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TeleSíntese21/10/2026por Rafael Bucco

Telefônica aposta em refarming e 5G Advanced para ampliar capacidade até 2030

Telefônica aposta em refarming e 5G Advanced para ampliar capacidade até 2030
Telefônica aposta em refarming e 5G Advanced para ampliar capacidade até 2030

Operadora afirma que reutilização de frequências e evolução do 5G podem atender à demanda para defender realização do leilão de 6 GHz após 2030

freepik

A Telefônica Vivo avalia que a reutilização de frequências destinadas a tecnologias legadas, processo conhecido como refarming, e a evolução das redes para o 5G Advanced podem atender ao crescimento da demanda por capacidade móvel até 2030. Com esse argumento, a operadora defendeu que o leilão da faixa de 6 GHz seja realizado após esse prazo, em contribuição à audiência pública da Anatel hoje, 21, em São Paulo.

Na manifestação, Rafael Andrade de Oliveira, representante da Vivo, sustentou que a implantação do 5G Advanced não exige, necessariamente, a incorporação de uma nova faixa ao portfólio das operadoras. Segundo ele, é possível utilizar o espectro já disponível, remanejando frequências ocupadas por tecnologias em ocaso.

A empresa mantém o apoio à destinação da parte superior da faixa de 6 GHz aos serviços móveis. Sua avaliação, porém, é que o calendário de licitação precisa considerar a necessidade de capacidade adicional, a disponibilidade de equipamentos e os compromissos de investimento em execução.

Reutilização de espectro

Para a Telefônica, os ganhos de eficiência das novas tecnologias e o refarming permitem ampliar a capacidade das redes antes da aquisição de espectro adicional em bandas médias. A companhia sustenta que essa alternativa também atende à evolução da demanda nos grandes centros urbanos.

Na argumentação apresentada à agência, Oliveira diferenciou a perspectiva de utilização dos 6 GHz pelo 5G Advanced da futura implantação do 6G. Segundo a operadora, as projeções de maturidade do ecossistema para 2027 e 2028 estariam apoiadas na evolução do 5G, e não na disponibilidade efetiva da próxima geração móvel.

A Telefônica questionou, assim, a necessidade de incorporar uma nova camada de espectro para avançar com o 5G Advanced enquanto ainda há frequências destinadas a tecnologias anteriores que podem ser reaproveitadas.

Investimentos e maturidade tecnológica

Outro fundamento para a defesa de um leilão após 2030 é a execução das obrigações assumidas no certame do 5G. De acordo com a empresa, esses compromissos seguem até o fim da década e continuam exigindo recursos operacionais e financeiros, que concorreriam com novas obrigações.

A operadora também contestou a avaliação de que a existência de redes comerciais e testes internacionais na faixa de 6 GHz já demonstraria a prontidão do ecossistema para o calendário discutido.

Ao abordar o desenvolvimento do 6G, Oliveira relacionou a disponibilidade de equipamentos à conclusão da padronização. O 3GPP, organismo que trabalha no padrão, prevê concluir os trabalhos para a futura geração celular apenas em 2030. “É impossível ter um ecossistema 6G plenamente maduro, utilizando a faixa de 6 GHz no mesmo ano em que o padrão é fechado”, afirmou.

Caso a Anatel realize a licitação antes de 2030, a Telefônica pediu a reprogramação das metas anuais dos compromissos para 2031.

Além do calendário, a empresa apresentou uma proposta para a organização da oferta: três lotes nacionais de 200 MHz e seis lotes regionais de 100 MHz.

Na avaliação da Telefônica, esse desenho favoreceria a competição e o uso eficiente do espectro, permitindo a oferta nacional da próxima geração de serviços móveis e preservando o acesso regional às frequências.

A operadora também reafirmou sua posição contrária à utilização simultânea do mesmo canal por Wi-Fi e redes móveis em uma mesma região. Ao citar estudos mencionados na análise do conselheiro Alexandre Freire, diferenciou essa situação da operação em canais adjacentes, que considera possível com a adoção de filtros físicos.

Tags# telefónica# Vivo
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