Mulheres avançam em telecom, mas acesso ao topo ainda é desafio

Rafael Bucco
- 12 de outubro de 2026 | 18:38
Executivas de TelComp, Hughes e Eletronet comentam barreiras à ascensão profissional e participação feminina nas decisões do setor.
A presença de mulheres em cargos de liderança nas telecomunicações tem avançado, mas o acesso às presidências e aos conselhos das empresas ainda encontra obstáculos. Em entrevista à TV Síntese, Natália Ligieri, gerente de Comunicação e Marketing da TelComp; Sabrina Ferrari, vice-presidente Jurídica e Regulatória da Hughes Telecomunicações do Brasil; e Luciana Tannure, executiva de Relacionamento da Eletronet no setor elétrico, discutiram os desafios para ampliar a participação feminina nas decisões do setor.
O assunto também foi tema do painel “Da Sustentação ao Futuro Estratégico Digital: Liderança Feminina nas Telecomunicações”, realizado em 7 de outubro, durante a Futurecom 2026. Além das três entrevistadas, o debate reuniu Cristiana Camarate, superintendente de Relações com Consumidores da Anatel; Daniele Persegani, sócia-fundadora de Persegani Advocacia; Elen Savini, especialista em Excelência Operacional e Gestão de Projetos; e Tatiana Soares, gerente de Pós-venda do Grupo Arion.
Poucas referências no topo
Na entrevista, Natália afirmou perceber mais mulheres em posições de liderança, mas ressaltou que essa presença permanece reduzida nos postos de CEO e nos conselhos. Também relatou situações em que profissionais ainda são vistas como responsáveis por tarefas de apoio, mesmo quando participam de reuniões de negócios.
Para Sabrina, a escassez de mulheres no topo dificulta a construção de referências para quem inicia a carreira. A executiva contou que o sentimento de pertencimento foi um dos seus desafios no segmento de satélites, que descreveu como predominantemente masculino.
“Eu acho que a gente precisa abrir espaço, para o novo se a gente quiser inovar”, afirmou. Na avaliação da executiva, ampliar a diversidade das pessoas ouvidas faz parte da transformação do ambiente empresarial.
Luciana, que relatou ter 30 anos de trajetória em telecomunicações, reconheceu o apoio de gestores homens ao longo da carreira, mas apontou a falta de referências femininas. “O teto de vidro a gente precisa muitas vezes quebrar porque esse funil existe”, disse.
Contratação e remuneração
As entrevistadas também abordaram as barreiras na contratação e as diferenças salariais. Natália afirmou que a remuneração é um tema recorrente nas conversas do projeto TelComp com Elas, que reúne profissionais com passagens por diferentes empresas do setor. A entrevista não apresentou dados quantitativos sobre essa diferença.
Sobre maternidade, Luciana citou o caso de uma profissional contratada durante a gravidez. Natália ponderou que experiências desse tipo ainda são raras entre os relatos que acompanha.
Sabrina defendeu que as empresas examinem os critérios usados para escolher candidatos e questionem os vieses envolvidos nas decisões. Para ela, a ascensão feminina pode ocorrer sem políticas internas específicas de diversidade, mas se torna mais difícil.
Participação na estratégia
Luciana defendeu que a trajetória das mulheres avance das funções operacionais para os níveis táticos e estratégicos. Em sua avaliação, compreender os objetivos de negócio da empresa — como expansão geográfica, mudanças de produto ou posicionamento de marca — contribui para essa participação.
A executiva também afirmou que cabe às lideranças transmitir a estratégia às equipes, permitindo que profissionais da base participem das discussões sobre os rumos da companhia. Para as entrevistadas, ampliar os espaços de conversa e dar visibilidade às trajetórias femininas ajuda outras mulheres a se reconhecerem como possíveis ocupantes desses cargos.
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