← Blog
TeleSíntese26/10/2026por Rafael Bucco

Elea prevê impactos do Redata só em 2027

Elea prevê impactos do Redata só em 2027
Elea prevê impactos do Redata só em 2027

Companhia espera efeitos após regulamentação e detalha projetos no Rio de Janeiro e em Belém para atender demandas de nuvem e IA.

A Elea Data Centers prevê que os impactos do Redata sobre seus negócios começarão a aparecer em 2027, após a regulamentação e a definição dos equipamentos contemplados pelos incentivos. Em entrevista à TV Síntese, Fernanda Belchior, diretora de marketing e vendas da companhia, apresentou essa expectativa e detalhou os planos de expansão no Rio de Janeiro e em Belém, voltados ao atendimento de cargas de computação em nuvem e inteligência artificial.

A definição das Nomenclaturas Comuns do Mercosul (NCMs) dos equipamentos e dos procedimentos de aplicação do regime precisam ser equacionadas para que os efeitos se concretizem. Belchior avalia que o Redata amplia as condições para aquisição de equipamentos importados sem equivalentes nacionais e sinaliza segurança jurídica aos investidores.

A diretora ressalta, porém, que o crescimento do setor não depende exclusivamente dos incentivos. De acordo com ela, o mercado de data centers já avança a taxas de dois dígitos, impulsionado pela nuvem, enquanto a inteligência artificial deve ampliar a demanda por infraestrutura.

Os efeitos do regime, em sua avaliação, serão percebidos principalmente a médio e longo prazo, acompanhando o desenvolvimento dos empreendimentos. “Mas a gente precisa agir agora, para que a gente consiga colher esses resultados nesse futuro próximo”, afirmou.

Belém terá implantação por etapas

Na capital paraense, a Elea planeja um data center com capacidade de carga de TI que pode chegar a 5 MW, começando com 1 MW. A implantação será faseada conforme as necessidades do cliente âncora. Segundo Belchior, há uma negociação em andamento, cujos detalhes permanecem confidenciais.

A executiva informou que o projeto dispõe de uma garantia inicial de 7,5 MW de energia e terá uma subestação próxima ao terreno. Esse volume de fornecimento energético é distinto da capacidade destinada às cargas de TI.

O empreendimento deverá atender aplicações de inteligência artificial e de computação em nuvem. A companhia também mantém conversas com federações, associações, operadoras e provedores locais para identificar demandas e preparar a conectividade da instalação.

“A gente entende que Belém é uma rota complementar à Fortaleza, que já é um hub super estabelecido no Nordeste”, disse Belchior.

Segundo a diretora, o sistema de refrigeração previsto para a unidade não utilizará água. A infraestrutura de telecomunicações está sendo discutida paralelamente ao desenvolvimento do projeto, incluindo topologias de rede e necessidades dos potenciais clientes.

Rio AI City tem 250 MW de energia garantida

No Rio de Janeiro, Belchior afirmou que a Elea já tem 250 MW de energia garantida para a etapa inicial de expansão do Rio AI City. O projeto prevê um horizonte de 1,5 GW em um cenário de 2030 em diante, com autorizações e implantação por fases.

A empresa já opera o RJ01, com capacidade informada de 4 MW, voltado a cargas de nuvem. A expansão ocorrerá com a construção modular de outras unidades para aplicações de cloud e inteligência artificial, acompanhando a demanda dos clientes âncora.

Mesmo com os 250 MW de energia assegurados, a operação começará com capacidade inferior a esse volume, explicou a executiva. O avanço também dependerá da preparação da infraestrutura de transmissão, das subestações e da cadeia de construção.

“Hoje, por conta desse volume, a energia é o fator preponderante para que esses projetos sejam conduzidos”, afirmou.

A Elea estuda alternativas para diversificar suas fontes de energia e soluções de backup. Belchior esclareceu, entretanto, que a companhia não tem projeto de autoprodução em andamento.

Nuvem, IA e repatriação de dados

A diretora vê oportunidades de expansão entre grandes provedores de nuvem que poderão ampliar o processamento de inteligência artificial no Brasil. Esse movimento, segundo ela, pode combinar instalações próprias e contratação de provedores de colocation, conforme as necessidades de cada aplicação.

Além da repatriação de dados processados no exterior, Belchior apontou a possibilidade de manter no país novas cargas decorrentes da digitalização de governos, instituições financeiras e outros setores. A executiva não estimou qual volume de dados poderia retornar ao Brasil.

Na operação regional, a companhia também avalia a expansão do BSB2, em Brasília, e alternativas de aquisições ou investimentos na infraestrutura existente em Porto Alegre. Segundo Belchior, a estratégia combina projetos de grande escala com a ampliação da presença em mercados fora do eixo Rio–São Paulo.

Tags# elea data centers
TV Sínteseelea data centers

Outras matérias