NVIDIA avança em infraestrutura de telecomunicações na Europa

Adriano Camargo- 21 de outubro de 2026 | 14:14
Operadoras ampliam uso de GPUs em redes 5G e data centers; parceria com Nokia registra ganhos de até 15% no uplink.

A NVIDIA anunciou nesta quarta-feira, dia 21, a expansão de sua presença na infraestrutura de telecomunicações europeia, com projetos envolvendo Deutsche Telekom, Orange, Elisa, BT, Fastweb + Vodafone e TIM Itália. As iniciativas abrangem a instalação de plataformas de computação acelerada em data centers e instalações de rede, a incorporação de IA ao processamento de sinais 5G e a automação das operações das operadoras.
Os anúncios foram apresentados durante o GTC Berlim e fazem parte de um movimento que envolve nove operadoras da Europa, Oriente Médio e África (EMEA). A empresa prevê o uso da infraestrutura distribuída de telecomunicações para executar aplicações de IA próximas aos usuários, compartilhando recursos computacionais com funções das redes móveis.
Parte dos projetos é desenvolvida com a Nokia, que está integrando seu software de rede de acesso por rádio à plataforma NVIDIA Aerial RAN Computer. A parceria já registra testes em redes comerciais e resultados de laboratório, incluindo ganhos de 10% a 15% na velocidade de uplink em experimentos realizados com a Deutsche Telekom.
Operadoras europeias ampliam infraestrutura de IA
Na Alemanha, a Deutsche Telekom planeja expandir sua Industrial AI Cloud, ambiente que hospeda modelos de inteligência artificial, incluindo NVIDIA Nemotron e Soofi, para aplicações industriais. A operadora também trabalha com Nokia e NVIDIA em soluções que combinam processamento na rede móvel e execução de serviços de IA na borda.
A Orange está incorporando modelos Nemotron à plataforma Live Intelligence, utilizada para oferecer serviços gerenciados a empresas. Na infraestrutura distribuída, a operadora francesa utiliza a tecnologia NVIDIA para aplicações de processamento de voz, incluindo tradução multilíngue em tempo real destinada a equipes de emergência e serviços de campo.
Na Finlândia, a Elisa instalou a plataforma Aerial RAN Computer em um ponto de sua rede para executar aplicações de IA, entre elas um assistente empresarial baseado em voz.
A expansão também envolve a TIM italiana, a CRA, da República Tcheca, a Silknet, da Geórgia, e a etisalat, dos Emirados Árabes Unidos, que estão desenvolvendo novas instalações com tecnologias da NVIDIA. Fastweb + Vodafone, Kazakhtelecom, Orion Telecom e Cassava Technologies integram o grupo de empresas que ampliam estruturas existentes.
AI-RAN registra ganhos de até 15% no uplink
A colaboração com a Nokia envolve a adoção de AI-RAN, arquitetura que permite executar funções da rede de acesso por rádio e aplicações de IA sobre uma mesma plataforma computacional.
A Deutsche Telekom e a fabricante finlandesa registraram melhorias típicas de 10% a 15% na velocidade de uplink em testes de laboratório realizados em Bonn, na Alemanha, e Oulu, na Finlândia. Os resultados foram obtidos com o uso de IA na estimativa de canal, uma das funções de processamento dos sinais de rádio. Segundo as empresas, os ganhos foram maiores em condições de propagação mais complexas.
A próxima etapa prevê testes em campo, em 2027, incluindo outros algoritmos voltados à eficiência espectral.
Na Finlândia, a Elisa executou simultaneamente serviços de voz, dados móveis e análise de vídeo sobre uma plataforma AI-RAN conectada à rede 5G. A operadora pretende avançar no próximo ano com instalações distribuídas e avaliação de serviços comerciais.
A BT prepara experimentos em rede ativa em Birmingham, no Reino Unido, enquanto a Orange avalia o software 5G da Nokia sobre a infraestrutura NVIDIA, com foco na eficiência espectral e em aplicações de borda.
Os resultados representam uma evolução dos projetos mostrados durante o Mobile World Congress 2026, quando a Nokia apresentou seus primeiros avanços em AI-RAN com operadoras e planos de testes comerciais.
Nos Estados Unidos, T-Mobile, Nokia e NVIDIA também concluíram uma chamada AI-RAN na rede comercial da operadora, em Bellevue, Washington. O experimento utilizou servidores acelerados por GPU, rádios Massive MIMO e o núcleo 5G standalone existente.
O resultado dá continuidade aos testes de AI-RAN da NVIDIA, T-Mobile e Nokia para levar aplicações de IA à borda da rede 5G.
NVIDIA e Nokia avançam na automação das redes
A parceria também foi ampliada para a automação das operações das operadoras, com a integração dos modelos NVIDIA Nemotron e de ferramentas de desenvolvimento de agentes de IA à plataforma da Nokia.
A solução permitirá criar agentes especializados em funções das redes de acesso, núcleo, transporte, infraestrutura fixa e ambientes de nuvem. Segundo a fabricante, esses sistemas poderão analisar condições operacionais e executar ações dentro de políticas e limites definidos pelas empresas, preservando mecanismos de supervisão.
A arquitetura admite instalações locais, na nuvem ou em ambientes híbridos, permitindo às operadoras controlar o armazenamento de dados, modelos e políticas operacionais.
Entre as empresas que trabalham com a Nokia na identificação de aplicações e cronogramas estão etisalat UAE, MEO e Airtel.
Em junho, a Nokia havia anunciado a incorporação de IA agêntica à gestão de redes IP, permitindo a análise de eventos e a execução de ações sujeitas a regras operacionais.
A NVIDIA também anunciou integrações de seus modelos e ferramentas com Cisco, TCS e NTT DATA. Entre as aplicações estão diagnóstico de falhas, identificação de degradação da rede, análise de imagens de instalações e recomendação de intervenções técnicas.
Novos servidores ampliam capacidade de processamento
Para atender às diferentes configurações das redes, a NVIDIA apresentou duas versões da plataforma Aerial RAN Computer, denominadas MGX 2U e MGX 4U, destinadas a instalações com maior concentração de processamento.
Os equipamentos utilizarão GPUs RTX PRO 6000 Blackwell Server Edition, com opções de processadores x86 e NVIDIA Vera. Dell Technologies, Quanta Cloud Technology e Supermicro estão entre as fabricantes que oferecerão servidores compatíveis.
A Nokia também trabalha com a Red Hat para executar funções de rede e aplicações de IA em infraestrutura compartilhada, utilizando a plataforma OpenShift.
Além do processamento de sinais, a arquitetura permite desenvolver aplicações de sensoriamento e localização. A DeepSig trabalha em ferramentas para identificar interferências e transmissores não autorizados, enquanto a ZaiNar desenvolve recursos de posicionamento baseados na infraestrutura de rádio existente.
A proposta está alinhada à estratégia de redes AI-native apresentada pela fabricante no início do ano. Durante o MWC 2026, para a Nokia, as redes 5G já podem adotar uma arquitetura nativa de IA, sem depender da chegada do 6G.
Os anúncios desta quarta-feira acrescentam resultados de laboratório, testes em ambientes comerciais e novas configurações de hardware a essa estratégia. Embora algumas aplicações já estejam sendo executadas em redes ativas, parte dos projetos de AI-RAN das operadoras europeias permanece em avaliação, com novas etapas previstas para 2027.
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