Starlink pode ampliar disputa por espectro no Brasil, avalia XP

Rafael Bucco
- 9 de outubro de 2026 | 18:38
Compra de frequências nos EUA reforça estratégia móvel da SpaceX; analistas mantêm projeções de curto prazo para TIM e Vivo.

A SpaceX poderá se tornar uma concorrente das operadoras nos futuros leilões de espectro no Brasil, aumentando a disputa por frequências e os custos de aquisição desses recursos, avalia a XP. Em relatório publicado em 8 de outubro, os analistas Bernardo Guttmann e Luís Chagas apontam que o avanço da estratégia móvel da Starlink pode afetar a economia do setor antes mesmo de a empresa alcançar escala relevante no atendimento direto aos consumidores.
A análise foi motivada pelo anúncio de um acordo da SpaceX para adquirir até 14 MHz de espectro pareado na faixa de 800 MHz da Grain Management, nos Estados Unidos. Segundo o documento, a transação depende de aprovação regulatória e não teve os termos financeiros divulgados.
Para a XP, a aquisição complementa as frequências de 2 GHz anteriormente adquiridas da EchoStar e deve melhorar a penetração do sinal em ambientes internos, uma das limitações da conectividade móvel por satélite. O negócio, porém, está restrito aos Estados Unidos e não concede à SpaceX direitos adicionais de uso de espectro no Brasil.
Concorrência depende de frequências locais
Os analistas consideram que a Starlink poderá passar de uma solução complementar de cobertura para uma concorrente mais direta das operadoras tradicionais. Essa evolução dependeria, em particular, da obtenção de espectro local e do estabelecimento de acesso direto aos consumidores por meio de fabricantes de smartphones.
A eventual participação da SpaceX em leilões brasileiros é apresentada como um cenário pela XP. O relatório não anuncia uma decisão da companhia de disputar frequências no país.
Na avaliação da casa, o acordo nos Estados Unidos enfrenta parte dos obstáculos identificados em uma análise anterior, publicada em junho: disponibilidade de espectro, capacidade de rede e cobertura em ambientes internos.
Ainda assim, permanecem desafios de capacidade e de reutilização das frequências em regiões densamente povoadas. Nessas áreas, segundo a XP, as redes terrestres continuam com vantagens substanciais.
XP mantém estimativas para TIM e Vivo
Apesar dos possíveis efeitos concorrenciais de longo prazo, a XP não vê motivo para alterar suas estimativas de curto prazo ou suas teses de investimento para TIM e Vivo.
“Não vemos razão para revisar nossas estimativas de curto prazo ou teses de investimento”, afirmam os analistas, em tradução do relatório.
O documento registra que o anúncio provocou quedas de aproximadamente 5% a 8% nas ações de AT&T, Verizon e T-Mobile nas negociações após o fechamento do mercado norte-americano. A XP considera que a notícia também poderá pressionar os papéis das operadoras brasileiras, principalmente TIM e Vivo.
Para os analistas, contudo, uma reação imediata estaria associada sobretudo à percepção dos investidores, sem mudanças nos fundamentos das companhias no curto prazo. O risco mais relevante está na possível transformação do ambiente competitivo brasileiro à medida que a SpaceX supere barreiras à entrada no mercado móvel.
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