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TeleSíntese13/10/2026por Colaborador

O fim da telefonia celular

O fim da telefonia celular
O fim da telefonia celular

Estamos próximos de deixar de falar em telefonia celular para começar a falar simplesmente em telefonia móvel.

Rudinei Gerhart | Tá Telecom

Por Rudinei Gerhart* – Estamos próximos de deixar de falar em telefonia celular para começar a falar simplesmente em telefonia móvel, independentemente de onde venha o sinal?

Afinal, o termo “celular” tem origem na arquitetura das redes terrestres, organizadas em áreas de cobertura chamadas células, atendidas por estações rádio-base.

Agora, estamos prestes a presenciar uma nova realidade: a possibilidade de oferecer serviços móveis diretamente por satélite, com cobertura de grandes extensões territoriais e sem depender de uma torre próxima ao usuário.

Algumas notícias recentes, quando observadas em conjunto, provocam uma reflexão sobre o que pode estar acontecendo no mercado de telecomunicações.

Primeiro, a movimentação bilionária da SpaceX para adquirir direitos de uso de espectro nos Estados Unidos. Entre os movimentos recentes está o acordo envolvendo até 14 MHz de espectro pareado na faixa de 800 MHz, por meio da Grain Management, para expandir a Starlink Mobile.

A movimentação chamou a atenção do mercado financeiro e derrubou o preço das ações das grandes operadoras tradicionais, como T-Mobile, Verizon e AT&T.

Depois, aqui no Brasil, a decisão da Anatel de autorizar 15+15 MHz na banda S para a Starlink, abrindo espaço para uma nova geração de serviços D2D (Direct-to-Device), com perspectiva de voz, mensagens e banda larga diretamente por satélite.

Praticamente ao mesmo tempo, a agência avança nas discussões sobre um novo leilão de frequências, incluindo a faixa de 850 MHz, historicamente estratégica para a cobertura das redes móveis terrestres.

Será que a SpaceX poderá entrar nessa disputa?

Enquanto isso, grandes grupos tradicionais de telecomunicações reavaliam sua presença geográfica, seus ativos e suas prioridades de investimento na América Latina.

Coincidências? Talvez. Mas vale conectar alguns pontos.

Durante décadas, o modelo de telefonia móvel foi construído sobre redes terrestres, com investimentos bilionários em espectro, torres, infraestrutura, cobertura e capacidade.

O satélite participava desse mercado principalmente como solução de transporte, atendimento a localidades remotas e complemento das redes terrestres.

Agora, com o avanço do D2D, uma empresa que antes fornecia capacidade satelital para complementar essas redes começa a reunir condições tecnológicas e regulatórias para estabelecer comunicação diretamente com os dispositivos dos usuários.

E aqui surge uma questão estratégica:

O que acontece quando um fornecedor de infraestrutura passa a ter condições de competir diretamente com seus próprios clientes?

Como o Brasil está se preparando para os desafios de governança e uso de dados diante da possibilidade de uma Big Tech operar diretamente em um mercado de serviços essenciais, estratégico para a soberania nacional?

A Starlink já possui uma constelação global, capacidade própria de lançamento, infraestrutura de comunicação e presença comercial em diversos mercados.

Com o avanço do D2D e a obtenção de direitos de uso de frequências, começa a reunir elementos importantes para ampliar sua atuação na cadeia de serviços móveis.

Isso não significa que as redes celulares terrestres estejam próximas de desaparecer.

As limitações de capacidade, desempenho, disponibilidade de espectro e cobertura em ambientes internos ainda representam desafios relevantes para a comunicação direta por satélite.

Mas talvez a transformação mais importante esteja no modelo de negócio.

Hoje, as operadoras móveis controlam boa parte da relação comercial com o usuário, enquanto empresas satelitais participam principalmente como fornecedoras ou parceiras de infraestrutura.

No futuro, essa relação poderá assumir diferentes formatos: parceria, compartilhamento de receitas ou competição direta pelo cliente final.

E existe uma diferença importante entre oferecer conectividade por satélite como complemento de cobertura e disputar efetivamente o mercado de telefonia móvel.

Nesse cenário, o espectro passa a ter um significado ainda mais estratégico. E os movimentos de consolidação, saída de mercados e reorganização de grandes operadoras merecem ser observados sob uma nova perspectiva.

Será que estamos assistindo apenas à chegada de uma nova tecnologia ou ao início de uma redistribuição de forças no mercado de telefonia móvel?

Talvez ainda seja cedo para responder.

Mas, quando tecnologia, espectro, regulação e movimentos empresariais começam a apontar para mudanças na mesma direção, vale prestar atenção.

Principalmente porque a próxima geração de operadoras móveis poderá simplesmente orbitar o planeta e se relacionar diretamente com seus clientes, estejam eles onde estiverem.

* Rudinei Gerhart é executivo, empreendedor, professor e palestrante, com trajetória dedicada aos setores de telecomunicações, tecnologia, inovação e desenvolvimento de novos negócios.

Tags# AT&T# starlink# T-Mobile# telefonia móvel# verizon
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