D2D deve avançar para voz e dados a partir de 2028, prevê IBTD

Paula Coutinho- 15 de outubro de 2026 | 13:52
No Wireless Mundi, representantes do setor apontam evolução gradual da conexão entre satélites e celulares e diferenciam testes de serviços comerciais
A comunicação direta entre satélites e celulares, conhecida como Direct-to-Device (D2D), deverá permanecer concentrada em serviços de mensagens e emergência nos próximos 12 a 18 meses, com possibilidade de expansão para voz e transmissão de dados a partir de 2028. A avaliação foi apresentada nesta quinta-feira, 15, por Leandro Gaunszer, coordenador do Comitê de Espectro Terrestre e Não Terrestre do IBTD, durante o 22º Wireless Mundi, promovido pelo Tele.Síntese em São Paulo, nesta quinta-feira, 15.

“A mudança é grande, ela é estrutural, só que ela vai vir por etapas”, afirmou Gaunszer durante o painel “Dados do espaço: o novo mercado satelital”.
O executivo considera que a tecnologia ainda está em fase inicial de desenvolvimento comercial, apesar dos anúncios de novas capacidades de comunicação direta com dispositivos móveis.
Segundo ele, já existem soluções voltadas à transmissão de mensagens e comunicações de emergência, mas as ofertas de maior velocidade ainda precisam demonstrar viabilidade em escala comercial.
As informações foram apresentadas durante o Painel 1, “Dados do espaço: o novo mercado satelital”, que reuniu Leandro Gaunszer, coordenador do Comitê de Espectro Terrestre e Não Terrestre do Instituto Brasileiro de Telecomunicações e Soluções Digitais (IBTD); Levi Figueiredo, diretor comercial da Telebras; Rodrigo Campos, diretor-geral da Eutelsat do Brasil; e Sérgio Chaves, head de Vendas da Hispasat.
O debate foi moderado por José Felipe Ruppenthal, diretor da Telco Advisors, e abordou as perspectivas do Direct-to-Device (D2D), o compartilhamento de espectro, os modelos de negócio e a integração entre redes móveis terrestres e satelitais.
Banda larga direta no celular ainda depende de evolução
Gaunszer mencionou anúncios de serviços D2D capazes de alcançar velocidades próximas de 10 Mbps. Ressaltou, entretanto, que as demonstrações conhecidas ainda estão concentradas em testes, laboratórios e anúncios tecnológicos.
Na avaliação do representante do IBTD, o mercado deverá manter o foco inicial em aplicações que exigem menor capacidade de transmissão.
A expansão para voz e dados dependerá da evolução das redes, dos satélites, dos dispositivos e das condições comerciais de prestação do serviço.
O executivo também distinguiu dois mercados que podem utilizar tecnologias de comunicação direta com satélites: a conectividade voltada aos usuários de celulares e as aplicações destinadas a dispositivos de Internet das Coisas (IoT).
Embora compartilhem componentes tecnológicos, essas aplicações possuem necessidades diferentes de capacidade, disponibilidade e consumo de energia.
No caso da IoT, Gaunszer apontou a importância da incorporação das redes não terrestres aos padrões desenvolvidos pelo 3GPP, especialmente a partir do Release 17.
A padronização foi apresentada como um elemento capaz de aproximar as tecnologias satelitais do ecossistema de equipamentos e redes móveis.
Convergência sobre o potencial, diferenças sobre o ritmo
Os participantes convergiram na avaliação de que a integração entre redes móveis e satélites deverá ampliar as alternativas de conectividade.
A discussão também mostrou que a expansão do D2D não se limita à capacidade de conectar um celular a um satélite. Para chegar ao consumidor, o serviço dependerá de condições de acesso ao espectro, acordos comerciais, equipamentos compatíveis e modelos de cobrança.
Tags# D2D


