CEOs lideram IA, mas empresas enfrentam conflitos de governança

Da Redação- 13 de outubro de 2026 | 19:07
Pesquisa da Thoughtworks aponta que 36% das empresas brasileiras relatam atritos entre CIOs e CAIOs, apesar da confiança na gestão de IA.

No Brasil, 39,8% das empresas apontam o CEO como principal influenciador nas decisões sobre inteligência artificial, a maior proporção entre os dez países analisados pela Thoughtworks. Entretanto, o país também apresenta o índice mais elevado de atritos ou indefinições de responsabilidades entre os diretores de tecnologia (CIOs) e os responsáveis pela área de IA (CAIOs), situação relatada por 35,8% das organizações.
Os dados fazem parte do estudo Global CIO Survey 2026: Who Governs Enterprise AI?, realizado pela Censuswide com 3.200 executivos de tecnologia, sendo 400 brasileiros. A pesquisa examinou a distribuição das decisões, dos investimentos e das responsabilidades relacionadas à inteligência artificial nas empresas.
A influência dos CEOs nas organizações nacionais supera a média global de 23,1%. Já a gestão dos recursos apresenta maior participação das áreas de negócio: no Brasil, 25,8% dos orçamentos de IA são controlados diretamente por esses departamentos, ante 20% no conjunto dos mercados pesquisados.
Brasil lidera conflitos entre CIOs e CAIOs
A presença de executivos dedicados à inteligência artificial já alcança 72% das organizações brasileiras. Globalmente, 70% possuem um Chief AI Officer (CAIO), enquanto outras 26% planejam criar a função.
A existência desses cargos, porém, não elimina as dificuldades na definição de atribuições. Os 35,8% de entrevistados brasileiros que relatam atritos ou sobreposição de responsabilidades superam a média internacional de 28,9%.
“A inteligência artificial já se consolidou como uma prioridade estratégica para as organizações brasileiras, com forte envolvimento da alta liderança executiva”, afirma Alexey Bôas, CTO regional para a América Latina da Thoughtworks.
Confiança supera média internacional
Apesar das divergências entre lideranças, 64,8% dos CIOs brasileiros consideram suas organizações muito preparadas para governar iniciativas de inteligência artificial. No cenário global, essa percepção é compartilhada por 53,4% dos entrevistados.
O Brasil também registra indicadores menores de responsabilização pessoal dos gestores de tecnologia pelos impactos da IA.
Entre os executivos nacionais, 34,5% afirmam sentir-se responsáveis por incidentes de segurança envolvendo esses sistemas, enquanto 31,5% apontam responsabilidade pelas consequências.
Metodologia
A pesquisa Thoughtworks Global CIO Survey 2026: Who Governs Enterprise AI? foi conduzida pela Censuswide com CIOs e outros líderes seniores de tecnologia em diferentes mercados ao redor do mundo. O levantamento ouviu 3.200 executivos globalmente, sendo 400 deles no Brasil.
O estudo reuniu participantes de dez países: Brasil, Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, França, Espanha, Austrália, Singapura, Índia e África do Sul.
A pesquisa avaliou aspectos relacionados à governança da inteligência artificial, estruturas de liderança, orçamento e investimentos, responsabilidade corporativa, adoção de CAIOs, desenvolvimento de competências e a evolução do papel do CIO diante do avanço acelerado da IA nas organizações.
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