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TeleSíntese18/10/2026por Paula Coutinho

Tensão entre Brasil e EUA elevou procura por OneWeb, revela Eutelsat

Tensão entre Brasil e EUA elevou procura por OneWeb, revela Eutelsat
Tensão entre Brasil e EUA elevou procura por OneWeb, revela Eutelsat

Rodrigo Campos relata demanda por conectividade criptografada para operações críticas e afirma que empresa manterá modelo de atacado

A Eutelsat registrou um aumento expressivo da procura por serviços da constelação OneWeb durante o agravamento das tensões geopolíticas entre Brasil e Estados Unidos. Segundo Rodrigo Campos, diretor-geral da Eutelsat do Brasil, empresas que dependem de comunicações contínuas buscaram alternativas de conectividade para reduzir a exposição à infraestrutura de um único fornecedor.

A informação foi apresentada nesta quinta-feira, 15, durante o painel “Dados do espaço: o novo mercado satelital”, realizado no 22º Wireless Mundi, promovido pelo Tele.Síntese em São Paulo, nesta quinta-feira, 15.

“Quando a gente teve a escalada das discussões geopolíticas Brasil, Estados Unidos, especialmente, a gente viu uma demanda muito grande naquelas semanas pelos serviços LEO da OneWeb”, afirmou Campos.

O executivo explicou que a procura esteve associada ao receio de interrupção das comunicações em operações que não podem ficar desconectadas, diante das consequências financeiras e operacionais de uma eventual indisponibilidade.

A Eutelsat não informou o número de novos contratos, o volume de capacidade solicitado ou o crescimento percentual da demanda no período.

Empresas buscam reduzir dependência de fornecedores

Campos afirmou que a preocupação com a soberania digital passou a fazer parte das decisões de contratação de empresas privadas, não ficando restrita aos governos.

Segundo ele, organizações com operações críticas começaram a avaliar alternativas que oferecessem maior independência em relação a fornecedores específicos.

O executivo informou que a Eutelsat oferece serviços criptografados e redes privadas, utilizados por clientes que precisam preservar a continuidade das comunicações.

Na sua avaliação, a neutralidade dos fornecedores e a possibilidade de utilizar diferentes infraestruturas ganharam relevância em um ambiente de maior tensão geopolítica.

Campos não identificou as empresas que procuraram a Eutelsat nem relatou interrupções concretas de serviços relacionadas às disputas internacionais.

A manifestação se refere à demanda comercial observada pela companhia diante do receio de indisponibilidade das redes.

OneWeb recebeu € 7,1 bilhões em investimentos

O diretor-geral informou que os investimentos acumulados na constelação OneWeb chegaram a € 7,1 bilhões até o primeiro trimestre de 2026.

Segundo Campos, a construção de uma constelação representa apenas parte dos recursos necessários para operar serviços satelitais em escala global.

A infraestrutura também depende de estações terrestres, pontos de interconexão, sistemas de operação e acordos com diferentes países.

O executivo destacou a importância dos gateways, que conectam a rede espacial à infraestrutura terrestre e permitem encaminhar o tráfego para redes de transporte e centros de processamento de dados.

Campos afirmou que a capacidade de negociação com governos e autoridades reguladoras também é necessária para a prestação dos serviços em diferentes regiões.

Na sua avaliação, os investimentos e as condições geopolíticas influenciam a possibilidade de operação internacional das constelações.

Eutelsat manterá modelo de atacado se entrar no D2D

Apesar da expansão das tecnologias de comunicação direta entre satélites e dispositivos móveis, a Eutelsat pretende preservar sua estratégia comercial baseada em parceiros.

Campos informou que a companhia realizou, em 2025, um teste de comunicação direta com dispositivos em conjunto com Airbus e MediaTek.

Segundo ele, a experiência demonstrou a viabilidade técnica da tecnologia Direct-to-Device (D2D), mas a empresa ainda não decidiu lançar um serviço comercial.

