Impacto da inteligência preditiva e do Edge Computing nas rodovias brasileiras

Por décadas, a infraestrutura rodoviária no Brasil foi sinônimo de asfalto, sinalização e cabines de pedágio. Hoje, no entanto, estamos testemunhando uma revolução silenciosa: a estrada brasileira passou a operar sobre uma complexa camada digital. Considerando que a maior parte do fluxo geral de cargas do país é circulado por rodovias, modernizar esse modal não é apenas uma questão de inovação, mas de sobrevivência e competitividade econômica.
A transição de um modelo reativo para um modelo preditivo nunca foi tão necessária. Até pouco tempo atrás, a tecnologia nas estradas servia para registrar um acidente que já havia acontecido ou para cobrar a tarifa de um veículo parado. Hoje, o objetivo é cruzar dados de clima, imagens de câmeras com Inteligência Artificial e estatísticas em tempo real para que o operador tome uma medida antes que o incidente ocorra.
Vemos concessionárias implementando sistemas de pesagem de caminhões em movimento (HS-WIM), pedágios sem cancela (free flow) e softwares de monitoramento que filtram milhares de imagens para alertar sobre comportamentos de risco. No entanto, há um insumo vital e comum a todas essas inovações que vem de fora da estrada: a conectividade. Sem ela, a rodovia mais moderna do mundo volta a ser apenas asfalto.
O marco que deu origem à atual política de cobertura móvel em nossas rodovias foi o leilão do 5G, que estabeleceu a obrigatoriedade de cobrir as rodovias federais do país. Essa política pública é o alicerce para o que está por vir. E, do ponto de vista da arquitetura de rede, é essencial que a infraestrutura instalada nas rodovias disponha de mecanismos que fomente um espaço compartilhado e permita acesso a todos os usuários móveis do Brasil.
Mas a conectividade por si só é apenas o primeiro passo. A transformação acontece quando mudamos a forma como os dados são processados. Historicamente, as informações geradas por câmeras e sensores eram enviadas para data centers distantes na nuvem. Hoje, a aposta é na borda da conexão, em um conceito de Edge Computing. E, felizmente, o Brasil já dispõe de habilitadoras que integram processadores e modems, em um único ecossistema, conectando desde câmeras de monitoramento até os computadores de bordo.
A ação de reagir ao acidente para preveni-lo depende da arquitetura de dados e da conectividade que a alimenta.
O processamento de dados está migrando para o próprio veículo, para o smartphone do motorista ou para o equipamento instalado à beira da pista. Os ganhos dessa arquitetura descentralizada são imensuráveis, começando pela redução drástica na latência.
Se um sistema de Inteligência Artificial detecta um animal na pista, o alerta para os veículos próximos precisa ocorrer em milissegundos. A vida não pode esperar o dado ir à nuvem e voltar.
*- Sobre o autor – Maximiliano Martinhão é Diretor de Relações Governamentais da Qualcomm Brasil. As opiniões expressas nesse artigo não necessariamente representam o ponto de vista de TELETIME


