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TeleSíntese10/10/2026por Rafael Bucco

Starlink pode ampliar disputa por espectro no Brasil, avalia XP

Starlink pode ampliar disputa por espectro no Brasil, avalia XP
Starlink pode ampliar disputa por espectro no Brasil, avalia XP

Compra de frequências nos EUA reforça estratégia móvel da SpaceX; analistas mantêm projeções de curto prazo para TIM e Vivo.

Licenciamento do espectro de 6 GHz: implicações para o crescimento do setor
Foto: Freepik

A SpaceX poderá se tornar uma concorrente das operadoras nos futuros leilões de espectro no Brasil, aumentando a disputa por frequências e os custos de aquisição desses recursos, avalia a XP. Em relatório publicado em 8 de outubro, os analistas Bernardo Guttmann e Luís Chagas apontam que o avanço da estratégia móvel da Starlink pode afetar a economia do setor antes mesmo de a empresa alcançar escala relevante no atendimento direto aos consumidores.

A análise foi motivada pelo anúncio de um acordo da SpaceX para adquirir até 14 MHz de espectro pareado na faixa de 800 MHz da Grain Management, nos Estados Unidos. Segundo o documento, a transação depende de aprovação regulatória e não teve os termos financeiros divulgados.

Para a XP, a aquisição complementa as frequências de 2 GHz anteriormente adquiridas da EchoStar e deve melhorar a penetração do sinal em ambientes internos, uma das limitações da conectividade móvel por satélite. O negócio, porém, está restrito aos Estados Unidos e não concede à SpaceX direitos adicionais de uso de espectro no Brasil.

Concorrência depende de frequências locais

Os analistas consideram que a Starlink poderá passar de uma solução complementar de cobertura para uma concorrente mais direta das operadoras tradicionais. Essa evolução dependeria, em particular, da obtenção de espectro local e do estabelecimento de acesso direto aos consumidores por meio de fabricantes de smartphones.

A eventual participação da SpaceX em leilões brasileiros é apresentada como um cenário pela XP. O relatório não anuncia uma decisão da companhia de disputar frequências no país.

Na avaliação da casa, o acordo nos Estados Unidos enfrenta parte dos obstáculos identificados em uma análise anterior, publicada em junho: disponibilidade de espectro, capacidade de rede e cobertura em ambientes internos.

Ainda assim, permanecem desafios de capacidade e de reutilização das frequências em regiões densamente povoadas. Nessas áreas, segundo a XP, as redes terrestres continuam com vantagens substanciais.

XP mantém estimativas para TIM e Vivo

Apesar dos possíveis efeitos concorrenciais de longo prazo, a XP não vê motivo para alterar suas estimativas de curto prazo ou suas teses de investimento para TIM e Vivo.

“Não vemos razão para revisar nossas estimativas de curto prazo ou teses de investimento”, afirmam os analistas, em tradução do relatório.

O documento registra que o anúncio provocou quedas de aproximadamente 5% a 8% nas ações de AT&T, Verizon e T-Mobile nas negociações após o fechamento do mercado norte-americano. A XP considera que a notícia também poderá pressionar os papéis das operadoras brasileiras, principalmente TIM e Vivo.

Para os analistas, contudo, uma reação imediata estaria associada sobretudo à percepção dos investidores, sem mudanças nos fundamentos das companhias no curto prazo. O risco mais relevante está na possível transformação do ambiente competitivo brasileiro à medida que a SpaceX supere barreiras à entrada no mercado móvel.

Tags# starlink# XP
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