Leilão de 6 GHz pode financiar data centers fora dos grandes mercados

Paula Coutinho- 15 de outubro de 2026 | 15:48
Proposta em consulta prevê compromissos de infraestrutura digital para acompanhar a expansão da capacidade das redes móveis
A proposta do leilão da faixa de 6 GHz prevê a possibilidade de destinar parte dos compromissos associados às autorizações de espectro à implantação de infraestrutura de processamento de dados em localidades com menor atratividade econômica. A medida foi detalhada por Leonardo Tostes, assessor do Conselho Diretor da Anatel, durante o 22º Wireless Mundi, realizado pelo Tele.Síntese nesta quinta-feira, 15, em São Paulo.

Segundo Tostes, o objetivo é evitar que o aumento da capacidade de transmissão das futuras redes móveis não seja acompanhado por investimentos suficientes em processamento de dados.
O assessor explicou que a proposta considera data centers de pequeno e médio porte, especialmente em regiões onde a expansão da infraestrutura digital não ocorreria necessariamente por iniciativa do mercado.
A obrigação ainda está em discussão na consulta pública do futuro edital de 6 GHz.
Capacidade de processamento acompanha evolução das redes
Tostes afirmou que a política de espectro precisa considerar outros componentes da infraestrutura digital além das redes de acesso.
Segundo ele, não basta disponibilizar frequências capazes de transportar volumes maiores de dados se a infraestrutura de processamento não acompanhar essa evolução.
O assessor explicou que a proposta busca antecipar uma possível insuficiência de capacidade em determinadas localidades.
A preocupação está relacionada à evolução das redes móveis e à expectativa de aumento da demanda por processamento de informações.
O compromisso foi apresentado como uma alternativa para direcionar investimentos a regiões nas quais o mercado não desenvolveria espontaneamente a infraestrutura necessária.
Tostes ressaltou que a intenção não é financiar data centers que já seriam implantados por razões comerciais.
Critérios de localização ainda precisam ser definidos
Questionado sobre a identificação das localidades que poderiam receber os investimentos, o assessor reconheceu que a proposta apresenta diferenças em relação às obrigações tradicionais de cobertura.
Nos leilões de frequências móveis, a agência pode identificar áreas sem atendimento e estabelecer compromissos de implantação de redes.
No caso dos data centers, entretanto, a definição das localidades envolve a avaliação de uma demanda futura por processamento.
Tostes explicou que a proposta busca antecipar uma lacuna que poderá se tornar mais relevante com a evolução das tecnologias móveis.
O assessor não apresentou uma relação de municípios, metas quantitativas ou estimativas de investimento para os possíveis compromissos.
Também não informou critérios definitivos para determinar quais localidades receberiam a infraestrutura.
Compromissos deverão evitar investimentos já previstos
Outro ponto discutido durante o painel foi a necessidade de impedir que os recursos associados ao leilão sejam utilizados para financiar projetos que já seriam executados pelas empresas.
Segundo Tostes, a proposta precisa estabelecer condições para que os investimentos representem uma ampliação efetiva da infraestrutura disponível.
O assessor mencionou a preocupação com a autonomia da infraestrutura em relação à empresa vencedora da licitação.
A discussão envolve a forma de execução dos compromissos e sua relação com a operação das redes móveis.
Tostes destacou que os parâmetros ainda poderão ser aperfeiçoados com as contribuições recebidas durante a consulta pública.
Setor debate condições econômicas do leilão
Luiz Henrique Barbosa, presidente executivo da TelComp, defendeu que os compromissos dos futuros leilões sejam compatíveis com a capacidade de investimento das prestadoras.
Segundo ele, os certames devem priorizar a expansão da infraestrutura e evitar exigências que antecipem investimentos sem condições de retorno econômico.
Barbosa também argumentou que a distribuição geográfica dos blocos de espectro precisa refletir a demanda efetiva de cada mercado.
Na avaliação do executivo, a combinação de obrigações e custos das autorizações influencia a participação das empresas nas licitações.
Tostes afirmou que a Anatel pretende utilizar a consulta pública para discutir o desenho dos blocos e dos compromissos antes da realização do certame.
O assessor explicou que a previsão de leilão em 2028 não implica implantação imediata de toda a infraestrutura.
As obrigações poderão ser escalonadas, conforme as condições estabelecidas no edital definitivo.
A inclusão de data centers representa uma proposta regulatória ainda sujeita a alterações. A Anatel não anunciou, durante o painel, valores, localidades ou metas definitivas para esses investimentos.
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