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TeleSíntese14/10/2026por Adriano Camargo

GSMA cobra espectro e investimentos para avanço do 6G

GSMA cobra espectro e investimentos para avanço do 6G
GSMA cobra espectro e investimentos para avanço do 6G

Associação defende harmonização da faixa de 6 GHz, projeta US$ 1,2 trilhão em investimentos nas redes móveis e alerta para fraudes digitais.

MCom 6G

A GSMA defendeu a destinação da faixa superior de 6 GHz às redes móveis e a adoção de políticas regulatórias que sustentem os investimentos necessários à evolução do 5G e ao desenvolvimento do 6G. A posição foi divulgada após reunião do Conselho da associação em Nova Délhi, na Índia, que também discutiu os riscos de fraudes com inteligência artificial e os obstáculos à inclusão digital.

Segundo a entidade, países que representam mais de 80% da população mundial apoiam a utilização da faixa entre 6.425 MHz e 7.125 MHz por sistemas móveis, após sua identificação para telecomunicações móveis internacionais (IMT) na Conferência Mundial de Radiocomunicações de 2023 (CMR-23).

A GSMA considera esse espectro necessário para disponibilizar canais de 200 MHz a 400 MHz, previstos para atender às necessidades de capacidade das futuras redes 6G. A associação também defende a harmonização internacional das frequências para permitir o desenvolvimento de equipamentos compatíveis em diferentes mercados.

Operadoras devem investir US$ 1,2 trilhão até 2030

A entidade estima que as operadoras móveis investirão US$ 1,2 trilhão em expansão e modernização de redes entre 2025 e 2030. A projeção corresponde às despesas de capital previstas para o setor no período, e não a novos compromissos assumidos durante a reunião.

A expectativa é que o 5G represente 57% das conexões móveis mundiais ao final de 2030. Para a GSMA, a continuidade dos investimentos dependerá de condições regulatórias e comerciais que permitam às operadoras ampliar a capacidade das redes e desenvolver novas fontes de receita.

Entre as oportunidades discutidas estão os serviços empresariais que utilizam funcionalidades avançadas do 5G, incluindo o fatiamento de rede (network slicing), tecnologia que permite reservar recursos de conectividade para aplicações com requisitos específicos.

O Conselho também abordou a importância de padrões internacionais para o 6G, cuja definição deverá orientar o desenvolvimento das próximas gerações de equipamentos e infraestrutura.

Preço dos smartphones limita inclusão digital

A ampliação do acesso à internet móvel foi outra prioridade da reunião. Segundo o relatório State of Mobile Internet Connectivity 2026, da GSMA, aproximadamente 3,4 bilhões de pessoas ainda não utilizam esses serviços, embora grande parte viva em áreas com cobertura de banda larga móvel.

O preço dos aparelhos permanece entre as principais barreiras. Nos países de renda baixa e média, um smartphone básico com acesso à internet custa, em média, o equivalente a 44% da renda mensal dos 20% mais pobres. Na África Subsaariana, essa proporção chega a 76%.

A associação aponta que o aumento dos custos de componentes, especialmente memórias utilizadas nos dispositivos, acrescenta dificuldades à redução dos preços. Entre as alternativas discutidas estão financiamento para aquisição de aparelhos, incentivos tributários direcionados e maior cooperação com fabricantes.

O Conselho também manifestou preocupação com fraudes digitais que utilizam inteligência artificial, incluindo a produção de conteúdos falsificados e deepfakes. A GSMA defende ações conjuntas entre operadoras, instituições financeiras, empresas de tecnologia e autoridades reguladoras para identificar e combater essas práticas.

As iniciativas integram o programa United Against Scams, voltado à cooperação internacional na prevenção de golpes.

Brasil discute faixa de 6 GHz para redes móveis

A posição da GSMA coincide com o debate regulatório brasileiro sobre a utilização da faixa superior de 6 GHz. Em setembro, a Anatel abriu a Consulta Pública nº 37/2026, que apresenta uma proposta de edital para licitação de 700 MHz de espectro entre 6.425 MHz e 7.125 MHz.

Conforme reportamos, a proposta prevê a divisão do espectro em 14 lotes, com autorizações de uso por 20 anos e compromissos de expansão da infraestrutura de telecomunicações.

O edital submetido à consulta também contempla obrigações relacionadas à cobertura móvel e à implantação de infraestrutura digital. A proposta passou pela análise do Conselho Diretor da Anatel em setembro, com aprovação por quatro votos a um.

A faixa superior de 6 GHz está entre as frequências identificadas internacionalmente para sistemas IMT e integra as discussões sobre a disponibilidade de espectro para a evolução das redes móveis brasileiras.

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