TIM defendeu que o leilão da faixa de 6 GHz ocorra em "momento adequado e em linha com a evolução do 5G", discordando do planejamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de realizar a licitação em 2028.
O posicionamento foi manifestado pelo diretor de Assuntos Regulatórios da tele, Carlos Eduardo Franco, em audiência pública sobre a frequência de 6 GHz, realizada pela Anatel, em São Paulo, nesta quarta-feira, 21.
Embora não tenha citado um ano específico para o leilão, o executivo ressaltou que o certame deve levar em conta a disponibilidade de equipamentos e os investimentos relacionados a outros editais de espectro em execução pelas operadoras.
"O ecossistema de 6 GHz ainda está em fase inicial de implementação em escala", pontuou. "Até 2028, deve ser avaliada a evolução efetiva do ecossistema e dos ciclos tecnológicos em andamento. O calendário precisa ser compatível com a evolução tecnológica", acrescentou.
Para a TIM, o edital também deve trazer previsibilidade econômica para as participantes do eventual leilão, levando em conta preço mínimo, garantias exigidas, compromissos e retorno esperado.
"É recomendável que os parâmetros econômicos sejam conhecidos com antecedência. Maior transparência favorece o planejamento", ressaltou Franco.
Data centers
O executivo da TIM também sugeriu que o compromisso de investimento em data centers, proposto pela Anatel, seja substituído por obrigações de expansão de cobertura móvel e de redes de transporte em áreas desassistidas. Na semana passada, Claro e Vivo se posicionarem de forma parecida em audiência pública realizada em Brasília.
Nesse ponto, Franco ainda disse que a obrigação de aporte em data centers nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste pode sobrepor investimentos privados e políticas públicas. Desse modo, indicou que o melhor caminho seria a priorização de obrigações mensuráveis de redes de telecomunicações.
Ele também contestou a eventual criação de uma entidade para administrar os recursos que iriam para os data centers.
"O objetivo de reduzir desigualdades regionais é relevante, mas o desenho merece uma avaliação cuidadosa quanto à complexidade e alocação dos recursos do certame", asseverou.
Blocos de espectro
Na audiência, levando em conta os 700 MHz da parte superior da frequência de 6 GHz, a TIM ainda propôs que o edital preveja três blocos nacionais de 200 MHz e um regional de 100 MHz.
"Este desenho preserva os incumbentes e uma alternativa regional, reduz a fragmentação e promove o uso eficiente da faixa", apontou Franco.
A consulta da Anatel, contudo sugere apenas dois lotes nacional de 200 MHz, um regional de 200 MHz (dividido em seis regiões) e outro regional de 100 MHz.


