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TELETIME News15/10/2026por Samuel Possebon

Pactuações por consensualidade devem se tornar comuns, apontam especialistas

Pactuações por consensualidade devem se tornar comuns, apontam especialistas
Regulação Pactuações por consensualidade devem se tornar comuns, apontam especialistas 14/10/26, 23:19   Atualizado em 14/10/26, 23:19
(crédito: Freepik)

O  mecanismo da consensualidade na busca de soluções para impasses regulatórios foi elogiado na edição deste ano do Seminário da ABDTIC, associação que congrega especialistas em direito das telecomunicações e tecnologias da informação. O encontro foi realizado em São Paulo nesta quarta, 14, e marcou a edição de número 40 do seminário. Advogados e reguladores convergiram na análise de que o modelo tradicional de disputas judiciais, que frequentemente se arrastava por décadas, tornou-se incompatível com a velocidade da inovação tecnológica e com as necessidades de políticas públicas, e queo modelo de busca de soluções pactuadas, que ganhou protagonismo com o fim das concessões de telefonia fixa, mostrou-se um caminho relevante.

Nicola Khoury, secretário da SecexConsenso do Tribunal de Contas da União (TCU), destacou que a consensualidade não é apenas uma nova opção do gestor, mas uma obrigação legal de buscar soluções colaborativas. Segundo Khoury, o rito estabelecido pelo TCU, com prazos rígidos de 90 a 120 dias para a definição sobre um acordo, atua como um catalisador de eficiência, permitindo que problemas complexos que antes poderiam ser considerados insolúveis, sejam resolvidos com maior segurança jurídica. Para ele, a construção dialogada reduz a assimetria de informação e gera resultados superiores às decisões imperativas que, muitas vezes, acabam sendo inexequíveis na prática. Outro ponto positivo é que na pactuação é possível desatar nós de interpretações regulatórias que antes pareciam intransponíveis.

Complementando essa visão, o superintendente executivo da Anatel, Gustavo Borges, lembrou que a consensualidade não substitui o poder sancionador da agência, mas amplia seu leque de ferramentas. Borges explicou que a agência tem convertido passivos litigiosos e multas contingenciadas em compromissos de investimento real. Para o superintendente, essa abordagem pragmática foca no resultado para a sociedade, transformando processos administrativos desgastantes em entregas concretas de conectividade.

Novo paradigma

A convergência entre o controle externo e a regulação setorial aponta para um novo paradigma no direito administrativo brasileiro, apontaram os especialistas. Ao substituir o que Khoury, do TCU, chama de relação "perde-perde" das disputas judiciais por acordos estruturados, o setor de telecomunicações conseguiu destravar gargalos históricos, como a questão dos bens reversíveis e a adaptação das concessões, lembra Oscar Petersen, vice-presidente regulatório e jurídico da Claro. Ele mostra otimismo em relação a este mecanismo para a faixa de 850 MHz, ainda que nesse caso ainda seja necessário que o plenário do TCU admita o acordo (o parecer técnico, nesse caso, é contrário). Para ele, esse movimento não apenas desafoga o Judiciário, mas garante que os recursos sejam direcionados para as demandas atuais da sociedade, em vez de ficarem presos em discussões sobre teses jurídicas obsoletas.

Camila Tápia, hoje vice-presidente de assuntos jurídicos da Braskem mas que possui uma trajetória de três décadas no setor de telecomunicações, como VP regulatória da Vivo, reforçou que a consensualidade, mesmo que cada um perca um pouco,  é um caminho de "ganha-ganha". A executiva destacou que, embora o processo de negociação seja intenso e exija flexibilidade, a segurança jurídica alcançada ao final dos acordos é inestimável para as empresas. Para Tápia, a previsibilidade e a clareza das normas estabelecidas pelo TCU foram fundamentais para que o setor pudesse migrar com sucesso do regime de concessão para o de autorização.

Para Oscar Petersen, é preciso exaltar a atuação técnica da Anatel como pilar dessa evolução. Petersen destacou  que a trajetória do setor das últimas duas décadas demanda uma capacidade de adaptação constante, e a consensualidade é uma ferramenta indispensável para enfrentar os desafios como a regulação de inteligência artificial e a integração de novas tecnologias.

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