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TELETIME News13/10/2026por Ana Beatriz Basso*

O laboratório do 5G tem plateia

O laboratório do 5G tem plateia
Artigo da leitora O laboratório do 5G tem plateia 13/10/26, 14:07   Atualizado em 13/10/26, 14:07
1,6 milhão de pessoas foram ao show de Madonna da Praia de Copacabana, em 2023. Evento aumentou tráfego de dados 5G das operadoras nacionais. Imagem: Fabio Motta/Prefeitura do Rio

Um show esgotado, um festival de música, uma final esportiva ou uma grande feira internacional têm algo em comum além da multidão: todos colocam à prova a capacidade das redes móveis de suportar dezenas de milhares de pessoas conectadas simultaneamente.

Hoje, os grandes eventos deixaram de ser apenas entretenimento. Tornaram-se verdadeiros laboratórios para a evolução das telecomunicações. É neles que operadoras e fornecedores de tecnologia testam, em condições extremas, soluções que mais tarde passam a fazer parte da rotina de milhões de usuários.

O desafio é enorme. Em poucas horas, um único estádio ou arena pode concentrar um volume de tráfego de dados equivalente ao consumo diário de uma pequena cidade. A expectativa em eventos desse porte é que o tráfego ultrapasse 50 terabytes durante uma única apresentação ou partida. São milhares de pessoas gravando vídeos em alta resolução, fazendo transmissões ao vivo, utilizando aplicativos de transporte, realizando pagamentos digitais e compartilhando cada momento nas redes sociais.

Essa demanda vai muito além da velocidade para assistir a um vídeo. A qualidade da conectividade impacta toda a experiência do público. É ela que determina, por exemplo, se um pagamento por aproximação será aprovado em poucos segundos, se um aplicativo de mobilidade conseguirá localizar um motorista rapidamente ou se uma transmissão ao vivo acontecerá sem interrupções.

Para suportar esse cenário, as redes 5G utilizam uma combinação inteligente de diferentes faixas de frequência. As frequências mais baixas, redirecionadas do LTE para o 5G, asseguram cobertura extensa e melhor penetração indoor; a banda-C oferece ampla cobertura com boa capacidade; e as ondas milimétricas (mmWave) entregam velocidades extremamente altas em ambientes com grande concentração de usuários. Juntas, essas tecnologias permitem que dezenas de milhares de dispositivos permaneçam conectados ao mesmo tempo, mesmo em espaços limitados.

Os impactos dessa evolução também transformam a produção audiovisual. Equipamentos mais leves, smartphones e câmeras conectadas por redes sem fio vêm substituindo parte das estruturas tradicionais de transmissão. O resultado são coberturas mais flexíveis, ágeis e capazes de levar imagens em alta qualidade para qualquer lugar praticamente em tempo real, aumentando a emoção do torcedor, como vimos recentemente no último campeonato mundial de futebol.

Um recente exemplo emblemático dessa transformação vem do automobilismo. Neste ano, durante o Grande Prêmio do Japão de Fórmula 1, a SoftBank e a Ericsson colocaram em prática, no Circuito de Suzuka, o que pode ser considerado o caso mais avançado de conectividade diferenciada em grandes eventos já documentado. 

Com 315 mil pessoas presentes ao longo dos três dias de corrida, a rede operou com cinco network slices simultâneos sobre 5G Standalone, cada um garantindo um nível de serviço distinto: transmissões ao vivo, pagamentos digitais, aplicativos de mobilidade e navegação geral do público convivendo na mesma infraestrutura sem interferência mútua. 

Tudo isso graças à atualização da rede. Antenas avançadas e ondas milimétricas ampliaram a capacidade; e a configuração do 5G SA permitiu garantir a qualidade e a experiência do usuário de forma autônoma e contínua. Os resultados foram expressivos. Mesmo com o circuito lotado, os usuários registraram velocidades de download até 4x maiores e de upload até 14x maiores em comparação ao ano anterior.

Esse tipo de comportamento obriga as operadoras a reconfigurarem suas redes em tempo real, trazendo um aprendizado importante para toda a indústria: a conectividade do futuro precisa oferecer não apenas velocidade para baixar informações, mas também capacidade para que milhões de pessoas produzam conteúdo simultaneamente.

As grandes empresas do setor acompanham essa transformação de perto. A experiência adquirida em shows, festivais, grandes eventos esportivos, aeroportos e centros de convenções contribui para o desenvolvimento de soluções que depois são aplicadas em ambientes urbanos, sistemas de transporte, hospitais e outros locais de alta circulação.

No fim das contas, os grandes eventos funcionam como uma espécie de laboratório em escala real. É ali, diante de milhares de pessoas conectadas ao mesmo tempo, que se descobre as possibilidades trazidas pela última geração de conectividade. E, embora o público dificilmente perceba, boa parte das inovações que tornam esses momentos mais fluidos, seguros e imersivos acaba chegando, pouco tempo depois, ao celular que usamos todos os dias.

*- Sobre a autora: Ana Beatriz Basso é CMO da Ericsson para o Cone Sul da América Latina. As opiniões expressas nesse artigo não necessariamente representam o ponto de vista de TELETIME

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