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TeleSíntese22/10/2026por Rafael Bucco

D2C não ameaça teles no curto prazo, avalia Fitch

D2C não ameaça teles no curto prazo, avalia Fitch
D2C não ameaça teles no curto prazo, avalia Fitch

Agência prevê que conexão direta entre satélites e celulares complemente redes das operadoras latino-americanas nos próximos dois a três anos.

Foto: Freepik
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Os serviços de conexão direta entre satélites e celulares, conhecidos como direct-to-cell (D2C), não devem representar ameaça competitiva relevante nem risco às classificações de crédito das operadoras de telecomunicações da América Latina nos próximos dois a três anos. A avaliação é da Fitch Ratings, em análise divulgada nesta quarta-feira, 21 de outubro. Para a agência, a tecnologia amplia a cobertura das redes terrestres, com predominância de parcerias comerciais lideradas pelas teles.

Nesse modelo, as operadoras mantêm o relacionamento com os clientes, o faturamento, os dados dos usuários e os direitos de uso do espectro, enquanto utilizam a conectividade satelital para atender áreas remotas. Segundo a Fitch, esse arranjo sustenta o perfil de negócios das empresas estabelecidas e limita riscos no curto prazo para companhias avaliadas pela agência, como a chilena Entel e a mexicana América Móvil, controladora da Claro.

Cinco condições para uma ameaça competitiva

A Fitch considera que o D2C se tornaria uma ameaça mais significativa se os provedores conseguissem atender simultaneamente a cinco condições, sem depender de uma operadora móvel licenciada: oferecer voz, além de mensagens; manter velocidades estáveis quando muitos usuários compartilham um feixe; obter acesso nacional a espectro em cada mercado; suportar aparelhos já em uso; e praticar preços acessíveis ao público-alvo.

Os serviços atuais, conforme a análise, concentram-se em mensagens e aplicações selecionadas de baixa demanda de banda. A oferta de voz ainda não atingiu escala, e o desempenho de dados permanece abaixo das redes terrestres de quarta e quinta gerações.

A capacidade dos satélites, o licenciamento de espectro, a compatibilidade dos aparelhos e a necessidade de visada desobstruída para o satélite também restringem a adoção. Essas limitações afetam especialmente o uso em ambientes internos e em cidades densas, onde as operadoras concentram a maior parte do tráfego, aponta a agência.

Chile e México mostram modelos distintos

No Chile, a Fitch relata que mensagens por satélite foram inicialmente oferecidas gratuitamente aos assinantes de uma operadora parceira. Aplicações de mapas e meteorologia foram incorporadas a planos premium. A conexão satelital é ativada apenas quando não há cobertura terrestre, e os custos de implementação não foram relevantes, segundo a análise.

A oferta contribuiu para aquisição de clientes e diferenciação dos serviços, funcionando mais como instrumento de retenção do que como fonte independente de receita. A Fitch considera o efeito favorável ao perfil de crédito das operadoras participantes e neutro para o setor como um todo.

O México é apontado como a principal exceção regional ao modelo liderado pelas teles. Desde maio de 2025, segundo o comunicado, a Apple oferece mensagens gratuitas por satélite em iPhones compatíveis, com capacidade fornecida pela Globalstar sob sua própria licença autorizada de espectro móvel por satélite.

A agência avalia que o efeito imediato sobre o crédito das operadoras mexicanas é neutro, porque a oferta é gratuita e limitada a mensagens. O país, porém, constitui um teste para a expansão de serviços satelitais fora do modelo predominante de parceria.

Aquisições seriam o cenário de maior ruptura

A Fitch descreve três possíveis caminhos para o mercado. No cenário-base, os provedores satelitais vendem capacidade no atacado às operadoras locais, que preservam o relacionamento com os clientes.

Uma segunda possibilidade é um modelo híbrido, que combine cobertura orbital com implantação seletiva de infraestrutura terrestre. Esse formato poderia elevar a pressão sobre preços e margens, mas depende de aprovações regulatórias e acesso nacional a espectro. A necessidade de cooperação das operadoras estabelecidas e o investimento exigido pela rede terrestre são apontados como barreiras.

O terceiro caminho, considerado o mais disruptivo, seria a entrada de um provedor satelital no mercado por meio de aquisição. Isso permitiria competir com uma oferta completa de produtos e serviços e cobertura mais ampla, com potencial de pressionar o desempenho operacional e financeiro das teles.

Para a Fitch, a replicação do modelo mexicano em outros países seria o sinal mais claro de aumento do risco competitivo. Mudanças contratuais que transfiram faturamento, relacionamento com clientes ou acesso a dados aos provedores satelitais também seriam negativas para o crédito. Até que essas condições mudem, a agência espera que o D2C permaneça como solução complementar à cobertura terrestre.

Tags# D2D# fitch
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