Reatores nucleares para data centers devem ser realidade no Brasil em 2040, estima ABDC

Rafael Bucco
- 19 de outubro de 2026 | 12:22
Renan Alves afirma, presidente da entidade, diz que uso de pequenos reatores nucleares já é tema de debates entre associados, mas aponta custos e regulamentação como desafios à adoção
O uso de pequenos reatores nucleares modulares para abastecer data centers no Brasil é uma possibilidade para aproximadamente 2040, na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Data Center (ABDC), Renan Alves. O dirigente afirmou que a entidade já participa de discussões sobre a tecnologia, mas apontou questões econômicas e regulatórias que precisam ser enfrentadas antes de sua adoção.

Os pequenos reatores modulares, conhecidos pela sigla em inglês SMR (Small Modular Reactor), são vistos lá fora como alternativa de geração próxima aos centros de processamento de dados. Para o executivo, o principal atrativo aqui seria a possibilidade de atender ao consumo contínuo dessas instalações e reduzir a dependência de obras de transmissão.
Transmissão entra na discussão
Alves destacou que a disponibilidade de fontes de geração não elimina os obstáculos para levar eletricidade até novos empreendimentos. Segundo ele, reforços na infraestrutura de transmissão podem condicionar a expansão do mercado de data centers.
“Mesmo que você tenha como construir mais plantas hidrelétricas e eólicas, o sistema de transmissão pode ser o gargalo de crescimento”, disse.
Na visão do dirigente, a instalação de um SMR próximo ao data center permitiria considerar localidades onde a infraestrutura elétrica disponível não atende ao projeto.
O executivo afirmou que a ABDC participa de fóruns globais para discutir o assunto. Segundo ele, esses encontros têm contribuído para ampliar o conhecimento da indústria de data centers sobre as tecnologias e suas condições de aplicação.
Custo limita atratividade no Brasil
Apesar do interesse, Alves avaliou que a geração nuclear enfrenta uma comparação econômica desfavorável com as fontes já disponíveis no país. “Em relação à hidrelétrica e eólica, estas são mais baratas”, lembrou. Para locais com energia abundante e infraestrutura disponível, portanto, o argumento econômico seria menos favorável.
Outro ponto levantado foi a necessidade de discutir as condições regulatórias para investimentos privados nesse tipo de geração. Alves defendeu a definição de protocolos e mecanismos de fiscalização que permitam avaliar os riscos e estruturar a participação das empresas.
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