← Blog
TeleSíntese07/11/2026por Da Redação

Brasil adere a acordo para proteger satélites de telecom contra lixo espacial

Brasil adere a acordo para proteger satélites de telecom contra lixo espacial
Brasil adere a acordo para proteger satélites de telecom contra lixo espacial

Agência Espacial do Brasil e duas empresas nacionais aderiram à Carta Zero Debris, que prevê medidas para reduzir lixo espacial.

A Agência Espacial Brasileira (AEB) formalizou, nessa quarta-feira, 4, a adesão do Brasil à Carta Zero Debris, compromisso internacional para reduzir o lixo espacial e os riscos de colisões que podem afetar satélites de telecomunicações. A iniciativa, liderada pela Agência Espacial Europeia (ESA), estabelece objetivos para 2030 e prevê medidas de prevenção de detritos, rastreamento de objetos em órbita e descarte de equipamentos ao final de sua vida útil. As empresas brasileiras Visiona Espacial e Safe on Orbit também aderiram ao acordo.

Foto: Agência Espacial Brasileira

A assinatura ocorreu durante a 8ª Cúpula sobre Sustentabilidade Espacial. O compromisso reúne governos, empresas, universidades e organizações do setor espacial em torno de práticas destinadas a preservar as condições de operação dos satélites.

A iniciativa tem relação direta com a segurança da infraestrutura utilizada para transmissão de dados e prestação de serviços de comunicação. Satélites em funcionamento compartilham o ambiente orbital com fragmentos de foguetes, equipamentos desativados e resíduos produzidos por colisões anteriores.

Esses objetos podem atingir satélites operacionais, provocar danos e gerar novos fragmentos, aumentando os riscos para outras missões.

Proteção da infraestrutura de telecomunicações

A Carta Zero Debris contempla medidas para preservar as condições de operação dos satélites, incluindo aqueles empregados em redes de telecomunicações.

Entre os objetivos estão a prevenção de colisões, o planejamento do descarte de equipamentos ao final de sua vida útil e o aperfeiçoamento dos sistemas de vigilância e rastreamento de objetos espaciais.

A coordenação do tráfego orbital também integra o compromisso. O acompanhamento das trajetórias dos objetos permite identificar situações de risco e planejar manobras para evitar possíveis colisões.

Essas medidas são relevantes para a operação de sistemas de comunicação por satélite, cuja infraestrutura depende da manutenção de condições adequadas de segurança em órbita.

O comunicado da AEB não apresenta estimativas de perdas econômicas provocadas por detritos espaciais nem quantifica os riscos específicos para satélites de telecomunicações.

Descarte de satélites deverá ser considerado no planejamento
Outro ponto da Carta Zero Debris é a necessidade de planejar o destino dos equipamentos antes mesmo de seu lançamento.

A proposta é evitar que satélites permaneçam indefinidamente em regiões orbitais utilizadas por outros sistemas após o encerramento de suas operações.

Dependendo da altitude e das características do equipamento, poderão ser adotadas estratégias para retirá-lo da região operacional ou promover sua reentrada controlada na atmosfera.

O compromisso também prevê medidas para reduzir a ocorrência de explosões em órbita e os riscos associados à reentrada de componentes que possam atingir a superfície terrestre.

AEB e duas empresas brasileiras aderem ao compromisso

A adesão brasileira foi formalizada pela AEB, vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e acompanhada pela participação da Visiona Espacial e da Safe on Orbit.

Segundo o presidente da AEB, Marco Antonio Chamon, a sustentabilidade orbital deve ser considerada desde o desenvolvimento dos projetos espaciais.

“Entendemos que a sustentabilidade deve fazer parte do desenvolvimento das atividades espaciais desde o início, e não ser tratada como uma preocupação posterior”, afirmou.

Embora tenha implicações para a segurança das operações de satélites de telecomunicações, a adesão não foi acompanhada do anúncio de novas exigências regulatórias brasileiras para operadores de satélites.

O comunicado também não estabelece prazos específicos para a implementação das medidas no país. O horizonte de 2030 corresponde aos objetivos gerais da iniciativa internacional.

*Com assessoria de imprensa

Tags# brasil# lixo espacial
Governobrasillixo espacial

Outras matérias