Pesquisa revela baixo nível de maturidade no uso de IA no Brasil

Uma pesquisa feita apenas com empresas brasileiras indica baixos níveis de maturidade no uso da Inteligência Artificial (IA) no País, inclusive entre as maiores corporações. Levando em conta sete critérios relacionados à adoção da tecnologia, o estudo aponta que 45% dos negócios passam em branco em todos eles.
Coproduzido pelas consultorias Cena Digital e Leega, o Raio X da IA no Brasil ouviu 150 diretores de Tecnologia (CIO) de empresas espalhadas por 14 estados.
O levantamento mostra que, dessa amostra, apenas duas empresas atingem seis das sete dimensões de maturidade (mesmo assim, não preenchem todos os quesitos). Além disso, 77% só atendem a, no máximo, dois critérios.
Confira, a seguir, as sete dimensões e os respectivos níveis de maturidade no mercado brasileiro – a pesquisa considera maturidades respostas de CIOs como "existe", "está aprovado" ou "está em uso" dentro da empresa.
- Indicadores: 45%
- Estratégia: 30%
- Casos de uso: 20%
- Letramento: 15%
- Governança: 11%
- Custo e ROI: 6%
- Plataforma: 5%
Segundo o estudo, o critério mais avançado no País é o de indicadores de trabalho com IA (45%), ainda que não seja uma realidade para metade do mercado. Em seguida, aparecem estratégia (30%) e casos de uso (20%), embora também apresentem baixos níveis de maturidade.
"A gente vê muita pressão do board para usar IA, mas, muitas vezes, sem estratégia. O importante é envolver o C-level para ele entender o que é a IA, o que é possível fazer e onde usar. Estamos falando de uma abordagem bem pensada para trazer resultado", explicou Renata Serra, head de IA da Leega, em evento online de apresentação da pesquisa, realizado na quinta-feira, 29.
De acordo com ela, o critério de casos de uso ainda é baixo porque não se trata apenas de usar a IA por usar, mas fazer uma gestão completa do experimento, com um pipeline estruturado, envolvendo ideia, produção e observabilidade.
O cenário não é diferente no que diz respeito a letramento (15%). Para a pesquisa, o que vale é se a empresa dispõe de uma trilha de aprendizado, e não se promoveu uma palestra isolada para os funcionários.
Maiores problemas
De todo modo, de acordo com o estudo, os principais gargalos da IA no Brasil estão relacionados às dimensões de governança (11%), gestão de custos (6%) e plataforma (5%).
No caso, a pesquisa indica que poucas empresas, de fato, avaliam os custos e o retorno sobre o investimento (ROI) ao adotar a IA. Adicionalmente, a instituição de comitês para definição de políticas e acompanhamento dos impactos da tecnologia ainda é exceção.
No que diz respeito à plataforma, o estudo aponta que, em geral, a IA é utilizada sem monitoramento pela equipe de TI. De forma prática, o uso de gateway corporativo (uma camada que conecta a rede interna a serviços externos) não é padrão. Sendo assim, cada equipe acaba utilizando modelos de IA por conta própria, sem o devido gerenciamento.
Nível baixo em todos os cenários
Conforme o estudo, mesmo entre as maiores empresas do País (faturamento acima de R$ 5 bilhões por ano), a maturidade no uso da IA é baixa. Os dados mostram que 25% desses negócios zeram em todos os critérios da pesquisa.
Na faixa de R$ 1 bilhão a R$ 5 bilhões, 44% não alcançam nenhuma dimensão. O percentual sobe para 51,5% nas empresas com receita anual de R$ 300 milhões a R$ 1 bilhão e chega a 68,4% entre R$ 50 milhões e R$ 300 milhões.
Abaixo desse patamar (faturamento até R$ 50 milhões por ano), mais da metade (56,25%) também zera em todos os critérios de adoção da IA.
"O executivo brasileiro ainda está muito no hype dos LLMs [grandes modelos de linguagem] e não vê o valor que a IA pode trazer, sobretudo a IA preditiva, a IA que faz gestão de ativos. Ainda falta uma conscientização do que é a tecnologia", comentou Sérgio Hart, CEO e fundador da Cena Digital.


