SES cresce receita em 13% no terceiro trimestre

A operadora de satélites SES registrou receita de 870 milhões de euros no terceiro trimestre de 2026. Foi um crescimento de 13,7% em relação ao mesmo período do ano passado. O avanço foi impulsionado pela aquisição da Intelsat. Mas, ao considerar os resultados das duas empresas nos dois períodos comparados e eliminar os efeitos cambiais, o avanço foi de 4,2%, segundo balanço divulgado pela companhia na quinta-feira, 5.
Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado somou 413 milhões de euros entre julho e setembro, alta de 30,3% na comparação anual. Considerando os ajustes pela aquisição e pelo câmbio, o crescimento foi de 18,6%.
A companhia também registrou lucro líquido de 1 milhão de euros atribuível aos acionistas, revertendo o prejuízo de 62 milhões de euros apurado no terceiro trimestre de 2025.
Divisões
A divisão de redes concentrou a maior parte do faturamento: 556 milhões de euros. Desse total:
- 234 milhões de euros vieram de serviços de mobilidade;
- 216 milhões de euros, de contratos com governos e defesa;
- e 105 milhões de euros, de serviços de dados fixos.
Já a unidade de mídia (que reúne principalmente serviços de distribuição de conteúdo audiovisual) faturou 304 milhões de euros.
Na comparação anual ajustada, a receita de mobilidade cresceu 19,3%, enquanto o segmento de governos e defesa avançou 4,2%. Em contrapartida, os serviços de dados fixos recuaram 12,3%, e a unidade de mídia apresentou queda de 0,1%.
O resultado de mobilidade inclui um impacto positivo de 54 milhões de euros decorrente de renegociações contratuais no setor aéreo. "Embora o segmento de dados fixos continue enfrentando dificuldades, observamos alguma melhora em relação ao segundo trimestre", afirmou o CEO da SES, Adel Al-Saleh.
Efeito Intelsat
A aquisição da Intelsat, concluída em julho de 2025, também teve impacto nos resultados acumulados do grupo. Entre janeiro e setembro, o faturamento alcançou 2,47 bilhões de euros, crescimento de 41,8%.
Entretanto, na comparação que considera a Intelsat integralmente nos dois períodos e neutraliza a variação cambial, houve queda de 2%. O Ebitda ajustado acumulado atingiu 1,14 bilhão de euros, avanço de 35,7% em valores reportados e de 1,4% na comparação ajustada.
Apesar do aumento da receita, a SES acumulou prejuízo líquido de 175 milhões de euros nos nove primeiros meses do ano, ante resultado negativo de 48 milhões de euros no mesmo intervalo de 2025. O prejuízo ajustado foi de 82 milhões de euros, revertendo o lucro de 72 milhões de euros registrado um ano antes.
Segundo a empresa, o desempenho foi pressionado pelo aumento de 285 milhões de euros nas despesas com depreciação e amortização, principalmente em razão da compra da Intelsat. As despesas financeiras líquidas também subiram, passando de 104 milhões para 235 milhões de euros.
Futuro
Para o fechamento de 2026, a SES manteve a previsão de estabilidade na receita e no Ebitda ajustado, considerando os resultados das duas empresas e o câmbio constante.
A operadora também reduziu a estimativa de investimentos de 700 milhões para cerca de 600 milhões de euros, excluindo os gastos com a liberação da banda C nos Estados Unidos.
Já a carteira de contratos alcançou 10 bilhões de euros, incluindo 3,4 bilhões de euros associados ao projeto europeu de satélites IRIS², enquanto o índice de endividamento líquido sobre Ebitda ajustado ficou em 3,7 vezes.


