PwC emite parecer adverso sobre balanço de 2025 da Oi

Rafael Bucco
- 8 de outubro de 2026 | 20:01
Auditoria aponta uso inadequado da continuidade operacional e falta de elementos para calcular ajustes em ativos e passivos.

A PwC emitiu opinião adversa sobre as demonstrações financeiras da Oi de 2025 por considerar inadequada a utilização do pressuposto de continuidade operacional na elaboração das contas. Segundo a auditoria, a companhia, em processo de falência e com continuação provisória das atividades, deveria ter adotado a base contábil de liquidação. O parecer também aponta falta de evidências para calcular ajustes em ativos e passivos.
Os demonstrativos tiveram a divulgação autorizada pelos administradores judiciais em 7 de outubro de 2026. Embora se refiram ao exercício encerrado em dezembro de 2025, incorporam a decisão de agosto deste ano que manteve a conversão da recuperação judicial em falência.
No relatório, a PwC afirma que as contas “não apresentam adequadamente a posição patrimonial e financeira da Companhia”. O entendimento abrange as demonstrações individuais e consolidadas, o desempenho das operações e os fluxos de caixa.
Ajustes sem quantificação
A auditoria sustenta que as evidências obtidas indicam que a Oi não será capaz de liquidar seus passivos no curso normal das operações. Por isso, considera inadequada a premissa utilizada pela administração para preparar os demonstrativos.
“Essas demonstrações financeiras deveriam ter sido elaboradas no pressuposto da não continuidade operacional (base contábil de liquidação)”, afirma o parecer.
A PwC informa que não recebeu evidências suficientes para determinar os ajustes necessários nos valores de realização de contas a receber, tributos a recuperar, outros ativos, investimentos em coligadas e negócios em conjunto e ativos mantidos para venda.
Também faltaram elementos para mensurar ajustes nos valores de liquidação de obrigações com salários, encargos sociais e benefícios, além de provisões para fundos de pensão e contingências.
Segundo a auditoria, a adoção da base apropriada exigiria ajustes significativos, não quantificados pela administração, que afetariam de forma relevante e generalizada a posição patrimonial e financeira e o resultado da companhia.
Outro apontamento diz respeito à apresentação do balanço: os ativos e passivos não foram organizados em ordem decrescente de liquidez e exigibilidade, respectivamente, como seria requerido na base de liquidação.
Patrimônio negativo de R$ 52,7 bilhões
As contas apresentadas pela Oi registram patrimônio líquido consolidado negativo de R$ 52,690 bilhões ao final de 2025. O prejuízo líquido consolidado do exercício foi de R$ 36,369 bilhões.
O documento de setembro de 2025 recebeu conclusão adversa da PwC pelos mesmos fundamentos. Nesse caso, o trabalho foi uma revisão das informações intermediárias, de alcance menor que o da auditoria anual. O patrimônio líquido consolidado negativo informado naquele período era de R$ 50,288 bilhões.
A PwC ressalta que não conseguiu determinar os efeitos dos ajustes necessários. Assim, o parecer não apresenta uma estimativa alternativa para o valor dos ativos, dos passivos ou do resultado da Oi sob a base contábbil de liquidação.
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