Elea prevê impactos do Redata só em 2027
Rafael Bucco
- 26 de outubro de 2026 | 14:44
Companhia espera efeitos após regulamentação e detalha projetos no Rio de Janeiro e em Belém para atender demandas de nuvem e IA.
A Elea Data Centers prevê que os impactos do Redata sobre seus negócios começarão a aparecer em 2027, após a regulamentação e a definição dos equipamentos contemplados pelos incentivos. Em entrevista à TV Síntese, Fernanda Belchior, diretora de marketing e vendas da companhia, apresentou essa expectativa e detalhou os planos de expansão no Rio de Janeiro e em Belém, voltados ao atendimento de cargas de computação em nuvem e inteligência artificial.
A definição das Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) dos equipamentos e dos procedimentos de aplicação do regime precisam ser equacionadas para que os efeitos se concretizem. Belchior avalia que o Redata amplia as condições para aquisição de equipamentos importados sem equivalentes nacionais e sinaliza segurança jurídica aos investidores.
A diretora ressalta, porém, que o crescimento do setor não depende exclusivamente dos incentivos. De acordo com ela, o mercado de data centers já avança a taxas de dois dígitos, impulsionado pela nuvem, enquanto a inteligência artificial deve ampliar a demanda por infraestrutura.
Os efeitos do regime, em sua avaliação, serão percebidos principalmente a médio e longo prazo, acompanhando o desenvolvimento dos empreendimentos. “Mas a gente precisa agir agora, para que a gente consiga colher esses resultados nesse futuro próximo”, afirmou.
Belém terá implantação por etapas
Na capital paraense, a Elea planeja um data center com capacidade de carga de TI que pode chegar a 5 MW, começando com 1 MW. A implantação será faseada conforme as necessidades do cliente âncora. Segundo Belchior, há uma negociação em andamento, cujos detalhes permanecem confidenciais.
A executiva informou que o projeto dispõe de uma garantia inicial de 7,5 MW de energia e terá uma subestação próxima ao terreno. Esse volume de fornecimento energético é distinto da capacidade destinada às cargas de TI.
O empreendimento deverá atender aplicações de inteligência artificial e de computação em nuvem. A companhia também mantém conversas com federações, associações, operadoras e provedores locais para identificar demandas e preparar a conectividade da instalação.
“A gente entende que Belém é uma rota complementar à Fortaleza, que já é um hub super estabelecido no Nordeste”, disse Belchior.
Segundo a diretora, o sistema de refrigeração previsto para a unidade não utilizará água. A infraestrutura de telecomunicações está sendo discutida paralelamente ao desenvolvimento do projeto, incluindo topologias de rede e necessidades dos potenciais clientes.
Rio AI City tem 250 MW de energia garantida
No Rio de Janeiro, Belchior afirmou que a Elea já tem 250 MW de energia garantida para a etapa inicial de expansão do Rio AI City. O projeto prevê um horizonte de 1,5 GW em um cenário de 2030 em diante, com autorizações e implantação por fases.
A empresa já opera o RJ01, com capacidade informada de 4 MW, voltado a cargas de nuvem. A expansão ocorrerá com a construção modular de outras unidades para aplicações de cloud e inteligência artificial, acompanhando a demanda dos clientes âncora.
Mesmo com os 250 MW de energia assegurados, a operação começará com capacidade inferior a esse volume, explicou a executiva. O avanço também dependerá da preparação da infraestrutura de transmissão, das subestações e da cadeia de construção.
“Hoje, por conta desse volume, a energia é o fator preponderante para que esses projetos sejam conduzidos”, afirmou.
A Elea estuda alternativas para diversificar suas fontes de energia e soluções de backup. Belchior esclareceu, entretanto, que a companhia não tem projeto de autoprodução em andamento.
Nuvem, IA e repatriação de dados
A diretora vê oportunidades de expansão entre grandes provedores de nuvem que poderão ampliar o processamento de inteligência artificial no Brasil. Esse movimento, segundo ela, pode combinar instalações próprias e contratação de provedores de colocation, conforme as necessidades de cada aplicação.
Além da repatriação de dados processados no exterior, Belchior apontou a possibilidade de manter no país novas cargas decorrentes da digitalização de governos, instituições financeiras e outros setores. A executiva não estimou qual volume de dados poderia retornar ao Brasil.
Na operação regional, a companhia também avalia a expansão do BSB2, em Brasília, e alternativas de aquisições ou investimentos na infraestrutura existente em Porto Alegre. Segundo Belchior, a estratégia combina projetos de grande escala com a ampliação da presença em mercados fora do eixo Rio–São Paulo.
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