Governo usa roaming para dobrar cobertura nas rodovias

Adriano Camargo- 15 de outubro de 2026 | 12:09
Meta é chegar a 57,1 mil km de estradas federais com sinal móvel até 2030, com avanço relevante já em 2027.

O governo federal pretende mais que dobrar a extensão das rodovias federais com cobertura móvel, dos atuais 27,2 mil para 57,1 mil quilômetros até 2030. A estratégia combina roaming entre operadoras, compromissos associados ao espectro, obrigações regulatórias e contratos de concessão.
Para 2027, o governo prevê 16.090 km adicionais nas rodovias federais e 42.449 km nas estaduais, além da cobertura integral da BR-101.
Em entrevista coletiva após o lançamento da Política Nacional de Conectividade em Rodovias, nesta quinta-feira, 15, o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, afirmou que os efeitos já deverão ser percebidos no próximo ano.
“A ideia é que já em 2027 a população sinta o impacto.” Além da BR-101, foram colocadas entre as prioridades as BRs 116, 135, 163, 242 e 364.

Roaming será principal vetor de expansão
A itinerância entre redes responderá pela maior parcela do ganho imediato. A política prevê 13.161 km atendidos por compartilhamento de sinal, permitindo que o cliente use a rede de outra prestadora quando a sua não estiver disponível naquele trecho.
A Anatel deverá regulamentar as condições técnicas e econômicas dessa operação, incluindo a remuneração entre as empresas.
Frederico afirmou que não haverá compensação direta do governo às operadoras.
“Não terá, porque será uma troca. As operadoras vão acertar entre si, vão ceder em uma parte e cobrar em outra.”
Além da itinerância, a apresentação atribui 6.426 km ao leilão da faixa de 700 MHz, 4.306 km à adaptação da Claro, 988 km a Obrigações de Fazer e 1.275 km a concessões rodoviárias.
Novas torres ocuparão trechos sem sinal
O reaproveitamento de redes existentes não elimina a necessidade de nova infraestrutura. Nos locais em que nenhuma prestadora tem cobertura, o plano prevê instalação de estações adicionais em 4G ou 5G.
“O que estamos propondo é, naqueles vazios tecnológicos que existem, a inclusão de uma nova torre, seja 4G ou 5G, de acordo com a tecnologia disponível naquela região, para que a gente possa cobrir 100% dessas rodovias prioritárias”, afirmou Frederico.
Concessões passam a incorporar rede móvel
O Ministério dos Transportes pretende incluir obrigações de conectividade nas novas concessões e revisar contratos existentes quando houver viabilidade.
Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, oito contratos já adotam esse modelo, cobrindo mais de 4 mil quilômetros, e a intenção é avançar sobre outros 15.
Santoro afirmou que as adaptações não devem pressionar as tarifas de pedágio, porque parte dos custos pode ser compensada pela substituição de estruturas operacionais.
“Na verdade não tem impacto nos pedágios porque já está dentro dos projetos”, afirmou. Segundo ele, a infraestrutura móvel permitirá ampliar o uso de câmeras conectadas, sistemas de monitoramento, pesagem automática e Free Flow.
“A nossa meta é reduzir custos logísticos no Brasil com uma série de medidas, essa é uma das principais medidas, pois com ela eu consigo fazer várias outras políticas agregadas”, disse Santoro.
Fust poderá apoiar novos investimentos
O governo também pretende utilizar recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações para financiar projetos relacionados à expansão das redes.
“O fundo de universalização de centro de telecomunicações também estará disponível para que as operadoras possam realizar essas iniciativas, não só as operadoras com abrangência nacional, mas também as operadoras com abrangência regional”, disse Frederico.
Segundo o ministro, o governo já disponibilizou R$ 3,5 bilhões em operações de crédito com recursos do fundo para modernização de redes, atualização tecnológica e outras iniciativas de infraestrutura digital.
A política também poderá usar Obrigações de Fazer, TACs, investimentos voluntários das prestadoras e compromissos vinculados às concessões federais.
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