Caso avance nesse mercado, a tendência é manter a distribuição indireta.

“Eu não vou no cliente final direto, a gente tem os nossos parceiros em cada país, independentemente da vertical”, afirmou.

O executivo explicou que a Eutelsat atua como fornecedora de infraestrutura e capacidade satelital, enquanto parceiros comerciais são responsáveis pelo atendimento aos clientes nos diferentes mercados.

Esse modelo é utilizado tanto para aplicações baseadas em satélites geoestacionários quanto para serviços da constelação OneWeb.

A companhia não anunciou contratos de D2D com operadoras brasileiras nem apresentou cronograma para lançamento do serviço no país.

Parcerias continuarão necessárias, avalia executivo

Questionado sobre a possibilidade de empresas satelitais passarem a disputar diretamente os consumidores das operadoras móveis, Campos afirmou que a cooperação continuará sendo necessária.

Segundo ele, a prestação de serviços em diferentes países exige capacidade comercial, operação local, atendimento e cumprimento dos níveis de qualidade contratados.

O executivo avaliou que os modelos de negócios deverão se adaptar às características de cada mercado, incluindo a capacidade de pagamento dos usuários.

Na sua visão, o formato adotado no Brasil poderá ser diferente daquele utilizado em outras regiões.

Campos também destacou que a expansão dos serviços D2D ainda depende de definições comerciais e regulatórias, além da evolução tecnológica.

Durante o painel, Leandro Gaunszer, coordenador do Comitê de Espectro Terrestre e Não Terrestre do IBTD, explicou que as empresas podem utilizar frequências próprias dos serviços móveis por satélite ou estabelecer acordos com operadoras celulares para operar em faixas terrestres.

Cada alternativa poderá resultar em diferentes responsabilidades comerciais e operacionais.

Eutelsat critica equiparação de preços do espectro

Campos também questionou a possibilidade de utilizar os valores pagos pelas operadoras móveis nos leilões de 4G e 5G como referência para o preço das frequências destinadas aos serviços satelitais.

“Cobrar a mesma coisa do espectro satélite comparado com o espectro 4G, 5G, isso para mim é completamente fora de questão”, afirmou.

Segundo o executivo, os mercados possuem características técnicas e econômicas diferentes, além de estruturas próprias de investimento.

Na sua avaliação, elevar os custos de acesso ao espectro satelital poderia criar barreiras à expansão da conectividade, especialmente em localidades onde a implantação de redes terrestres enfrenta dificuldades econômicas.

Campos defendeu a neutralidade tecnológica nas políticas públicas e na regulação das telecomunicações.

O executivo também apontou que os satélites complementam as redes terrestres, permitindo atender localidades que ainda não possuem cobertura convencional.

A manifestação não foi acompanhada de proposta formal de revisão dos preços de licenciamento nem de anúncio de medida regulatória pela Anatel.

Soberania e neutralidade deverão orientar o mercado

Na avaliação de Campos, a expansão das constelações e o desenvolvimento de tecnologias multiórbita estão alterando as relações entre operadores satelitais, empresas móveis e governos.

O executivo citou o projeto europeu IRIS² como exemplo de iniciativa voltada à construção de infraestrutura espacial com requisitos de soberania.

Segundo ele, diferentes arquiteturas podem atender necessidades distintas de controle, capacidade e latência.

Campos defendeu que os países avaliem combinações de tecnologias e parcerias, em vez de depender exclusivamente de uma única solução.

Para o diretor-geral da Eutelsat, a continuidade dos investimentos dependerá também de estabilidade regulatória, segurança jurídica e condições econômicas adequadas.

A companhia não anunciou novos contratos ou investimentos específicos para o Brasil durante o painel. As informações apresentadas envolveram o aumento da procura pela OneWeb, os investimentos acumulados na constelação e a estratégia de distribuição indireta que a Eutelsat pretende preservar diante da evolução do D2D.

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