Microsoft levará chips de IA à escala de gigawatts

Adriano Camargo- 13 de outubro de 2026 | 14:03
Azure Maia terá instalações de múltiplos gigawatts em 2027; nova geração de aceleradores promete 40% mais tokens por megawatt.

A Microsoft anunciou nesta terça-feira, dia 13, que ampliará a implantação de seus aceleradores de IA Azure Maia para instalações com potência de múltiplos gigawatts a partir de 2027. A expansão será acompanhada pelo lançamento do Maia 300, projetado para aumentar a eficiência do processamento de modelos de IA nos data centers da companhia.
Segundo a empresa, a nova geração deverá processar 40% mais tokens por megawatt do que os principais sistemas baseados em unidades de processamento gráfico (GPUs). Em uma configuração com 96 aceleradores, o Maia 300 poderá entregar até sete vezes mais tokens por rack do que o Maia 200, atualmente utilizado em serviços da Microsoft.
O anúncio foi feito por Scott Guthrie, vice-presidente executivo de Cloud + AI. O objetivo é transformar a família Maia na principal infraestrutura de inferência dos produtos e serviços da companhia, incluindo aplicações de IA generativa e agentes capazes de executar tarefas em múltiplas etapas.
Maia 300 terá racks de 167 kW
O novo sistema foi desenvolvido para processar modelos que exigem grandes volumes de memória, baixa latência e capacidade de executar operações simultâneas.
Cada rack reunirá 96 aceleradores, com limite de potência de 167 kW, 27,6 TB de memória de alta largura de banda (HBM) e taxa agregada de transferência de dados de 1,7 petabyte por segundo (PB/s).
Individualmente, os chips terão oito conjuntos de memória HBM4, capazes de fornecer até 18 TB/s de largura de banda, com potência térmica de projeto de 950 watts.
A arquitetura utiliza múltiplos chiplets, que separam as funções de computação, controle de memória e entrada e saída de dados. Os componentes responsáveis pelo processamento serão fabricados pela TSMC com tecnologia N2P, de 2 nanômetros.
A Microsoft também adotou um sistema de fluxo de dados definido por software, destinado a reduzir a movimentação de informações entre os componentes. A abordagem busca enfrentar uma das limitações das aplicações de inferência: o tempo e a energia necessários para transferir dados entre memória e processadores.
Ethernet conecta aceleradores em escala de data center
A arquitetura do Maia 300 utiliza interconexões de alta largura de banda para distribuir tarefas entre os chips, incluindo operações de paralelismo de tensores empregadas no processamento de modelos de inteligência artificial.
A comunicação entre aceleradores e racks será realizada por um mecanismo próprio de transporte de dados, desenvolvido para operar sobre infraestrutura baseada em Ethernet.
Segundo a Microsoft, essa configuração permitirá ampliar os sistemas de um único rack para instalações completas de data centers, integrando recursos de computação, memória e rede.
A companhia pretende utilizar a maior densidade de processamento para atender mais interações simultâneas e executar modelos com janelas de contexto extensas, mantendo o consumo dentro dos limites energéticos estabelecidos para cada instalação.
Maia 200 já opera em três continentes
Enquanto prepara a próxima geração, a Microsoft amplia a implantação do Maia 200 nos Estados Unidos, na Europa e na Austrália.
O acelerador já atende cargas de produção do Microsoft Copilot e é utilizado pela equipe Microsoft AI (MAI) no desenvolvimento de modelos. A previsão é expandir sua utilização para o GitHub Copilot e o Microsoft Foundry até o fim de 2026.
De acordo com a companhia, o Maia 200 entrega até 1,7 vez mais tokens por watt em determinadas cargas de trabalho de inteligência artificial integradas ao Microsoft Teams, Copilot e Cowork, em comparação com plataformas de referência baseadas em GPUs. O sistema executa modelos da OpenAI, da própria Microsoft e de famílias de código aberto.
A entrada do Maia 300 em produção está prevista para 2027, quando a empresa também começará a ampliar o Azure Maia para instalações de múltiplos gigawatts.
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