Gartner prevê fim de mais da metade das startups quânticas

Da Redação- 13 de outubro de 2026 | 19:07
Mercado deve movimentar US$ 1,1 bilhão em 2027, mas dificuldades comerciais ameaçam fornecedores que não alcançarem avanços tecnológicos.

Mais de 50% das startups de computação quântica poderão encerrar suas atividades até 2030, segundo projeção do Gartner. A previsão ocorre apesar do crescimento esperado para o mercado mundial, cuja receita deverá alcançar US$ 1,1 bilhão em 2027, ante US$ 869,9 milhões estimados para este ano.
A consultoria avalia que o número atual de fornecedores é elevado em relação à demanda comercial. A consolidação deverá atingir principalmente empresas cujas tecnologias não conseguirem evoluir para a computação quântica tolerante a falhas (FTQC), necessária para executar cálculos com maior confiabilidade.
Em 2026, o faturamento global do setor deverá crescer 22,9% em relação ao ano anterior. O avanço acompanha os investimentos em desenvolvimento de algoritmos, patentes, parcerias e exploração de aplicações comerciais.
“Países e empresas ampliaram os investimentos em alfabetização em computação quântica, patentes, parcerias e exploração inicial de casos de uso”, afirma Gaurav Gupta, vice-presidente analista do Gartner.
Governo liderará gastos até 2027
O setor público deverá permanecer como o principal comprador de serviços de computação quântica até 2027, com despesas estimadas em US$ 245 milhões, ante US$ 219 milhões neste ano. Segundo o Gartner, os investimentos são motivados pelo interesse dos países em desenvolver capacidade tecnológica própria.
A liderança deverá passar ao setor bancário, financeiro e de seguros em 2028, quando os gastos dessas instituições chegarão a US$ 289 milhões, superando os US$ 280 milhões projetados para os governos.
Entre as aplicações consideradas para o mercado financeiro estão otimização de portfólios, modelagem de riscos e detecção de fraudes. A disponibilidade de capital também deverá contribuir para o aumento das despesas do segmento, que permanecerá na primeira posição até 2030.
Evolução dos qubits determinará permanência no mercado
A capacidade de desenvolver sistemas tolerantes a falhas será um dos fatores considerados na seleção das tecnologias que permanecerão comercialmente viáveis.
Essas arquiteturas buscam reduzir os efeitos dos erros presentes no processamento quântico, permitindo ampliar a complexidade e a confiabilidade das operações. Atualmente, diferentes fornecedores trabalham com modalidades distintas de qubits, unidades fundamentais de informação dos computadores quânticos.
Segundo Gupta, os avanços no desenvolvimento de algoritmos, na velocidade das portas lógicas e na escalabilidade estão ocorrendo mais rapidamente do que se esperava inicialmente.
O analista considera que os processadores quânticos ruidosos de escala intermediária já possuem qubits suficientes para executar determinadas tarefas complexas, embora ainda apresentem limitações.
CIOs iniciam preparação para adoção
Mesmo diante das incertezas comerciais, diretores de tecnologia (CIOs) começam a realizar investimentos em computação quântica para desenvolver conhecimento especializado e avaliar possíveis aplicações empresariais.
A recomendação do Gartner é que essas iniciativas sejam planejadas como projetos de longo prazo, considerando o estágio de desenvolvimento dos sistemas e a necessidade de identificar casos de uso com benefícios para os negócios.
“CIOs e líderes de TI devem tratar sua jornada quântica como um esforço de vários anos, com o objetivo de obter uma vantagem competitiva para os negócios em relação aos concorrentes mais próximos”, afirma Gupta.
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