Telecomunicações sem fio lidera ataques DDoS no Brasil, com 141,4 mil casos

As empresas de telecomunicações sem fio, excluindo o segmento de satélites, foram as principais vítimas de ataques distribuídos de negação de serviço (DDoS) no Brasil no primeiro semestre de 2026. Segundo levantamento da empresa de segurança digital Netscout, o setor registrou 141,4 mil ataques entre janeiro e junho, o equivalente a 29% das ocorrências contabilizadas no País.
Na segunda posição aparecem os provedores de infraestrutura de computação e serviços de hospedagem na web, com 50.499 ataques, seguidos pelas operadoras de telecomunicações com fio, com 27.967 registros. Outras empresas de telecomunicações somaram 5.656 ocorrências. O objetivo de ataques desse tipo é sobrecarregar redes, servidores ou sistemas com tráfego excessivo. Como consequência, isso pode provocar a indisponibilidade de serviços importantes.
Ao todo, o Brasil registrou 487.415 ataques DDoS no primeiro semestre de 2026. Isso representa um aumento de 3,56% em relação aos 470.677 incidentes identificados nos seis meses anteriores. De acordo com a Netscout, a duração média dos ataques no País foi de 59,31 minutos.
| Segmento | Ataques DDoS |
| Telecomunicações sem fio (exceto satélite) | 141.400 |
| Infraestrutura de computação e hospedagem na web | 50.499 |
| Telecomunicações com fio | 27.967 |
Ataques DDoS
Já no cenário global, a Netscout identificou mais de 9,1 milhões de ataques DDoS no primeiro semestre de 2026, em 209 países e territórios. Os ataques de alta capacidade, que ultrapassaram 1 Tbps (terabit por segundo) ou 1 Gpps (bilhão de pacotes por segundo), cresceram 1.286% em relação ao mesmo período de 2025, passando de 79 para 1.095 ocorrências.
Segundo o relatório, ataques dessa magnitude já provocaram impactos operacionais em redes de banda larga fixa e de telefonia móvel ao redor do mundo, inclusive quando o tráfego malicioso se origina na própria rede ou passa por ela. "Tanto os provedores como as organizações necessitam de mitigação seletiva e mais precisa, bem como de maior capacidade de filtragem (scrubbing) nas extremidades da rede", afirmou Hardik Modi, vice-presidente de Engenharia e Soluções DDoS da NETSCOUT.
O estudo global também identificou o uso de redes de proxies residenciais para a realização de ataques DDoS. Nessa modalidade, o tráfego malicioso é encaminhado por dispositivos conectados à Internet residencial ou móvel, dificultando sua identificação. De acordo com a NETSCOUT, em alguns casos, aplicativos transformam os equipamentos dos consumidores em proxies sem o consentimento informado dos usuários.


