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TeleSíntese28/10/2026por Paula Coutinho

Só 6,99% dos idosos adotam medidas de proteção da privacidade digital

Só 6,99% dos idosos adotam medidas de proteção da privacidade digital
Só 6,99% dos idosos adotam medidas de proteção da privacidade digital

Diagnóstico da Anatel aponta baixa adoção de práticas de segurança e dificuldades para o uso autônomo de serviços online pela população com 60 anos ou mais.

Apenas 6,99% das pessoas com 60 anos ou mais adotam medidas para proteger a privacidade em dispositivos, contas ou aplicativos, enquanto 12,37% tomam providências para proteger aparelhos e contas online. Os percentuais constam do diagnóstico sobre inclusão digital da população idosa apresentado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nesta terça-feira, 27, em parceria com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

Os dados, referentes a 2025 e utilizados pela agência na elaboração do diagnóstico, evidenciam uma diferença entre o acesso às tecnologias digitais e a capacidade de utilizá-las com segurança. O documento aponta que a população idosa já participa de atividades online, mas apresenta limitações importantes em competências relacionadas à proteção de dados, prevenção de fraudes e autonomia tecnológica.

Na avaliação da Anatel, a baixa adoção de medidas de segurança exige atenção porque pode aumentar a exposição a golpes, invasões de contas e utilização indevida de informações pessoais.

O problema se torna mais relevante à medida que serviços bancários, previdenciários, de saúde e de atendimento ao cidadão passam a depender de plataformas digitais.

Acesso à internet não garante proteção

O diagnóstico mostra que as habilidades digitais da população com 60 anos ou mais estão concentradas principalmente em atividades de comunicação e utilização de serviços cotidianos.

Entre os indicadores apresentados, 40,89% realizam chamadas pela internet, 30,71% participam de redes sociais e 18,73% utilizam serviços bancários pelo computador ou celular.

Em contrapartida, somente 14,66% apresentam a habilidade de verificar a confiabilidade das informações encontradas na internet. A proporção é relevante para compreender a vulnerabilidade diante de mensagens fraudulentas, páginas falsas e tentativas de obtenção de dados pessoais.

Outra limitação aparece nas atividades que exigem maior autonomia técnica. Apenas 6,61% instalam aplicativos e 2,76% conectam novos dispositivos.

A Anatel interpreta esse conjunto de indicadores como sinal de que a inclusão digital ainda está concentrada em atividades funcionais, sem o mesmo desenvolvimento de competências críticas e de segurança.

Medo de golpes também afasta usuários

As escutas realizadas para a elaboração do diagnóstico identificaram o receio de fraudes e perdas financeiras como uma barreira recorrente à utilização de serviços digitais.

O presidente da Anatel, Carlos Baigorri, destacou, durante o lançamento do estudo, que a insegurança pode impedir a população idosa de utilizar ferramentas disponíveis, mesmo quando possui acesso à internet.

O dirigente relacionou esse comportamento ao receio de perder recursos financeiros em transações eletrônicas e à necessidade de oferecer instrumentos que permitam utilizar serviços digitais com confiança.

Segundo o diagnóstico, o medo de golpes não se restringe a um perfil socioeconômico ou território específico. O problema aparece de forma transversal nas experiências relatadas pelos participantes das escutas.

A agência também identificou que ações isoladas de capacitação apresentam resultados limitados quando não são acompanhadas por suporte contínuo e oportunidades de prática.

Políticas precisam incluir segurança e autonomia

O estudo recomenda que as iniciativas de inclusão digital ultrapassem a oferta de conexão e equipamentos.

Entre os aspectos considerados necessários estão o desenvolvimento de habilidades para avaliar informações, proteger dados pessoais, reconhecer riscos e utilizar serviços digitais sem depender permanentemente de terceiros.

A Anatel pretende utilizar o diagnóstico para subsidiar políticas públicas e iniciativas regulatórias voltadas à população idosa.

A conclusão é que a expansão da conectividade, embora necessária, não é suficiente para garantir uma participação digital segura. Para a população com 60 anos ou mais, a proteção contra fraudes e a confiança no uso das plataformas precisam integrar as estratégias de inclusão digital.

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