← Blog
TeleSíntese15/10/2026por Paula Coutinho

Telebras estuda D2D e prevê papel de integradora de soluções satelitais

Telebras estuda D2D e prevê papel de integradora de soluções satelitais
Telebras estuda D2D e prevê papel de integradora de soluções satelitais

Estatal avalia conexão direta entre satélites e dispositivos para demandas públicas, mas não anuncia operação própria nem cronograma de implantação

A Telebras está estudando as possibilidades de utilização da tecnologia Direct-to-Device (D2D), que permite a comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis, e considera atuar principalmente como integradora de soluções para atender demandas do governo federal.

A informação foi apresentada nesta quinta-feira, 15, pelo diretor comercial da estatal, Levi Figueiredo, durante o painel “Dados do espaço: o novo mercado satelital”, realizado no 22º Wireless Mundi, promovido pelo Tele.Síntese em São Paulo.

Segundo o executivo, a evolução das tecnologias satelitais ampliou as alternativas disponíveis para conectar localidades remotas e atender serviços públicos que dependem de infraestrutura de telecomunicações.

Figueiredo afirmou que a Telebras já acompanha e estuda o D2D, mas indicou que a participação da estatal deverá estar associada à integração de tecnologias e à articulação com outros agentes do setor.

“A gente entraria muito mais como integrador, acho que é papel das operadoras, é papel das empresas”, declarou.

O diretor não anunciou contratação de capacidade satelital específica para D2D, investimentos adicionais ou data para início de operação.

Evolução tecnológica amplia alternativas para o governo

Figueiredo comparou as soluções atualmente disponíveis com o cenário encontrado quando ingressou na Telebras, há pouco mais de três anos.

Naquele período, segundo o executivo, as discussões sobre atendimento a localidades remotas, escolas e unidades básicas de saúde envolviam um conjunto diferente de alternativas tecnológicas.

A evolução do mercado satelital ampliou as possibilidades de combinação de redes e serviços para responder às demandas do poder público.

O representante da estatal destacou que a conectividade, isoladamente, não é suficiente para atender todas as necessidades dos usuários e das instituições.

Ele mencionou a importância de oferecer soluções completas, que considerem também o conteúdo e os serviços disponibilizados sobre a infraestrutura de telecomunicações.

Ainda segundo Figueiredo, a Telebras pretende acompanhar as novas tecnologias e avaliar como poderão ser utilizadas nas iniciativas em que atua.

Estatal destaca integração de diferentes tecnologias

A posição apresentada por Figueiredo diferencia a atuação pretendida pela Telebras daquela de operadores que buscam comercializar diretamente serviços D2D.

O executivo afirmou que a estatal poderá funcionar como facilitadora da adoção de soluções digitais demandadas pelo governo, trabalhando em conjunto com empresas responsáveis pela prestação dos serviços.

A declaração não define uma arquitetura técnica específica nem estabelece quais empresas poderiam participar de futuros projetos.

Também não houve anúncio de que a Telebras pretenda controlar frequências próprias para oferecer comunicação direta entre satélites e celulares.

A atuação descrita pelo diretor está relacionada à integração de soluções e à utilização de diferentes tecnologias para atender necessidades públicas.

D2D ainda depende de modelos comerciais e regulatórios

A manifestação da Telebras ocorreu em um debate sobre o estágio de desenvolvimento da conexão direta entre satélites e celulares.

Leandro Gaunszer, coordenador do Comitê de Espectro Terrestre e Não Terrestre do IBTD, avaliou que os serviços D2D deverão evoluir gradualmente.

Segundo ele, as aplicações iniciais estão concentradas em mensagens e comunicações de emergência, enquanto os serviços de voz e dados ainda dependem de avanços tecnológicos e comerciais.

Gaunszer também explicou que as empresas podem utilizar frequências destinadas aos serviços móveis por satélite ou estabelecer acordos para operar em faixas utilizadas pelas redes celulares.

A escolha do modelo influencia as relações entre operadoras, fornecedores de infraestrutura e clientes finais.

O representante do IBTD defendeu que os instrumentos de política pública sejam considerados no atendimento a localidades em que os investimentos privados não se mostram economicamente atraentes.

Entre as possibilidades mencionadas estão o Fust e obrigações associadas a futuros leilões de espectro.

Essas alternativas foram apresentadas como possibilidades de política pública, não como decisões já tomadas pelo governo.

Tags# D2D# telebras
EventosD2Dtelebras

Outras matérias