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TeleSíntese26/10/2026por Adriano Camargo

Meta recorre ao mercado para financiar expansão de data centers

Meta recorre ao mercado para financiar expansão de data centers
Meta recorre ao mercado para financiar expansão de data centers

Meta planeja captar até US$ 95 bilhões com emissão de ações; NVIDIA, AMD e Broadcom avaliam participar da oferta.

Meta

A Meta anunciou, nesta segunda-feira, um plano para captar até US$ 95 bilhões no mercado acionário norte-americano, com o objetivo de financiar a expansão de sua infraestrutura de IA. A operação prevê ofertas públicas de aproximadamente US$ 35 bilhões e um programa adicional de venda de ações de até US$ 60 bilhões, previsto para começar após o início das negociações de uma nova classe de papéis, no primeiro trimestre de 2027.

O financiamento ocorre em um período de ampliação dos investimentos da companhia em data centers, equipamentos de processamento e capacidade computacional. Para 2026, a controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp projeta despesas de capital entre US$ 135 bilhões e US$ 145 bilhões, incluindo pagamentos de principal de arrendamentos financeiros.

A primeira etapa da captação será composta por US$ 22,5 bilhões em ações ordinárias Classe A e aproximadamente US$ 12,5 bilhões em certificados de depósito representativos de ações preferenciais obrigatoriamente conversíveis. As ofertas foram lançadas simultaneamente, mas a conclusão de uma não depende da realização da outra.

No caso das ações ordinárias, a Meta pretende utilizar contratos de venda futura (forward sale agreements) com instituições financeiras. A companhia não receberá inicialmente os recursos dessa parcela, que serão transferidos conforme a liquidação dos contratos, prevista para ocorrer até novembro de 2027.

Fabricantes de chips avaliam participar da oferta

NVIDIA, AMD e Broadcom manifestaram interesse em adquirir, conjuntamente, até US$ 5 bilhões em ações ordinárias Classe A da Meta, nas mesmas condições oferecidas aos demais investidores.

A manifestação, porém, não constitui compromisso vinculante. As três fabricantes poderão adquirir quantidades diferentes das inicialmente indicadas ou desistir de participar da operação.

As empresas fornecem semicondutores e tecnologias utilizadas em infraestrutura de IA. O comunicado não vincula a eventual participação na oferta à assinatura de novos contratos comerciais.

Investimentos em data centers pressionam fluxo de caixa

A intenção de financiamento acompanha a ampliação da infraestrutura computacional da Meta. Segundo a companhia, sua rede de data centers próprios está presente em 23 estados norte-americanos, enquanto quatro complexos de processamento, denominados superclusters, estão em construção, cada um com capacidade superior a 1 gigawatt.

A empresa também prevê praticamente dobrar sua capacidade total de infraestrutura em 2026, na comparação com o ano anterior. Os investimentos contemplam equipamentos de processamento, desenvolvimento de chips próprios e medidas para reduzir o custo operacional das cargas de trabalho de IA.

Os resultados financeiros do terceiro trimestre mostram os efeitos dessa expansão sobre a geração de caixa. Entre julho e setembro, a Meta registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões, ante resultado positivo de US$ 10,63 bilhões no mesmo período de 2025.

Apesar do indicador trimestral, a companhia manteve fluxo de caixa livre positivo de aproximadamente US$ 11,05 bilhões no acumulado dos nove primeiros meses de 2026. Já o caixa gerado pelas atividades operacionais, antes dos desembolsos de investimento, alcançou cerca de US$ 97 bilhões no período.

Ao final de setembro, a Meta possuía US$ 82,45 bilhões em caixa, equivalentes de caixa e aplicações financeiras, enquanto sua dívida de longo prazo somava US$ 80,92 bilhões.

O relatório trimestral apresentado à Securities and Exchange Commission (SEC) também detalha compromissos financeiros associados à infraestrutura. Entre eles estão contratos não canceláveis de aproximadamente US$ 454,52 bilhões, abrangendo principalmente serviços de nuvem, servidores, equipamentos de rede e fornecimento de energia para data centers.

O documento registra ainda US$ 355,73 bilhões em obrigações de arrendamento cujos períodos contratuais ainda não começaram. Esses compromissos incluem instalações de processamento, infraestrutura energética e espaços de colocation, com início previsto entre 2026 e 2036. Os valores representam obrigações futuras, não despesas integralmente realizadas.

Nova classe de ações preservará controle de Zuckerberg

A segunda etapa do plano de financiamento prevê a criação de um programa de venda de ações Classe C diretamente no mercado, conhecido como at-the-market (ATM), com valor potencial de até US$ 60 bilhões.

A operação deverá ocorrer após o início das negociações desses papéis, previsto para o primeiro trimestre de 2027. A Meta ressalvou que ainda não firmou os acordos necessários para implementar o programa e que não há garantia sobre seu lançamento ou o volume efetivamente comercializado.

A nova Classe C foi aprovada pelo conselho de administração em outubro, com vigência prevista para janeiro de 2027. Os papéis não terão direito a voto, permitindo à companhia captar recursos, remunerar empregados e realizar eventuais aquisições sem alterar o poder político dos atuais acionistas.

A medida preserva a estrutura de controle liderada pelo fundador e CEO Mark Zuckerberg. A Meta pretende distribuir uma ação Classe C para cada ação Classe A ou Classe B existente, em operação com efeito equivalente a um desdobramento acionário de dois para um.

A empresa informou que pretende financiar sua expansão por meio da combinação de geração operacional de caixa, emissão de dívida, parcerias estratégicas e recursos provenientes do mercado acionário.

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