Conexis coloca previsibilidade regulatória entre condições para manter investimentos em telecom

Paula Coutinho- 6 de outubro de 2026 | 20:40
Debate na Futurecom aponta segurança das regras, compartilhamento de infraestrutura e adaptação regulatória às novas tecnologias como questões para o próximo ciclo de investimentos
A previsibilidade das regras deverá ocupar papel central na capacidade das empresas de telecomunicações de manter investimentos bilionários em redes no próximo ciclo tecnológico, segundo o presidente executivo da Conexis Brasil Digital, Marcos Ferrari, durante o painel Panorama Regulatório Telecom, na Futurecom 2026, nesta terça-feira.

No caso das grandes operadoras, a questão ganha peso pela dimensão e pelo horizonte dos investimentos necessários para expansão das redes.
“Para uma empresa de grande porte, que está investindo bilhões de reais, a previsibilidade regulatória muitas vezes é mais importante do que a própria demanda”, resumiu o mediador ao colocar o tema para os representantes do setor.
“A previsibilidade regulatória pode ser um fator decisivo para o investimento”, acrescentou.
O painel discutiu o cenário regulatório até 2028, período em que a Anatel deverá tomar decisões sobre novas faixas de espectro, renovação de autorizações, cibersegurança e participação da agência no ecossistema digital.
A discussão também colocou em pauta obstáculos históricos à implantação das redes, entre eles postes, compartilhamento de infraestrutura e licenciamentos.
Tecnologia avança mais rápido que as regras
Outro ponto discutido foi o risco de o arcabouço regulatório ficar atrás das mudanças tecnológicas.
O mercado já combina redes privadas, satélites de baixa órbita, integração entre redes terrestres e não terrestres, IoT e novos modelos de negócios no atacado.
A questão colocada aos representantes empresariais foi se a regulamentação atual possui flexibilidade suficiente para acompanhar essa transformação sem se converter em uma barreira.
A discussão ganha relevância porque a própria Anatel reconhece que o setor deixou de funcionar dentro das divisões tradicionais entre serviços e infraestruturas.
Nilo Pasquali, superintendente de Planejamento e Regulamentação da agência, afirmou no mesmo painel que o país está inserido em um “ambiente digital” no qual telecomunicações convivem com diferentes elementos da cadeia tecnológica.
“A gente não está mais naquele momento de divisão das cadeias, as estruturas bem divididinhas, todo mundo no seu quadrado”, afirmou Pasquali.
Infraestrutura permanece como gargalo
Apesar do surgimento de novos modelos de negócios, parte relevante dos obstáculos ao investimento continua associada a problemas anteriores à atual transformação tecnológica.
Postes, licenciamento e compartilhamento de infraestrutura foram citados durante o painel entre os gargalos que dificultam a implantação das redes.
O mediador observou que a competição de infraestrutura aumentou, com a presença de agentes especializados em fibra, torres e data centers, mas os entraves para construção e expansão das redes permanecem.
Essa combinação coloca duas agendas diante do setor: remover obstáculos históricos e, simultaneamente, adaptar a regulação às novas tecnologias.
Modelo do 5G é referência
Há um ponto de convergência entre empresas e Anatel: o modelo adotado no leilão do 5G é visto como referência para as próximas decisões sobre espectro.
Pasquali afirmou que mais de 95% do valor que poderia ser arrecadado no leilão foi convertido em compromissos e relacionou essa decisão à expansão da infraestrutura observada desde 2021.
A agência já sinaliza que pretende continuar privilegiando compromissos de investimento nos próximos processos.
O avanço das redes móveis brasileiras foi apontado como resultado desse desenho regulatório, com a expectativa de que a experiência possa orientar as próximas licitações.
Para as operadoras representadas pela Conexis, porém, a capacidade de transformar novos compromissos em investimento dependerá também de regras estáveis ao longo do ciclo de implantação das redes.
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