D2D avança na América Latina com uso no campo e em minas

Da Redação- 27 de outubro de 2026 | 19:42
Estudo da Ookla mostra que 47% das conexões estacionárias no Peru ocorreram fora da cobertura declarada pelas operadoras.
A proporção de celulares que se conectam diretamente a satélites no Chile chegou, em setembro de 2026, a aproximadamente 2,4 vezes o nível registrado em janeiro. No Peru, o indicador alcançou 1,8 vez no mesmo período. Os dados são de estudo publicado pela Ookla nesta terça-feira, 27 de outubro, que mapeou o uso da tecnologia direct-to-device (D2D) e identificou conexões em moradias rurais, áreas de mineração, rodovias e comunidades ribeirinhas.
O levantamento também comparou os registros de conexão via satélite com os mapas de cobertura terrestre do Peru. Cerca de 47% das conexões diárias únicas de aparelhos estacionários ocorreram fora das áreas de cobertura declaradas pelas quatro operadoras do país: Claro, Movistar, Entel e Bitel.
A análise de localização utilizou registros de aparelhos Android entre janeiro e setembro de 2026. Para reduzir o peso de usuários com maior frequência de conexão, a Ookla contabilizou cada dispositivo apenas uma vez por dia.
Conexões dentro e fora da cobertura terrestre
No Peru, aproximadamente um quarto das conexões estacionárias foi registrado a mais de um quilômetro da borda mais próxima da cobertura informada pelas operadoras. Cerca de 6% ocorreram a mais de dez quilômetros.
Pouco mais da metade dos registros, porém, estava dentro da área declarada como coberta por pelo menos uma prestadora. A Ookla aponta possíveis explicações para essa sobreposição, como sinal terrestre irregular, mapas incompletos ou desatualizados, limitações dos acordos de roaming, obstáculos geográficos e transições entre redes que passam brevemente por uma conexão D2D.
O estudo não determina qual desses fatores explica cada registro. Os mapas utilizados são disponibilizados pelo Osiptel, regulador peruano de telecomunicações.
Nas áreas de mineração informal do Peru, cerca de 86% das conexões D2D ocorreram fora da cobertura declarada por todas as operadoras. Quase um terço estava a mais de dez quilômetros dessas redes.
Moradias rurais e mineração
No Chile, aproximadamente 44% das conexões estacionárias foram identificadas em locais de moradia, principalmente residências rurais isoladas. Estas responderam por cerca de 27% do total, enquanto aldeias e pequenos povoados representaram aproximadamente 12%.
Locais de trabalho concentraram outros 28% dos registros estacionários chilenos. A mineração respondeu por cerca de 12% do total, e instalações industriais e comerciais, como plantas, pedreiras e armazéns, por aproximadamente 6%. Também houve conexões em instalações de energia, propriedades agrícolas e áreas de atividade florestal.
No Peru, minas formais e unidades de processamento representaram aproximadamente 11% das conexões estacionárias, enquanto a mineração informal e de pequena escala respondeu por outros 4%. Com a inclusão das cidades mineradoras, classificadas no grupo de moradia, a participação associada à mineração chegou a 18%.
As comunidades ribeirinhas peruanas responderam por 6,5% das conexões estacionárias. O levantamento também identificou celulares em embarcações, principalmente na região amazônica de Loreto.
Expansão regional
Em um dia típico de setembro, a proporção de aparelhos conectados a satélites no Chile foi aproximadamente o dobro da observada nos Estados Unidos, segundo a Ookla. Ficou também cerca de um terço acima da participação registrada no Canadá.
No Equador, onde a operadora estatal CNT lançou o serviço D2D da Starlink em setembro, foram identificadas conexões em 20 das 24 províncias durante os primeiros 11 dias analisados. As regiões dos Andes e da Amazônia reuniram, juntas, aproximadamente 40% dos registros.
O estudo também menciona o lançamento do D2D da Starlink com a Vivo no Brasil nesta semana. A análise detalhada dos locais de utilização, entretanto, concentra-se em Chile e Peru.
Como os dados foram coletados
Os dados vêm de varreduras automáticas de sinal realizadas em segundo plano por celulares Android, e não de testes de velocidade iniciados pelos usuários. A validação inclui verificar se o satélite identificado estava sobre o aparelho no momento da conexão.
Para classificar os locais de uso estacionário, a Ookla utilizou um modelo de inteligência artificial, seguido de checagem amostral independente por analistas. A empresa ressalva que as imagens usadas na classificação podem ter datas diferentes das conexões e que a presença de um celular em determinado local não revela, necessariamente, o motivo de sua utilização.
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