Telefónica vende operação mexicana por US$ 450 milhões

Da Redação- 13 de outubro de 2026 | 10:08
Negócio com consórcio liderado pela OXIO envolve mais de 20 milhões de clientes e integra estratégia de saída da América Hispânica.

A Telefónica avançou no processo de saída do México com a análise regulatória da venda da Movistar ao consórcio liderado pela OXIO e pela Newfoundland Capital Management. A operação, anunciada em abril por US$ 450 milhões, foi incluída na pauta da Comissão Nacional Antimonopolio mexicana em setembro e envolve uma operadora com mais de 20 milhões de assinantes móveis.
O acordo prevê a transferência de 100% das participações detidas pela Telefónica Hispanoamérica nas empresas Pegaso PCS e Celular de Telefonía, que compõem a Telefónica México. A compradora formal é a Melisa Acquisition, sociedade vinculada ao consórcio.
O valor de US$ 450 milhões corresponde ao valor de empresa estabelecido na negociação e está sujeito aos ajustes previstos no contrato. A Telefónica informou que a transação depende do cumprimento de determinadas condições entre comprador e vendedor, além das autorizações regulatórias pertinentes.
A operação foi analisada no expediente CNT-106-2026, incluído na agenda da 38ª sessão ordinária da Comissão Nacional Antimonopolio, realizada em 24 de setembro.
OXIO manterá marca Movistar
A compradora pretende preservar a marca Movistar e a atual equipe de gestão da operação mexicana. A mudança prevista está na infraestrutura tecnológica e no modelo de prestação dos serviços, com a adoção gradual da plataforma Telecom-as-a-Service (TaaS) da OXIO.
A tecnologia utiliza uma arquitetura de telecomunicações baseada em nuvem, que integra funções de núcleo de rede, conectividade e ferramentas de gestão de dados. Segundo a empresa, a migração permitirá modernizar os sistemas operacionais e desenvolver novos serviços digitais.
A Movistar México atende mais de 20 milhões de clientes móveis. A OXIO afirma que a transição tecnológica será conduzida com a manutenção dos serviços aos assinantes.
Fundada em 2018 e sediada em Nova York, a OXIO possui licenças de telecomunicações nos Estados Unidos e no México. A companhia opera no mercado mexicano como fornecedora de serviços de atacado e oferece infraestrutura para marcas que desejam comercializar conectividade móvel.
Entre as empresas atendidas por sua plataforma no país estão Grupo Coppel, Rappi e Mercado Pago.
Telefónica mantém redução de investimentos
A alienação da unidade mexicana faz parte da intenção declarada pela Telefónica de deixar os mercados da América Hispânica. O grupo espanhol registrou essa orientação no comunicado enviado à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), em 7 de abril, quando anunciou o acordo com o consórcio comprador.
No México, a companhia já havia adotado um modelo operacional baseado no compartilhamento e na contratação de infraestrutura de terceiros, reduzindo a necessidade de manter uma rede própria de acesso rádio.
As demonstrações financeiras de 2025 da Telefónica informam que o acordo de acesso à rede móvel da AT&T no país foi estendido até 2030, abrangendo as tecnologias 3G, 4G e 5G. A operadora mexicana mantém componentes próprios de núcleo e transporte de rede.
Esse arranjo integra a estrutura operacional que será assumida pelo comprador, conforme as condições estabelecidas para a transferência do negócio.
Para o consórcio liderado pela OXIO, a aquisição representa a entrada no controle de uma operadora móvel com atuação nacional. A Telefónica, por sua vez, prossegue com a reorganização de seus ativos internacionais, tendo o Brasil, onde controla a Vivo, entre seus mercados estratégicos. (Com assessoria de imprensa)
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