Unifique tem registro de OPA suspenso após acionistas contestarem avaliação

Rafael Bucco
- 16 de outubro de 2026 | 19:52
Acionistas pedem assembleia para discutir novo laudo e alegam que avaliação não contempla o valor do espectro de 5G.

A Unifique informou nesta sexta-feira, 16 de outubro, que o processo de registro de sua oferta pública de aquisição de ações (OPA) na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está suspenso após acionistas solicitarem uma assembleia especial para deliberar sobre uma nova avaliação da companhia. O grupo reúne mais de 10% das ações em circulação e questiona a metodologia e as projeções utilizadas no laudo elaborado pela Apsis Consultoria Empresarial.
O requerimento foi recebido em 15 de outubro, após o encerramento do pregão. A OPA, anunciada pelo controlador em 2 de outubro, busca converter o registro da companhia da categoria A para a categoria B e promover sua saída do Novo Mercado.
Segundo o fato relevante, o conselho de administração se reunirá para apreciar o pedido e deliberar sobre a convocação da assembleia. A suspensão do processo de registro vigora desde esta sexta-feira, em decorrência da solicitação dos acionistas.
Entre os signatários estão fundos das famílias 3 Ilhas, SPX, Ori e GTI, além de Fourth Sail Long Short e GMI Global Markets Investments. No requerimento, o grupo sustenta que as falhas apontadas no laudo indicam que “o valor de R$ 5,42 por ação não reflete o valor da Companhia”.
Espectro do 5G
Um dos principais argumentos dos acionistas é que a avaliação não captura adequadamente o valor das frequências 5G da Unifique. A operadora é dona de blocos de 80 MHz na faixa de 3,5 GHz em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Os ativos foram obtidos no leilão de 2021, na aquisição de espectro da Ligga no Paraná, em janeiro de 2026, e por meio do controle da Amazônia 5G, adquirido em abril deste ano.
Os requerentes estimam que essas frequências valeriam entre R$ 2,33 bilhões e R$ 3,31 bilhões, com base em referências de leilões latino-americanos e no câmbio da data-base de 30 de junho de 2026. Trata-se de uma estimativa apresentada pelos acionistas para fundamentar o pedido de nova avaliação.
“Esse ativo ainda gera pouca receita e EBITDA, de modo que múltiplos aplicados sobre a base atual de assinantes ou sobre o EBITDA corrente o ignoram quase por completo”, afirmam.
O grupo também questiona a ausência da aquisição da Desktop pela Claro na amostra de 16 transações utilizada no laudo. Segundo o requerimento, essa operação apresentou valor da empresa por assinante de R$ 3.311 e seria a comparação mais próxima para a Unifique.
Cotação e projeções questionadas
Os acionistas contestam ainda a escolha do preço médio ponderado pelo volume de negociações de 12 meses como critério de avaliação. Argumentam que o giro acumulado das ações não basta para demonstrar que a cotação representa adequadamente o valor da companhia.
Conforme os cálculos apresentados no requerimento, o volume financeiro médio diário foi de R$ 3,9 milhões nos 249 pregões analisados. A aquisição das aproximadamente 99,8 milhões de ações em circulação representaria cerca de R$ 600 milhões ao preço ofertado, segundo o documento.
“O VWAP reflete o preço marginal de lotes pequenos, num mercado em que o grupo comprador detém o controle. Ele não reflete o valor da totalidade das ações que a ofertante quer adquirir”, sustentam os signatários.
Outra frente de contestação envolve o fluxo de caixa descontado, método que resultou em R$ 4,99 por ação, o que resultaria em uma valoração de cerca de R$ 2 bilhões para a empresa. Os acionistas criticam a manutenção nominal dos valores médios dos planos de banda larga e telefonia móvel até 2035, enquanto parte dos custos e os investimentos seriam corrigidos pela inflação.
Também questionam as projeções de crescimento da receita de 6,9% em 2027 e de 5,6% em 2028, diante da expansão de 14,5% registrada no primeiro semestre de 2026, conforme os dados citados no pedido.
Nova avaliação depende de assembleia
A realização de outro laudo ainda dependerá de deliberação dos titulares de ações em circulação. Os requerentes afirmam que reservam o direito de convocar a assembleia caso a solicitação não seja atendida no prazo de oito dias mencionado no documento.
No fato relevante, a Unifique informa os próximos passos e a suspensão do registro, sem apresentar resposta técnica às críticas dos acionistas. O material divulgado também não inclui manifestação da Apsis sobre os questionamentos.
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